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Dias de Lanzarote (III).

por Fernando Lopes, 31 Ago 16

P1010152.JPGCharco Verde


Dia 6, El Golfo (Charco Verde), Parque Nacional de Timanfaya, Vinhedos.

 

O Charco Verde está situado junto à aldeia piscatória de El Golfo. É protegido, e numa bela praia de origem vulcânica existe o lago, que é verde devido à enorme acumulação de fitoplâncton e enxofre. É alimentado por correntes subterrâneas e apenas pode ser visto à distância. O contraste entre o mar e o lago é algo que merece a visita, mau-grado o enorme número de turistas.

 

 

 

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Dias de Lanzarote (II).

por Fernando Lopes, 30 Ago 16

Teguise_feira_1.jpgFeira de Teguise.

Dia 5, Mercado de Teguise.

 

Teguise é uma cidade histórica, primeira capital de Lanzarote até meados do Sec. XIX. Preserva a traça antiga e é por isso um exemplo da arquitectura canária e lanzarotenha, com as suas ruas estreitas, pátios, e a habitual calmaria dos locais onde ninguém tem pressa e o tempo tem tempo para ser gasto. Esta tranquilidade é interrompida semanalmente, ao domingo, por um dos mercados mais afamados das Canárias. Transformou-se sobretudo num evento turístico, onde todos procuram pechinchas entre os mais de quatrocentos feirantes. Hordas de turistas – moi-même incluído – enchem as ruas centrais de Teguise.

 

 
 

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Dias de Lanzarote (I).

por Fernando Lopes, 29 Ago 16

aviao_lanzarote.JPG No céu, entre terra e mar

 

Dia 1, «No Smoking».

 

A última vez que tinha estado em Barajas, já lá vão três ou quatro anos, existiam umas barraquinhas para fumadores de cinquenta em cinquenta metros. Permitiam fumar sem incomodar ninguém, reunia-se uma espécie de irmandade da nicotina, solidários e aliviados. Isso acabou. Tínhamos de apanhar voo para Madrid, esperar quatro horas e finalmente embarcar para Lanzarote. No aeroporto Sá Carneiro existiu em tempos uma espécie de guarda-chuva aspirador de fumo, mas também esse desapareceu. Moral da história, abstinência forçada durante dez horas.

 

O paradoxo é que existem cigarros à venda por todo o lado e não há sítio para os fumar. Num aeroporto, espécie de Babel dos tempos modernos onde todos procuram ter um ar de quem anda de avião todos os dias, podes empanturrar-te de hambúrgueres, fritos, doces, até ter um enfarto, beber bebidas alcoólicas até à morte, mas não podes fumar um cigarro.  

 

 

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Adeus, até ao meu regresso.

por Fernando Lopes, 14 Ago 16

A frase não dirá muito aos mais novos, trará memórias difusas aos da minha geração, era dita amiúde pelos soldados portugueses em mensagens de Natal e Ano Novo algures no meio do mato de Angola, Moçambique e Guiné. Parto para férias sabendo que mais de metade dos portugueses o não podem fazer. Viajar, partir, conhecer, fazem parte da natureza humana. De alguma pelo menos. Outra prefere investir esse dinheiro em pinderiquices como o novo modelo de telemóvel. O meu abraço vai para os que não têm essa possibilidade. Como aqui ficou prometido tratarei umas «croniquetas» de viagem, a descrição do que vi e senti. É a forma possível de partilhar. Até já.

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Sem Wi-Fi.

por Fernando Lopes, 12 Ago 16

no-wif.jpg

 

Já o ano passado me tinha acontecido isto. Relevei, pois estava em África, onde as telecomunicações não têm a sofisticação do primeiro mundo. Este ano, ao verificar o hotel que escolhemos noto que o Wi-Fi só está disponível uma hora por dia, custos adicionais para estar online todo o dia. No meu caso é irrelevante, para as crianças e jovens, habituados a ter net a toda a hora, em todos os lugares, esta abstinência é o mais parecido com uma cura de desintoxicação que se pode arranjar. Sei que vou ter a ganapa uma hora por dia na recepção, teclando furiosamente com as amigas.

 

Estaria tudo bem se esta dificuldade em aceder à web tivesse exclusivamente fins terapêuticos. Não tem. Os hoteleiros viram aqui uma oportunidade de negócio, facturação extra, toca a aproveitar. O acesso à internet é hoje um bem tão essencial como água canalizada, sanita ou chuveiro. Na Europa, sem constrangimentos de telecomunicações, parece-me que simplesmente o hotel não está a oferecer aos hóspedes todas as amenidades que deveria. A sua utilização deve ser uma opção do cliente e nada mais.

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Tatuagem.

por Fernando Lopes, 11 Ago 16

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Estou a ponderar fazer uma tatuagem similar a esta com a citação que encabeça este blogue. Depois amedronto-me e penso de novo. Trabalhando num ambiente relativamente formal, impedir-me-ia para todo o sempre – mesmo no pico do calor – de arregaçar as mangas.

Ajudem-me a tomar uma decisão seleccionando uma das opções abaixo:

 

A – Faz a tatuagem, oh pá!

B – Não achas que tens idade para ter juízo?

C – Quero lá saber, até podes tatuar o rabo.

D – Todas as anteriores.

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Maquilhador por um dia.

por Fernando Lopes, 9 Ago 16

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Quem me conhece sabe que sou um bocado old school. Produtos de beleza para homem sempre me pareceram desnecessários. Lâmina da barba, um after-shave, desodorizante com fartura, um toque de perfume, é mais que suficiente. Cá em casa, a pele das madames é impecavelmente tratada com cremes da melhor qualidade. Nota-se, duas carinhas larocas, é dinheiro bem gasto. A filha, onze anos, começa a ter as preocupações femininas habituais. Estava com um borbulhas e queria colocar um esfoliante – fui à net confirmar se este era o nome correcto.

 

- Ó paiiiiiiiiiii, anda-me ajudar a pôr a máscara na cara!

 

- Não seria melhor falares com a tua mãe? Não percebo nada disso.

 

- Já sabes que a mãe está sempre a trabalhar. Não te importas de ajudar?

 

Não tive alternativa. Ajudei-a a colocar uma argila verde, arenosa, que deve arranhar imenso. Ficamos dez minutos à espera que o «barro» secasse, depois ajudei-a, lavando muito lentamente. Devo confessar que fiquei convencido, uma parte substancial das espinhas tinha desaparecido. A criança continuou o resto do «tratamento» com um hidratante qualquer. Quando ela era muito mais pequena, costumava dar-lhe banho, escovar e secar o cabelo. Mimetizava um anúncio, dizia que era o Frank Provost. Agora dei em «maquilhador», «tratador de pele», ou lá como é que se chama a profissão. Em verdade vos digo, não há quase nada que um pai não faça por uma filha.

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Carochinha do Séc. XXI.

por Fernando Lopes, 8 Ago 16

Li num blogue feminino brasileiro a conversa da carochinha contemporânea. Constatava a jovem moça que tinha sido criada em igualdade com os homens, que prezava a sua autonomia, que saía quando lhe apetecia, com quem queria, tinha uma vida profissional de sucesso, carreira académica sem mácula, que via os homens como iguais. Tudo isto seria normal se não terminasse com algo do género «ninguém quer casar comigo porque sou independente e liberada». Não estando habilitado a falar por homens mais novos, constato a contradição de discurso entre a mulher livre e independente, que em simultâneo não abdica do jogo tradicional de papéis. O mundo mudou, a sociedade mudou, também os homens são mais independentes. Qualquer jovem macho é autónomo na sua vida profissional, sexual, doméstica. Muitos vivem vidas que se caracterizam pela prevalência do individual sobre o familiar. Não precisam, não sentem necessidade de uma família tradicional, de filhos. O mundo transformou-se numa procura de satisfação imediata, o investimento numa relação e posteriormente numa família é uma aposta de longo prazo que não motiva a maioria. Uma família significa abdicar do «eu» para pensar no «nós», e esse conceito de colectivo é cada vez mais frágil. Um tempo de individualismo gera pessoas individualistas. É pueril constatar que a sociedade mudou, os papéis de género também, e, no entanto, aspirar a um modelo de família tradicional.

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Vítima da «escrita inteligente».

por Fernando Lopes, 5 Ago 16

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Maleitas do tempo, começo a ver mal ao perto. Para escrever, ler, trabalhar, tenho de usar óculos. Na rua, em outras tarefas, recuso-me pela simples razão que me dão mau-jeito. No telemóvel uso a escrita inteligente. Às vezes dá bronca. Como no exemplo acima:

 

- Queria escrever as usual, respondi Urso.

 

- Queria escrever Free e o Paulo escrevi Frete e o Paulo.

 

Só de pensar que fiquei todo melindrado quando o meu amigo Ricardo Alexandre, esse sim, um caixa de óculos encartado, me escreveu uma mensagem que começava assim: «Meu obeso amigo…».

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Clientela habitual.

por Fernando Lopes, 4 Ago 16

Há muitos, muitos anos, antes de o turismo de massas ter tomado conta da ilha do Porto Santo, passei lá umas férias. O sítio era como gosto, uma calmaria total, restaurantes familiares que nos iam buscar e levar ao hotel, um ou dois bares onde todos se conheciam, o Manel da Carreta ainda não era atracção turística. Alugámos dois carros utilitários (éramos seis) para uns dias de passeio pela ilha. No turismo indicaram-nos um bar num planalto de onde se tinha vista para o aeroporto e para a pista, que naquele local cruza a ilha quase de uma ponta à outra. Nessa época não havia GPS, pelo que, guiados por mapas e questionando os indígenas, demos com o objectivo.

 

Era um sítio maravilhoso, oásis no meio da aridez da ilha, com árvores, pequenos lagos, peixes, patos e outras aves passeando-se por entre os escassos clientes.

 

Perguntamos ao proprietário porque não fazia publicidade. A resposta foi clara:

 

- Não quero cá muita gente, fazem barulho, estragam as plantas, não respeitam os animais, causam mais transtorno que proveito. Prefiro os clientes habituais e um ou outro que vêm cá por recomendação de amigos, são pessoas de confiança, respeitam a casa e o ambiente.

 

Dei por mim a pensar como isto se aplica a este blogue. Conheço os meus fregueses, as suas manias e eles as minhas, tratam-me bem, tudo funciona. Não quero cá muita gente, corre-se o risco de estragar o bom ambiente, afastar a clientela habitual, tratar mal este animal que vos escreve. O dono do bar estava certo.

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  • Fernando Lopes

    Se é actriz, montou de improviso um número e tanto...

  • alexandra g.

    Não duvido, Fernando. Até eu, mesmo sem pagamento,...

  • Fernando Lopes

    O episódio nada tem de secreto. Na visita à casa d...

  • alexandra g.

    Eu digo isso do pilar da ponte aaahhh!!!, cebolas,...

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