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Peregrinação.

por Fernando Lopes, 8 Mai 17

Não sendo um homem de fé, confesso uma pitada de inveja dos que a têm. Ter fé deve dar um sentido à bondade, à compaixão, que não tenho. Dá significado a esta vida sem ele. Coloca as coisas numa perspectiva diferente. Procuro ser bondoso, compassivo, apenas porque acho que é assim que deve ser, porque não saberia ser de outra forma. Não existe um objectivo nesta forma de actuar que não um imperativo ético. O sentido da vida, essa questão do milhão de dólares, para mim não existe. Apenas fazermos o melhor que nos for possível, connosco e com os outros. Porque sim. O fim é apenas isso, um fim, um apagar de luzes, fim de festa. Não acredito em céu, energias cósmicas, reencarnação. Acabou e pronto. Dito isto, não sou insensível aos milhares de pessoas que estarão neste momento na estrada, a caminhar para Fátima. Deve ser libertador, dar energia, coragem, ser movido pela fé. Nem que seja a fé num logro, com a participação de um idoso argentino como estrela convidada. Pensando melhor, não tenho inveja. Ser, enquanto o tempo o quiser, ficar em cinzas e fundir-se com a terra que nos gerou é recompensa mais que suficiente. A existência, é por si, a maior das dores e das recompensas.

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Deve-se voltar a um lugar…

por Fernando Lopes, 13 Mai 13

onde já fomos felizes? Contrariando o chavão, gosto de sensação de regresso, o aconchego do familiar, que nos recebe de braços abertos, conhece, acarinha e ama. Pode ser um local, uma pessoa, o regresso é sempre doce. Certo é que os momentos são irrepetíveis, que nunca, nada, é exactamente o mesmo, mas o que é? A vida é feita de instantes, não acredito na felicidade em modo contínuo. Voltem aos lugares, amigos, amores onde foram felizes. Não será certamente o mesmo, mas o que o custa a quimera de tentar agarrar de novo aquele momento irrepetível?

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o amor valerá sempre a pena

por Fernando Lopes, 25 Mar 12

Ocasionalmente sou atravessado por grandes angústias. Será comum a todos, dos mais tímidos e introspectivos aos mais expansivos. Lembro bem os primeiros momentos de medo profundo e angústia, daquela que nos causa borboletas no estômago. Quando com 12 ou 13 anos tomei consciência da minha finitude. A tomada de conhecimento de que vamos morrer, de algum modo, altera-nos. Coloca as nossas hormonas adolescentes no devido lugar, o de uma micro poeira cósmica, colocada por acaso no universo, com outro destino que não o de cumprir um papel ainda não escrito, por dramaturgo também ele inexistente. E, no entanto, lutamos. Por uma vida melhor, por mais conforto, por felicidade para os filhos. Mesmo que não se consiga nada, mesmo que o nosso significado seja ridiculamente pequeno, é esta luta, esta vontade de mudar intrínseca ao ser humano que faz o mundo avançar, dar melhor condições de vida aos que cá estão e aos que hão-de vir. Lutar por uma causa, por um ideal, é uma forma de superação da morte, pelo amor. Enquanto um único homem sentir este amor fraternal, valerá sempre a pena a vida e a luta.

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O Orgasmo

por Fernando Lopes, 5 Jan 12

Atenção, este é um momento didáctico e faz uso de linguagem inapropriada. As pessoas mais sensíveis, sigam p.f. para a posta anterior. Tenho notado que as senhoras, tendem a confundir ejaculação com orgasmo. Embora pareçam ser a mesma coisa, são, para este vosso humilde escriba, completamente diferentes. Esclareçamos pois. O pénis, tal como o seu proprietário, caracteriza-se pelo oportunismo e ignorância. É um membro que agradece indistintamente uma mão amiga, uma boca colaborante, uma vagina depilada ou um rabo arrebitado. Manifesta alegria, mesmo quando amassado, esticado, comprimido ou vitimizado por mão mais rude. É reconhecido, sempre. Mas, o orgasmo, é algo mais. É união de corpos e mente, é momento sem memória, que percorre todo o corpo, que produz silenciosos estremecimentos de prazer e cumplicidade, é aquele tempo que desejaríamos eternizado. Ficam pois a saber, que para o purgatório, o orgasmo é uma manifestação física e mental, um nirvana, algo distinto da simples função orgânica [divertida, digo eu] de ejacular.

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Sonho de uma noite de outono

por Fernando Lopes, 16 Nov 11

Ontem sonhei com Ele. Não estava com um manto diáfano, mas com as minhas velhas 501. Falávamos sem abrir a boca. Disse-me: "Eu sou o padre a a prostituta, o professor e o analfabeto, o bondoso e o ruim, o homem e a mulher, o poeta e o prosador, o branco e o preto, o grito e o sussurro, o silêncio e o ruído, a tristeza e a alegria." Estranhamente compreendi o que me queria dizer. O divino somos nós. Somos tudo, o que sentimos, o que vivemos, o sagrado e o profano. É esse o nosso céu e o nosso inferno. Depois é o vazio. Quando o meu corpo putrefacto, expelir gases, entrar em decomposição, quando as larvas comerem os meus olhos, morderem as minhas carnes, saberei que nada mais existe. Fui homem e Deus, pecado e redenção, céu e inferno. Reconheci-o. Era Nietzsche.

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