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Espalhar poesia.

por Fernando Lopes, 17 Dez 14

son tus labios mi frontera.jpgAcción Poética Tucumán

 

Na montra da papelaria do centro comercial, cartões brancos, um pouco maiores que cartões de visita. Imaculados, a gritarem «escreve-me». Comprei 50. Ainda não estava certo do destino que lhes estava reservado quando se fez luz. Vou enche-los de poesia e deixá-los onde o destino quiser: no restaurante, barbeiro, café, banco de jardim, caixa de correio ou soleira de porta. Não sei se é uma ideia original, nem sequer importa, já foi tudo inventado. Vivemos tempos cinzentos, vidas cinzentas, num mundo cinzento. Uma pequena frase, um poema, uma citação, basta que arranquem um sorriso, uma reflexão, e já terei dado o tempo como ganho. Quixotescamente, numa base ocasional, vou tentar espalhar poesia por aí. Já escrevi o primeiro. Reproduz a frase acima, da Acción Poética Tucumán, resplandecendo numa parede.

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Contra os optimistas.

por Fernando Lopes, 24 Ago 14

Chamam destino ao rifão do acaso

e chamam à fraude boa fortuna.

Crêem no Batman e na Virgem Maria.

Duvidam do frio, não da polícia

e nunca dão crédito àquilo que vêem.

 

Reservam a tempo um lugar na geral,

põem o pé entre duas ciladas

e ficam a rir-se nas fotografias.

Sujam a roupa tal como nós, mas

mandam-na sempre a lavandarias

que sabem tratar dos casos difíceis.

 

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