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Pó, Cinza e Recordações

por Fernando Lopes, 12 Mai 15

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Como qualquer adicto em livros, mantenho o hábito de comprar mais que os que consigo ler. No blogue da G. li um pequeno excerto de «Pó, Cinza e Recordações». Fui à FNAC procurá-lo. A menina do atendimento a dizer-me que não estava na base de dados e eu furibundo a dizer que o tinha visto no site.

 

- Pode estar em pré-venda.

 

Assim era, saí dali com o rabinho entre as pernas e «Pergunta ao Pó» de John Fante debaixo do braço. Acabei-o ontem. Uma vez que o dinheiro não é elástico, estava à espera do fim-de-semana para usar os cartões daquela cadeia que me deram de presente.

 

Seria muito bonito se no centro comercial onde almoço não houvesse uma Bertrand. Vi-o, ele viu-me, não resisti, trouxe-o para casa. Em boa hora o fiz, pois escrevo às 2:00 da manhã, 140 páginas lidas depois. Rentes de Carvalho é um enorme escritor. Poucos conseguem fazer literatura à volta de pequenos factos, problemas, dramas e irritações. Este diário nada fica a dever a outra obra de excepção, o seu «Tempo Contado».

 

Absolutamente obrigatório.

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«Hás-de ser infeliz toda a vida!»

por Fernando Lopes, 28 Set 14

A frase, leio-a páginas 165 de «Montedor», uma espécie de síntese da demanda do protagonista. Recuo décadas porque também eu ouvi esta sentença da boca da avó, incapaz de compreender a angústia, inquietação, mal-estar, que as mais das vezes me acompanham. Uma insatisfação, um permanente vazio, sempre presentes, mesmo nos dias mais solarengos. Inútil dizer que é caminho que se não escolhe, antes praga que persegue, porque a felicidade das coisas simples, a do que é igual aos outros, do que esperam de nós, sempre parece insuficiente. 

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a sétima onda.

por Fernando Lopes, 31 Mai 14

Admirador quase incondicional de J. Rentes de Carvalho, assisti com enorme prazer à homenagem que lhe foi prestada no âmbito do LeV. Não escrevi aqui sobre a sessão por duas razões: as minhas palavras nada iram acrescentar e por um prazer egoísta de quem resguarda um pequeno tesouro como se fosse só seu. Ao contrário de Soliplass, que tive o enorme prazer de conhecer, o meu talento com as palavras é reduzido, mantendo distância respeitável e embaraçada humildade, quase reverência, perante brilho alheio. Inspirado pelo  meu novel amigo – acho que o posso chamar assim – um frequentador assíduo de alfarrabistas tanto em Portugal como no Brasil, lancei-me na demanda de encontrar antigas obras de J. Rentes de Carvalho, a quem toda a gente, numa familiaridade quase desrespeitosa, tratava simplesmente por «José». Eis o resultado, um livro já com as maleitas do tempo, que lhe dão «estória». Vai directamente para a minha secção de tesouros.

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José Rentes de Carvalho homenageado.

por Fernando Lopes, 7 Mai 14

Será no próximo sábado 10, às 21:30, no âmbito da LeV (Literatura em Viagem). Embora o conceito de homenagem não me seja particularmente querido, lá estarei para o ouvir. Quem não teve oportunidade de assistir a apresentações suas ficará certamente encantado com este «contador de estórias». JRC, com o seu jeito despretensioso, tímido, pleno de humor e sarcasmo, é um contador nato, tanto na palavra escrita como na oralidade. Falhadas as «Correntes», vai ser um prazer ouvir o velho mestre. 

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Pequenos tesouros.

por Fernando Lopes, 5 Mar 14

A propósito deste post de Soliplass, e de releituras, exibo com orgulho despudorado esta dedicatória de mestre J. Rentes de Carvalho. O pai deixou-nos também ele as suas preciosidades autografadas, uma primeira edição de «A Divina Comédia» em inglês comprada num alfarrabista desatento, um exemplar feito em casa sobre os primeiros a vencer o Evereste. Os livros vencem o tempo, passando de pais para filhos, um testemunho de amor à palavra escrita, às «estórias», à arte de contar.

 

Estive na Feira do Livro em que J. Rentes de Carvalho autografou este exemplar de «O Rebate» com a minha filha. Pedi para a fotografar junto ao mestre, que prontamente acedeu. A fotografia passou do telemóvel para um passepartout que está ali na sala. Um miúdo que nos visitava não resistiu à pergunta óbvia:

- É o teu avô?

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Oiçam.

por Fernando Lopes, 28 Jan 14

Uma velha entrevista de J. Rentes de Carvalho, o encanto de sempre do menino perante o mestre.

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Sem ponta de ficção.

por Fernando Lopes, 25 Jan 13

O segundo caso deu-se em Portugal, também numa estrada, dessas em que laboriosas curvas sobem e descem as encostas do monte. Embora a carreira tenha paragens certas, nenhum chofer deixará de parar a quem lhe acene.


O dia em que num descampado apareceu um homem a pedir passagem, e porque a camioneta já ia cheia, disse-lhe o chofer que a única solução seria viajar no tejadilho. Para compensar o incómodo só lhe cobrava meio bilhete.


O homem subiu, achou curioso ver um caixão de defunto, e acomodou-se entre as malas e os embrulhos, procurando a melhor maneira de se defender do frio. Quando mais tarde começou a chover, diz ele que hesitou um momento por lhe parecer de mau agouro, mas finalmente abriu a urna e deitou-se dentro. À cautela, não fosse a tampa fechar-se, tomou o cuidado de lhe pôr uma caixa de fósforos a servir de calço. Supõe que o tomou então uma modorra, porque só vagamente se recordava de ter sentido a carreira parar e de ouvir que alguém subia. Mas com a ronceirice do andamento e a monotonia da chuva, acabou por fechar os olhos.
O chofer tinha de facto parado para outro viajante, e por não haver ainda lugar informou-o também de que o remédio seria subir para o tejadilho.


Afinal - disse ele - não vai sozinho. Já lá está outro.


Reconstruindo depois o que aconteceu, sabe-se que o novo passageiro ao ver o caixão tirou com respeito o chapéu e se sentou perto, indiferente ao frio e à chuva de que nada o abrigava. Pelo menos foi assim que, cada vez vez que acordava da sua sonolência, o "morto" o viu através da frincha.


Finalmente, desejoso de mover o corpo dorido pela imobilidade a que o obrigava o esquife, e tendo a impressão que o tempo aclarara, estendeu o braço para fora e, brincalhão, perguntou numa voz soturna: - Ó camarada ainda chove?
Ao ver que o defunto mexia e o interrogava num tom de além túmulo, a reacção do homem foi fulgurante: atirou-se abaixo da carreira. Quebrou os ossos, mas escapou com vida. O outro também nada sofreu. Mas o chofer, assustado ao ver o passageiro cair, perdeu a direcção a atirou com a camioneta para um barranco. Quatro mortos.


Bem sei, não deve a gente rir-se da desgraça alheia, mas  que hei-de eu fazer?

 

 

 

J. Rentes de Carvalho, Mazagran, páginas 175-177

 

Reproduzido com permissão do autor, que com a habitual cortesia, me informou ser este episódio absolutamente verídico, passado algures na estrada velha entre Lamego e a Régua. Daí ter usado palavras suas, "sem ponta de ficção", para renomear esta estória.

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A simplicidade é apanágio dos grandes

por Fernando Lopes, 3 Jun 12

 

Os visitantes deste blogue conhecem bem a minha admiração por J. Rentes de Carvalho. Ontem, na Feira do Livro, tive oportunidade de ficar 5 minutos à conversa com o Mestre. Fiquei profundamente sensibilizado pela sua simplicidade, simpatia e humor. Um privilégio que jamais esquecerei. Já amava a obra, impossível não ficar rendido ao homem.

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Não me mexam no Rentes!

por Fernando Lopes, 10 Nov 11

Não tem mal ser puto. Nem acreditar no Pai Natal dos mercados. Nem mesmo o facto de ser um liberal um bocado parvo lhe retira um lugar ao sol. Afinal, até escreve no "Espesso". Li dele um ensaio mediano sobre a obra do mestre na Ler. Agora isto é demais. Quando não se tem talento nem mestria com as palavras, quando não se passa de mais um franco-atirador na selva que publica toda a merda, devia ter-se humildade. Adaptamos? Sugerimos? Não, vampirizamos talento alheio, que é o que fazem os medíocres. A tua maior glória literária foi e será a historieta dos ordenados da CP.

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