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Especialistas.

por Fernando Lopes, 10 Fev 14

Vivemos num tempo de especialização até à náusea. Formamos jovens em áreas tão específicas como design publicitário, engenharia do papel e outras de utilidade duvidosa e procura provavelmente ainda mais remota. Acontece o mesmo com os nossos carros que têm um técnico de electrónica, mecânica, ar condicionado e sei lá que mais.

 

Hoje de manhã, ao levar a cria à escola entrei em pânico. A luz de porta aberta dava sinal. Parei o carro em todos os semáforos, bati com as portas todas como um obsessivo-compulsivo. O meu medo era que a miúda me saísse disparada pelo carro fora, mesmo presa à cadeira xpto que comprei.

 

Depois de a deixar os neurónios começaram a comunicar entre si e fez-se luz. E se é a mala aberta? E era. Tentei fechar a coisa, chegado ao parque testei molas e molinhas e o estafermo da mala – bagageira para os de além Tejo – continuava sem fechar. Não havia sinais de estroncamento e como aquilo me parecia estranho, levei o carro a um “especialista” nas proximidades. O diagnóstico, após um ou dois testes que não me deixaram convencido foi:

- Precisa de um fecho novo, depois ligo a dar-lhe o orçamento.

Estava tranquilamente a almoçar quando recebo uma chamada que quase me fez vomitar; a peça – um bocadito de metal com um trinco – custava a módica quantia de 180 euros.

Acedi relutantemente.

 

Ao chegar a casa, resolvemos testar a coisa. Puxamos um mola, abrimos e fechamos a mala et voilà!, deu-se o milagre, a coisa abre e fecha com a maior normalidade. Provavelmente a mola tinha “desarmado” e voltar a puxá-la foi o suficiente para resolver o problema.

 

Já mandei um email para a oficina do “especialista” e amanhã vou telefonar para cancelar o pedido da dita peça. Isto tudo com o dedo do meio bem esticado, a provar que não se pode confiar em ninguém, 180 euros custam-me muito a ganhar. Questiono-me se as oficinas não estarão pejadas de “especialistas”,  tipos que percebem tanto daquilo como eu, mas têm um macacão com logotipo que os autoriza à incompetência.

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"Ao contrário do inicialmente previsto, o pagamento de juros de Portugal à troika está a incidir na totalidade dos 12 mil milhões de euros destinados à capitalização da banca, e não apenas no montante até agora utilizado. (...) O Orçamento de Estado revela que o montante não utilizado da linha de apoio à capitalização da banca, no valor de 7,5 mil milhões estão aplicados numa conta à ordem do Banco de Portugal. Esta conta é um depósito à ordem, o que não permite beneficiar de qualquer retorno que possa atenuar o pagamento de juros à troika." in jornal i.

 

Esta é a versão Gaspariana do ouro de Salazar. Dinheiro sobre o qual vamos pagar juros e que está morto. Em qualquer país normal, os ministros das Finanças e da Economia estariam a tentar soluções para colocar este capital não utilizado ao serviço da economia. Apoiando projectos, empresas e indivíduos. Concedendo crédito, incentivando o emprego. Não em Portugal. Fica numa continha, quietinho, à espera. Pagando juros. A reutilização deste capital deve ser possível através de (palavra feia) renegociação ou realocação. Só isto seria suficiente para demitir os dois ministros por incompetência, não se chamasse esta choldra Portugal.

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