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Testei o meu crédito.

por Fernando Lopes, 9 Set 14

8h45. Ao sair do parque de estacionamento sinto-me mais leve. O bolso do casaco que deveria trazer a carteira encontra-se vazio. Sem problema, vou fazer o teste do crédito. No café onde costumo tomar o pequeno-almoço anuncio a boa nova:

- Hoje não pago, esqueci-me da carteira em casa.

 

Não só como hoje para pagar amanhã como, gentilmente, me disponibilizam 20 euros para as despesas do dia. Agradeço e recuso. A entrada no edifício onde trabalho faz-se através de um cartão; consegui um das senhoras de limpeza, acesso não restrito. À hora de almoço, anuncio que estou liso e que vou pagar amanhã. Mais uma vez não colocam nenhum problema. No final da tarde passo pela tabacaria do Sr. Lopes que suprime o meu vício tabágico com sorriso cúmplice  e caloroso «até amanhã».

 

Resumo do dia: meia de leite e pão com manteiga, costeleta de porco com arroz de feijão e água, café e dois maços de cigarros a crédito, num módico valor de 15 euros e uns cêntimos.

 

Eis algumas vantagens do comércio tradicional. Conhecem-nos pelo nome, sabem que esquecimento pode acontecer a qualquer um, sorriem complacentemente e confiam no cliente regular.  

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7 comentários

De golimix a 10.09.2014 às 08:42

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Nem mais!

De Fernando Lopes a 10.09.2014 às 09:19

O Porto é uma aldeia de 250.000 habitantes, com estas vantagens de meio pequeno. :)

De Luis B. Coelho a 10.09.2014 às 12:23

Valha-nos a solidariedade e compreensão dos que nos rodeiam, Fernando, resultado do que semeamos ao longo da vida. Contudo, o mundo já foi um lugar bem melhor: se dependesse de hipermercados para comer (ou de máquinas de tabaco para fumar), ia ser um dia de dieta, hein?

De Fernando Lopes a 10.09.2014 às 12:41

Caro Luís, por essas e por outras é que sempre que possível uso o comércio tradicional. Infelizmente, nos bens alimentares é quase impossível evitar os hipermercados, que conseguem preços baixos à custa dos produtores.

De bloga-mos a 10.09.2014 às 13:06

Vivo no Bairro Alto e tenho o mesmo tratamento mesmo quando a carteira está comigo mas um pouco emagrecida por diversas dietas forçadas...

De Fernando Lopes a 10.09.2014 às 14:27

Viver no BA é um privilégio. O resto, como dizem os bifes, "vem com o território".

De bloga-mos a 10.09.2014 às 16:51

Viver no BA é um privilégio com laivos diabólicos mas sendo eu dado a certos epifanias com o Leopold von Sacher-Masoch a coisa vai marchando...

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