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Uma noite, uma tarde, dois filmes.

por Fernando Lopes, 27 Jul 17

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Quando era solteiro ia pelo menos uma vez por semana ao cinema. Casei, a vida mudou, os cinemas e os filmes também.

 

A primeira vez que fui ao cinema à noite tinha dez anos. Eu e o meu melhor amigo contamos aos pais a velha treta que íamos com o pai do outro e bora lá para uma sessão nocturna no Carlos Alberto. As cadeiras de pau custavam 7$50 (0,035 cêntimos para os mais novos), a plateia com cadeiras acolchoadas 10$00 (0,05 cêntimos). Sim, há 40 e tal anos, nos velhos cinemas populares, um bilhete custava 5 cêntimos.

 

Ontem, no Hollywood, vi um filme francês, «Amigos Improváveis», baseado numa história verídica, que conta a amizade entre um milionário francês paralisado num acidente de parapente, e um emigrante senegalês com um passado/presente atribulado. Uma bela história, plena de humanidade e momentos de humor. O jovem senegalês traz à vida de Phillippe uma irreverência e um tratamento igualitário a que este se tinha desabituado.

 

O de hoje, «Planeta dos Macacos: A Guerra» diverge muito do blockbuster de sci fi que esperaríamos. É sobretudo um filme sobre o mais humano dos sentimentos, a ânsia de vingança. Não é carne nem peixe, pois se desiludirá os intelectuais, terá efeito idêntico sobre quem espera um filme de acção. Está algures entre uma coisa e outra, e sem ser brilhante, também não desmerece.

 

Ide ao cinema jovens, ide, nem que para isso tenham de pregar um pêta aos pais.

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11 comentários

De Fernando Lopes a 27.07.2017 às 22:52

É um filme que não é um filme de acção pura, nem sci fi, nem «normal». Acaba por não ser bom para nenhum dos públicos em questão.


Aqui no Porto existiam muito cinemas de reprise (Carlos Alberto, Terço, Olímpia and so on), que passavam filmes já mais antigos. Eram mais baratos e tinham cowboiadas - o povo a bater com os pés ao ritmo do galope -, terror, espionagem, de tudo. Em tempos pré telemóveis ou consolas eram a modernidade possível. :-)

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