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É assim paroquial este nosso Portugal.

por Fernando Lopes, 21 Jul 17

Vejo a síntese das notícias num canal televisivo. É destaque a visita de Madonna e refere-se que a artista «visita Lisboa cada mais frequentemente e até já reservou hotel para a próxima estadia». Portugal é de um provincianismo assustador. Pense-se se a visita privada de uma cantora seria notícia de abertura de telejornal na Inglaterra, França, Alemanha. É assim paroquial este nosso Portugal.

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Estilhaços do «ajustamento».

por Fernando Lopes, 19 Jul 17

Falava há dias com um amigo a residir e trabalhar em Inglaterra, em como a «crise», o «passismo», continuavam bem presentes no nosso dia-a-dia. Recorda-mo-nos todos de como antes de 2008 um ordenado de 1.000 euros era quase o mínimo para um licenciado. Dizia-se «um mileurista» como sinónimo de mal pago, a roçar o limite do aceitável, aquele ponto que permitia sobreviver mas que não possibilitava independência ou vida em comum. Nove anos passados a maioria de nós achará, sem pensar muito nisso, uma remuneração razoável. O «passismo», o manbo jambo do «vivemos acima das nossas possibilidades» entram pelas nossas percepções dentro como dado adquirido. Classes sócio-profissionais inteiras foram obrigadas a baixar remunerações. Os mais novos que decidiram não emigrar trabalham por uma côdea, saltando de estágio em estágio sem sonhos ou futuro. Quando os direitos, os salários, são assim cortados, esmagados, diz-me a experiência que já não há volta a dar-lhe, que nada voltará a ser como dantes. Como um estilhaço, está cá dentro, às vezes dói, e no entanto já nos habituamos a negar a evidência da sua existência.

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O teste Gentil Martins.

por Fernando Lopes, 17 Jul 17

Almoço. Sento-me no restaurante habitual e peço sopa e bacalhau com espinafres. A meio da sopa sentam-se a meu lado quatro senhoras. Estranho o facto de estarem de óculos escuros dentro de um centro comercial. Olho melhor e apercebo-me que as sras. não são bem senhoras, ou não foram sempre senhoras, ou algo parecido. Das quatro só vejo nitidamente três. Duas são razoavelmente femininas, a outra parece um pugilista a quem depilaram e colocaram uma cabeleira e mini-saia. De forma clara é um work in progress. No restaurante tudo se passa dentro do maior civismo, staff e clientes agem com a maior das normalidades. Seria hipócrita se não admitisse que a situação nos causou alguma estranheza, mas nada mais que isso. Da parte de todos existiu urbana indiferença. Ninguém insultou, comentou alto, pensou que eram doentes. Portugal está muito mais tolerante na aceitação de pessoas transgénero que o Dr. Gentil Martins.

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Morte na parede.

por Fernando Lopes, 13 Jul 17

agramonte.jpgNas redondezas de Agramonte, Porto

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Um pecado quase mortal.

por Fernando Lopes, 12 Jul 17

Falava de onde morava quando solteiro, e de como as casas naquela rua tinham jardim e ou quintal, como isso se perdeu nos dias de hoje. Na Álvares Cabral onde passei trinta anos quase todas as residências tinham as duas coisas. Depois de a minha vizinha, D. Maria, ter morrido – ela é que matava as galinha da avó, as que andavam lá pela capoeira morriam de velhice, já sem penas, frágeis, sem conseguir debicar.

 

Depois recordei um episódio cómico da minha juventude. Essa vizinha tinha um cão muito pequeno e anafado, de uma voracidade indescritível. A senhora chama-me aos gritos. O bandido tinha conseguido abrir a porta do galinheiro, morto duas galinhas e comido uma e meia. Seria quase o seu peso. No meio de um mar de penas e tripas, uma cabeça e partes várias de galináceo, o canito estava deitado, a boca muito aberta, língua de fora. Estava a morrer de enfartamento. Embrulho-o numa manta, meto-o no carro e levo-o para o veterinário que lhe conseguir limpar o estômago e  fazer vomitar o que a gula não tinha permitido digerir. Ri ao relembrar o episódio, a prova que a gula pode ser um pecado quase mortal.

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A globalização é uma merda.

por Fernando Lopes, 7 Jul 17

Sabem os meus queridos leitores que compro roupa sem griffe, nas Zaras, CorteFiel e demais lojas onde se vende design razoável, qualidade assim-assim, preços em conta. Hoje de manhã ao vestir o blazer, reparei que era feito no Cambodja. Vem do outro lado do mundo, manufacturado por alguém a ganhar 2 dólares por dia. Porquê? É mais barato, compramos mais sem sequer reflectirmos muito sobre o facto. Dir-me-ão que esses 2$ são mais 2$ do que ganhavam anteriormente, que a globalização tirou muito gente da miséria extrema para uma «menos miséria». Verdade, mas quem lucra verdadeiramente não são os consumidores finais ou quem produz as peças, são os Ortegas desta vida. Quando coloquei o blazer, sobre os meus ombros estavam sangue e suor de desgraçados, arrotos a caviar, iates de hiper luxo e cavalos de milhões de exploradores agora designados de empreendedores. Aquele casaco ligeiro tinha em si o peso da miséria e fortuna alheia. É muito para um homem simples carregar.

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Inalcançável.

por Fernando Lopes, 5 Jul 17

Já não persigo sonhos pueris de riqueza ou sucesso. Materialmente tenho mais que a maioria, por certo quanto me baste. A minha medida de felicidade mede-se em amar e ser amado. Amor fraterno, filial, de uma mulher. Pensava hoje em voz alta em como tudo se resume a ter barriga cheia, tecto onde não chova, amor a rodos. Tão pouco e tão inalcançável. Ter um colo onde descansar de dias intermináveis. Aceitar e ser aceite sem restrições. Coisas banais bem sei, que no entanto nos fogem, me fogem. Melhor que desistir, morrer tentando, pois o dia em que desistir será o dia em que desapareci mesmo que ainda esteja vivo.

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O Porto não é o Porto sem ti
 

 

 

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Temas:

Mandar «fazer fora».

por Fernando Lopes, 29 Jun 17

CR7.PNG

 

 

Sendo um bota de elástico, tenho aquela concepção antiquada que um filho deveria ser a materialização de um amor. Posso trocar de mulher, mas na minha filha irei sempre ver traços de carácter, jeitos, expressões do rosto, da mãe. É assim a genética. Não sou contra a adopção por homossexuais, bem pelo contrário, é melhor um lar homossexual carinhoso que uma família heterossexual disfuncional. Só que o dinheiro faz coisas estranhas, como esta mania do Cristiano Ronaldo de «mandar fazer filhos fora». Não faz sentido, um filho deve ser amor, não produto de uma transacção comercial. Deve saber de onde vem, não ser filho de mãe ou pai incógnito(a).



Ah mas o Cristiano é gay. Adopte. Ah mas ele tem um grande amor aos seus genes. Não devia, ele mais que ninguém sabe que os atletas são 10% de condição física pré-existente e 90% de trabalho. Se CR7 rebentar com as portas do armário estará a fazer muito mais pelas pessoas LGBT do que com estas atitudes dúbias. Ser atleta e ser gay não é incompatível. É certo que poderia perder muito dinheiro, mas qual é o problema quando já se é rico como Creso? Se o nosso melhor jogador de todos os tempos é homossexual, faz mal em não o assumir, se não é, não entendo o porquê de produzir – e aqui a escolha da palavra não é despicienda – fora, e continuo sem entender como é que um homem de 30 anos que ainda não amou um mulher q.b. para lhe fazer um filho.

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Cobardia.

por Fernando Lopes, 22 Jun 17

A minha avó foi a minha mãe. Tinha coisas muito suas, uma vontade férrea, um jeito rude, uma generosidade fora do comum. Cuidou de mim como se me tivesse saído do seu útero, justificava-o com o adágio «parir é dor, criar é amor». Esperou que nascesse a bisneta para morrer, nunca iria sair deste mundo sem antes acarinhar «a menina». Como se tivesse a certeza que me tornaria um pai competente, desistiu quando entendeu que era hora. Tenho de ir ao cemitério para juntar os seus ossos aos do avô. Sei que gostaria disso. E no entanto falta-me a coragem. Porque assim que estiver no ossário sei que terei de admitir que morreu. Até agora encarei a sua ausência como se de uma viagem se tratasse. Deixará de ser assim. Dá-me coragem, avó. Dá-me aquelas palmadas suaves, o mais próximo de um carinho que te permitias. Dá-me aqueles teus olhos azuis a sorrir. Dá-me força. 

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    Repare na esmagadora maioria dos pivots. O que esp...

  • Genny

    Coloca paroquial nisso! Mil vezes pior que o desta...

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