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Veganismo como religião.

por Fernando Lopes, 5 Jan 16

«Cada um come daquilo que gosta». G.A.N.E. – Grupo de Anarquistas e Negócios Escuros. A frase, pichada numa parede perto de casa das tias, ficou-me na memória até hoje. A comida ganhou demasiada importância, passou a sinónimo de luxo, requinte, ou a ter conotações quase religiosas. Poucos poderão ser tão estupidamente fundamentalistas quanto os radicais da defesa dos animais. A P.E.T.A (People for Ethical Treatment of Animals), poderosíssima nos Estados Unidos, chegava a ir a marisqueiras comprar lagostas presas num aquário para posteriormente as devolver ao oceano – e os donos dos restaurantes certamente preocupadíssimos com isso.

 

Estive dois anos sem comer carne, em parte por ter assistido a um documentário sobre a produção industrial de animais. A forma como são criados, como se inventou uma «indústria» da carne, desagrada-me profundamente. Não obstante este facto, concedo que a «criação» de porcos e galinhas proporciona uma fonte de proteína animal barata a muito boa gente que de outra forma a ela não teria acesso. «Comenos demais e proteína animal a mais» é absolutamente verdadeiro na generalidade deste mundo ocidental.

 

E depois? Os poucos vegan que conheço passam o tempo a pensar no que podem ou devem comer, no que é ético e não ético. Tanta preocupação mata o simples prazer de saborear uma refeição. Uns desses tipos estão na fase seguinte do veganismo, quase nem cozinham os vegetais, tofus, seitans e demais tretas vegetarianas. Transformaram-se numa espécie de «Adventistas do Sétimo Dia» gastronómicos, sempre receosos que o pecado lhes invada o prato e o estômago. Quando a comida se transforma num substituo da ética, metafísica e filosofia, existe algo de muito disfuncional naquelas cabecinhas.

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15 comentários

De Inês a 05.01.2016 às 21:12

Boa reflexão.

De Fernando Lopes a 05.01.2016 às 22:29

Obrigado, Inês.

De henedina a 05.01.2016 às 22:18

Comer menos e menos carne acho bem. As vacas poluem imenso e a distribuição da proteína é completamente anti-democratica.
Mas vim aqui escrever isto...não mate...as alfaces...coma pedras?!

De Fernando Lopes a 05.01.2016 às 22:35

As plantas também têm percepção sensorial. Na BBC vi um documentário russo em que tinham instalado vários medidores de tensão, fluxo de seiva e outras jigajogas. Entram vários homens, um deles de bata branca e começa a partir as plantas. Os fluxos, sejam eles quais forem, disparam a emitir um alerta. Fase 2: as mesmas plantas mantêm comportamento constante perante homens vestidos normalmente. Fase 3: Um homem de bata branca retorna à estufa, e mesmo sem agredir as plantas, elas têm reacções similares às do momento em que algumas tinham sido maltratadas. Dá para pensar que até as couves têm alguma forma de percepção e alerta. 

De henedina a 05.01.2016 às 22:37

Pois...por isso para não matar só plantas como de tudo ;).

De redonda a 05.01.2016 às 23:46

Sou um bocadinho hipócrita porque não quero saber como morrem, não os quero ver como seres vivos - ainda hoje não como coelho porque quando era criança tivemos um, mas também tivemos galinhas e como frango...

De Fernando Lopes a 06.01.2016 às 00:10

Acho que criamos as nossas defesas, cada um a seu modo. Sou absolutamente incapaz de comer um animal que tenha visto vivo e a avó tinha galinhas que morreram de velhice, já sem penas, pareciam um zombies. 

De Inês a 06.01.2016 às 11:32

Isto era assunto para ficarmos aqui a falar até ao infinito e mais além.
Concordo inteiramente e aproveito para lhe dizer que tenho um qualquer trauma que me impede de comer carne de animal que tenha visto com vida. Em miúda ainda me conseguiram enganar algumas vezes dizendo que era outro, mas a partir de uma certa idade nunca mais.
Beijinhos
Inês

De Fernando Lopes a 06.01.2016 às 19:21

Comigo acontece o mesmo, bicho visto vivo não entra. Será que precisamos de consultar um psicólogo? ;)

De Ana A. a 06.01.2016 às 12:43

Há cinco meses ganhei (finalmente) coragem para ser vegetariana, não vegan . Sinto-me feliz pelas seguintes razões:
- finalmente olho para os animais sem sentimentos de culpa;
- diminui a minha pegada ecológica;
- as minhas análises clínicas estão óptimas.
:)


Grande Abraço

De Fernando Lopes a 06.01.2016 às 19:26

Respeito, aliás fiz (quase) semelhante durante dois anos. Agora não comprar sapatos ou um cinto por ser de couro, não ter um animal doméstico, já me parece demasiado radical.


Abraço.

De Anónimo a 06.01.2016 às 13:39

Vai uma francezona dupla?
Filipe coiso...

De Fernando Lopes a 06.01.2016 às 19:27

Tu, que comes como um pardalito?

De Anónimo a 06.01.2016 às 20:10

Que me perdoem os vegan, me cruxifiquem os vegetarianos e desprezem os macrobioticos, mas quem me tira uma costoleta  do lombo mal passada, tira-me um gosto na vida.
Mm

De Fernando Lopes a 06.01.2016 às 22:11

Viva pois a costeleta mal passada, e outras barbaridades omnívoras. Há lugar para todos neste mundo, até para os que como eu experimentaram almôndegas de lentilhas e três dias depois ainda largavam mais flato que uma vaca argentina. ;)

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