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O estado como exemplo.

 

Somando a situação da administração central à das administrações regionais e locais, "assistiu-se a um acentuado crescimento de 89,9% nas prestações de serviços" em 2013. Mais 12.925 casos. Dá um total de 27.296 pessoas em situação temporária no final do ano passado dos quais mais de 86% prestam serviços no ministério da Segurança Social.

 

Nada disto surpreende porque na maioria das vezes não é uma opção económica, mas ideológica. O que se passa no Ministério da «Segurança Social» é replicado em centenas de PMEs. A coberto da preocupação com o desemprego jovem, o programa Relvas matou dois coelhos de uma cajadada. A ideia é simples: para quê empregar-te a ti, que ganhas 1.500 euros se a custos reduzidos posso contratar dois estagiários? São promovidas todas as formas de precariedade desde os «tarefeiros» aos «estagiários». Uma forma simples de pressionar os efectivos a aceitar a baixa de salários, brandindo os jovens como ameaça. Não existe racional económico para o estado que paga grande parte do salário ao jovem estagiário e subsídio de desemprego àqueles que foram despedidos. Trata-se de um momento de revanche dos empresários com o beneplácito do governo com o único objectivo de baixar os custos salariais das empresas, nem que para isso seja o «estado» a pagar. O ataque ao trabalho e direitos dos trabalhadores é a marca ideológica que fica deste governo. 

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Pessoas descartáveis.

por Fernando Lopes, 22 Abr 14

«A vida das pessoas não está melhor, a do país está muito melhor» disse o grande filósofo Luís Montenegro. Ao contrário do que alguns bem intencionados argumentaram, não se trata de uma gaffe, mas de uma peculiar mundividência actualmente dominante. As pessoas interessam muito pouco, nada mesmo. A vida resume-me a modelos macroeconómicos, a uma gigantesca folha de Excel onde a variável «ser humano» toma com facilidade o valor zero.

 

Aponto três casos com que lidei esta semana: pessoas entre os 30 e 48, todos licenciados. Um, ao fim de seis anos de estagnação vai para África, outro, desempregado, tenta a sua sorte na Europa, outra ainda foi despedida após o período puerpério.

 

Três pessoas experientes, demasiado caras para o mercado actual que se alimenta de estagiários low cost. A desvalorização de trabalhadores qualificados e experientes é má para todos; os mais novos entram num mercado guiado pelo mínimo denominador comum, quem está entre os 30 e 45 é demasiado caro e consequentemente desinteressante, quem tem mais de 50 é velho e dispensável. Ao contrário do que querem fazer crer não existe guerra geracional, todos, do mais novo ao mais experiente, estão depreciados.

 

As pessoas, essa abstracção, tornaram-se demasiado incómodas nesta guerra contra o trabalho, em que este é visto não como um direito mas um tesouro a conservar seja por que meio for. Não surpreende pois que o desemprego desça, quem pode foge, quem não pode sujeita-se a trabalhar por pouco mais que uma côdea.

Poder-se-á argumentar que estou a partir da experiência particular para o geral, mas não é o todo a soma destas pequenas partes com que vamos lidando dia-a-dia?  

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