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Vim para um tudo-incluído por uma questão de poupança. Por algum motivo estranho só pagamos mais 20€/dia por este regime. Dir-me-ão que é uma coisa um bocado de lateiro. É verdade, mas procuro que não seja o caso, evitando o desperdício ou excesso de consumo só porque "já está pago”.

 

O hotel está repleto de espanhóis e esses sí son lateros. Após o pequeno almoço, já estão a enfardar bojecas e hamburgers, tostas mistas e perritos. Alguns devem explodir no regresso a casa.

 

Temos a mania bem portuguesa de nos diminuirmos, mas os comportamentos mais aberrantes que vi, daqui a vários países do Caribe, nunca foi de portugueses. Alemães, ingleses e espanhóis comportam-se tenebrosamente, enfardando quantidades de álcool e comida que dariam para alimentar e etilizar um país do terceiro mundo.

 

Claro que há sempre honrosas excepções, como o puto que se virou para a mãe e disse com um sotaque nortenho bem carregado:

- Mais gelado, carago! Ó mãe não quero mais que este é já o terceiro.

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Boavista, Cabo Verde

 

Não sei se vamos fazer as tradicionais férias de verão este ano. Tenho a consciência do ridículo deste problema face às necessidades da maioria dos portugueses. Oriundo de um meio pequeno-burguês, as férias de praia são uma tradição desde sempre. Do Algarve às Caraíbas, passando por África, as nossas férias já se passaram em vários continentes. Adiado sine die o desejo de conhecer a Ásia, de voltar a dar mergulhos em águas tropicais. A chefe da casa é perita em descobrir promoções, campanhas e todos esses truques que nos permitem poupar umas valentes massas. O nacional Allgarve sempre foi um destino caro face ao que oferece e à concorrência. Este ano, os hoteleiros insistem em manter alojamentos de 4 estrelas a preços superiores aos da concorrência internacional. Depois de muito procurarmos o melhor se encontrou foi um alojamento a 150€ por dia para os três num hotel de uma conhecida cadeia nacional. Conseguem-se preços mais competitivos no norte de África ou sul de Espanha, por exemplo. Gostava de voltar a Cabo Verde, desta vez à ilha da Boavista. Ter um deserto nas costas e um mar infindável pela frente seriam para mim as férias ideais. Como companhia basta-me a família, praia, meia dúzia de bons livros. E uma cerveja fresquinha, vá lá. Provavelmente não vai dar. Incómodo insignificante, num país em escombros no dia em que se soube que o desemprego tinha atingido a taxa recorde de 15%.

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Faça férias ... em casa

por Fernando Lopes, 5 Mar 12

Holidays at Home

Desde sempre a família passou uns dias de férias fora de casa. As primeiras férias de praia de que tenho memória foram em 1972, num aldeamento chamado Golférias, encravado entre Vilamoura e Quarteira. Era um tempo em que o Algarve não tinha sido atacado pelo vírus do cimento, acordávamos com o zurrar de um burro, havia lugares de sobra para estacionar o pequeno Mini, faziam-se compras para o jantar em mercados, lotas e mercearias. Estivemos em locais modestos e noutros confortáveis.

Vieram tempos mais abastados em que, sempre com a praia como pano de fundo, fizemos algumas extravagâncias. Porto Santo, Madeira, Caraíbas, São Tomé, Cabo Verde, Marrocos, Tunísia e blasfémia das blasfémias, estivemos no Índico, nesse fantástico melting-pot que são as Maurícias. Nunca pedi crédito para viajar, escolhíamos os destinos em função da gordura [ou magreza] da carteira. Temos escolhido destinos cada vez mais próximos e mais baratos. Este ano temo bem que seja diferente.

As palavras de Passos Coelho, na Bolsa de Turismo de Lisboa, suscitam-me uma pequena reflexão. Vá-se foder. Poucos são os que, vivendo de salários, dispõe de margem para poupar para férias. Além disso, exceptuando os locais de grande concentração de massas, como Quarteira ou Portimão, o preço de um alojamento confortável (4 estrelas), que nada tem de luxo, é [era] mais caro do que um congénere na maior parte do mundo. O local onde fizemos férias o ano passado, passava de 110€ por dia em Junho, para uns incomportáveis 300€/dia em Agosto. A função pública vê-se privada do subsídio de férias, quem ainda tem trabalho sabe que o mês é cada vez mais comprido e o dinheiro mais curto. Ou os hoteleiros algarvios perdem a ganância ou a maioria não vai poder fazer férias fora de casa. Não vou morrer por causa disso. Paciência. Mas alguém perspectivou o desastre que se aproxima a passos largos da indústria hoteleira nacional, e em particular da algarvia?

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Entre a crise e a opulência

por Fernando Lopes, 19 Jun 11


Na tranquilidade das férias, é bom por a leitura em dia, ignorar a agenda do BCE e a tragédia grega. Mesmo sempre atento às notícias tudo parece distante, de um outro país e de um outro planeta. Dias passados a ensinar a filha a nadar, num merecido dolce far niente. E no entanto entre Philip Roth e Reif Larsen, entre a praia e a piscina, encontro sinais de como a riqueza está mal distribuída e vivemos num país terceiro mundista.A quantidade de vivendas de luxo, na zona onde me encontro é atemorizadora. Não se trata de vivendas para alugar, mas de casas de férias com 6 ou 7 quartos, jardins impecavelmente tratados e carros de luxo em garagens que podem albergar vários. Estou numa parte do país (e não, não fui convidado para a urbanização da Coelha), onde famílias abastadas, têm para usar durante um ou dois meses do ano, habitações que fariam as delícias de famílias numerosas. E mesmo neste torpor de férias não consigo deixar de pensar como há gente a viver em casebres miseráveis e outros num luxo que roça a opulência. Um retrato sem final feliz do país em que vivemos.

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    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

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