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Sorrir faz bem aos outros.

por Fernando Lopes, 1 Out 15

A bomba Repsol da Constituição é recurso muitas vezes usado. A dois minutos de casa, frequentemente a uso para comprar cigarros, jornais, revistas, gelo, bebidas, até combustível. Como em todo o lado gosto de conhecer os empregados pelo nome. Sei o da maioria, conheço o rapaz que tem um bulldog francês, a jovem mãe, a rapariga de cabelo curtinho e cara simpática, a senhora que sofre de portite aguda e põe o rádio aos berros quando o Porto joga. Sempre me trataram com enorme simpatia.

 

Nestas coisas há sempre um senão. Uma empregada de cerca cinquenta anos era o protótipo da antipatia e má-criação. Nunca sorria, não dizia obrigado, lançava os beiços para a frente como se o mundo a maltratasse. Evitava-a sempre que possível, ser recebido por alguém que nos coloca a sua pior cara é constrangedor. Apelidámo-la de «ventas de alicate».

 

E no entanto, o milagre deu-se. A sra. sorri. Não sei se por imposição patronal, porque a vida lhe mudou, certo é que me sorriu, agradeceu, fez uma piada.

 

Agora já não tenho medo dela.

 

Às vezes é tão fácil fazer os outros felizes. Basta sorrir.

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Pessoas descartáveis.

por Fernando Lopes, 22 Abr 14

«A vida das pessoas não está melhor, a do país está muito melhor» disse o grande filósofo Luís Montenegro. Ao contrário do que alguns bem intencionados argumentaram, não se trata de uma gaffe, mas de uma peculiar mundividência actualmente dominante. As pessoas interessam muito pouco, nada mesmo. A vida resume-me a modelos macroeconómicos, a uma gigantesca folha de Excel onde a variável «ser humano» toma com facilidade o valor zero.

 

Aponto três casos com que lidei esta semana: pessoas entre os 30 e 48, todos licenciados. Um, ao fim de seis anos de estagnação vai para África, outro, desempregado, tenta a sua sorte na Europa, outra ainda foi despedida após o período puerpério.

 

Três pessoas experientes, demasiado caras para o mercado actual que se alimenta de estagiários low cost. A desvalorização de trabalhadores qualificados e experientes é má para todos; os mais novos entram num mercado guiado pelo mínimo denominador comum, quem está entre os 30 e 45 é demasiado caro e consequentemente desinteressante, quem tem mais de 50 é velho e dispensável. Ao contrário do que querem fazer crer não existe guerra geracional, todos, do mais novo ao mais experiente, estão depreciados.

 

As pessoas, essa abstracção, tornaram-se demasiado incómodas nesta guerra contra o trabalho, em que este é visto não como um direito mas um tesouro a conservar seja por que meio for. Não surpreende pois que o desemprego desça, quem pode foge, quem não pode sujeita-se a trabalhar por pouco mais que uma côdea.

Poder-se-á argumentar que estou a partir da experiência particular para o geral, mas não é o todo a soma destas pequenas partes com que vamos lidando dia-a-dia?  

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    Só agora vi a mensagem anterior - note-se que quem...

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    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

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