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Mais de tasca que de salão.

por Fernando Lopes, 3 Dez 16

Aprecio os tipos delicados, calmos, elegantes. São tudo o que não sou. Ainda hoje, num almoço de amigos, brindei-os com a minha excessividade, a voz grossa, o vernáculo, o meu jeito especial de fazer de qualquer taberna a minha casa. Ocasionalmente sujeito a ambientes elegantes, consigo comportar-me discretamente, com a sobriedade mínima para não destoar demasiado. Mas sou demasiado exuberante, apalhaçado, bruto. A tasca é o meu meio, a conversa, aquilo que gosto verdadeiramente. Digo isto com um sorriso, porque ainda hoje tiveram de colocar ponto final na troca de galhardetes com o dono do restaurante. Não fora isso, ainda lá estava, a comer petinga, beber vinho verde branco, ferrar broa com chouriço. Sou, definitivamente, um tipo de tasca, não de salão.

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Elegância em tamanho grande.

por Fernando Lopes, 1 Dez 16

exuberancia.jpgMas que belo nome, porra.

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Vão-se foder, fedelhos mal-educados.

por Fernando Lopes, 1 Dez 16

Sou de esquerda, ateu, republicano. Mas os meus pais e avós ensinaram-me respeito pelos outros. Queira-se ou não, o rei de Espanha é uma figura que representa uma parte da sociedade espanhola. O país vizinho vive numa monarquia constitucional, tem instituições democráticas a funcionar. Ninguém os obrigava a aplaudir – também eu o não faria – permanecer sentado é o equivalente a uma pirraça ideológica. O PCP foi coerente e respeitador. Há muito que perdi a paciência para os infantilismos do Bloco, desde que Louçã, não o esqueço, abriu a porta a quatro anos de governo de direita. Portuguesmente, vão-se foder, fedelhos mal-educados.

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Bem-Feita.

por Fernando Lopes, 29 Nov 16

Sou pai, adoro sê-lo, a minha cria é uma espécie de farol que me ilumina sempre, mesmo quando o nevoeiro tudo torna difuso. Tenho apenas um irmão, e este lidar com o desenvolvimento no feminino é novo para mim. Começa a miúda a esgadanhar a adolescência, eu a transformar-me num pai preocupado. Consigo lidar com isso. Tal não me impede de recordar deliciosas estórias de infância de uma ingenuidade que, lentamente, desparecerá.

 

Quando andava no infantário a Matilde era muito amiga do Afonso, mas pegavam-se por tudo e por nada. Uma espécie de cão e gato, que primeiro se chateavam para logo a seguir fazerem as pazes.

 

- Pai, tropecei, caí e chorei.

 

- Não faz mal.

 

- Faz, faz, o Afonso riu-se e chamou-me bem-feita. Eu não quero ser bem-feita.

 

- Isso dizes agora, estou certo que daqui a uns anos mudarás de opinião.

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Yellow.

por Fernando Lopes, 29 Nov 16

And it was all yellow


A praga amarela terminou. Obrigado ao Pedro e à Treza

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Cuidado com os homens com quem dormes.

por Fernando Lopes, 28 Nov 16

Não sendo praticante, nada tenho contra sexo ocasional. O que passa, é que é necessário muito cuidado com o feliz seleccionado(a) para essas ocasiões. Não queria dizer isto, em primeiro lugar por ser uma generalização, em segundo por questões de género, mas os homens são uns grandes linguarudos no que às suas conquistas diz respeito. Vai daí uma moça precisa de duplos cuidados quando se deita com gajos sem tento na língua. As actividades com este órgão podem incluir tudo menos falar, o que nem sempre o tal macho consegue. Tomai atenção jovens e não tão jovens moças, em não dormir com gajos com complexos de inferioridade ou que tenham uma esponja tipo bota da tropa. Faça ao deleite de privar com uma moça gourmet, quando estão habituados a rancho, não hesitarão em dar com a língua nos dentes. Não é grave, mas pode tornar-se desagradável. Aconselho-vos pois, para essa prática esporádica, um verdadeiro conquistador, um playboy, ou sex machine. Esses, na esmagadora maioria dos casos ficarão calados. O maior conquistador que conheço é meu amigo, e nunca, nunca, diz nada. Nem a mim.

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Black Friday.

por Fernando Lopes, 25 Nov 16

Como é do conhecimento da freguesia habitual, costumo almoçar num shopping. Notei um movimento inusual de gente a circular, muitos com saquinhos nas mãos. É a maravilha da sociedade de consumo: gente a comprar com dinheiro que não tem, coisas de que não precisa.

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Albergues do Porto.

por Fernando Lopes, 24 Nov 16

albergue_martires.jpg

 

Quando andava na primária passava pelo albergue da Rua dos Mártires da Liberdade duas vezes ao dia. Aqueles homens – na época era apenas masculino – pobres, sujos, alguns alcoolizados, causavam-me maior temor e perplexidade que preocupação social, o que queria era chegar à pastelaria do Neves para ferrar o dente na minha bola de Berlim.

 

O que entretanto devia ter desaparecido, perpetua-se. Cada vez mais utentes, maiores dificuldades. 

 

Quem me conhece sabe que as minhas boas acções – se isso lhes posso chamar – ficam comigo. Estou-me nas tintas para o espírito de Natal, para a caridadezinha, mas o albergue dos Mártires está a fazer obras, e necessita de ajuda. Só para que se saiba, a instituição contabiliza 30.000 dormidas por ano, 145.000 refeições servidas. É de apoiar, não custa nada, basta usar o NIB 0007.0431.00024380003.88. Agradeço em nome de todos os que o não podem fazer.

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Tenda.

por Fernando Lopes, 23 Nov 16

tenda.jpg

 

Sem grande azul entre as minhas nuvens, dedico-me a observar. Na rua Júlio Dinis, Boavista, sobrevivem algumas sapatarias caras, uma ou outra loja de roupa. À noite, as fachadas dos edifícios permitem que alguns sem-abrigo ali façam algo similar a uma casa. Depois, logo pela manhã, arrumam os cartões que serviram para mitigar o frio e esconder o desespero. Hoje, num desses quartos a céu aberto, existia uma tenda que já serviu de brinquedo. Pelas cores garridas, pelo contraste, vi um toque de alegria no negro do drama.

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Voar.

por Fernando Lopes, 19 Nov 16

lar.jpg

 

Estou no escritório, ouço a chuva e um avião. Este simples facto desperta uma série de recordações, nem todas boas. Nos anos 90 era obrigado a ir semanalmente à capital prestar contas de viva voz. Voava na LAR (Linhas Aéreas Regionais) que tinham umas avionetas para fazer o transporte entre a invicta e Lisboa. Voava num Fokker – e que belo nome – de 16 lugares, depois de 32, finalmente num modelo a jacto quando nasceu a Portugália.

 

Centenas de horas de voo, três aterragens falhadas. Numa delas, a tripulação permaneceu sentada todo o tempo. Abanámos e reabanámos, gente a vomitar, uma das portas para arrumar as malas por cima das cadeiras abriu. A meu lado uma senhora açoriana que vinha visitar o marido ao Hospital Militar do Porto.

 

- Aí que eu ainda queria ver o meu marido antes de morrer!

 

- Tenha calma, minha senhora, isto às vezes acontece, disse com um ar tranquilo mas prontinho a fazer um chichi pelas pernas abaixo.

 

Não gosto de andar de avião, mas vou para qualquer lado, evito sempre voar no Inverno. Como disse um sábio, os aviões andam lá em cima, as oficinas são cá em baixo.

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