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Habitualmente disponho de uma paciência quase infinita no que toca a inquéritos telefónicos. Sei que quem está do outro lado necessita das respostas, e delas depende, muitas vezes, o seu vencimento. Já não há inquéritos que me surpreendam, pensava eu. Lembro-me de me ter recusado a responder apenas uma vez, quando me começaram a repetir as perguntas:
- Já me perguntou isso.
- Sim, eu sei, estamos a verificar a validade das suas respostas.
- Se está a duvidar do que lhe disse, o inquérito fica por aqui. Boa noite.
Isto era o mais estranho que me tinha acontecido. Até hoje. Após um extenso inquérito sobre o que pensava e valorava na EDP, o entrevistador começa a fazer-me perguntas pessoais:
- Quantas pessoas habitam no seu agregado?
- Três.
- Considera-se uma pessoa triste ou alegre?
- Depende. Alegre, normalmente.
- É de temperamento calmo ou nervoso?
- Como??!!
- O Sr. desculpe, mas estas perguntas fazem parte do questionário.
- Ó meu caro, a EDP não têm nada a ver com a minha personalidade, se sou triste ou alegre, rico ou pobre, magro ou gordo. Temos um contrato. A EDP fornece-me energia eléctrica e eu pago. A minha vida pessoal e a minha personalidade não são do interesse da EDP e recuso-me a responder a tamanho disparate.

 

Soltei uma sonora gargalhada e o meu interlocutor também não consegui deixar de se rir. O mentecapto que elaborou este inquérito devia ser despedido. Deve estar, no entanto, a ganhar uma pipa de massa para criar estas cretinices. Provavelmente virá descriminado na próxima factura. Apoio psicológico e avalição de clientes: 10 €.

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EDP-1 Portugueses-0

por Fernando Lopes, 13 Mar 12

A demissão do Secretário de Estado da Energia é sintomática da atitude do governo. Espremer os portugueses até à última gota de sangue, sem mexer com os interesses das grandes empresas. Não sou contra as grandes companhias, importantes num estado moderno. O problema são os monopólios, e a EDP têm o mais obsceno de todos. Cada vez mais a nossa dependência da energia aumenta. Máquinas de lavar, de secar, robots de cozinha, equipamentos informáticos, tudo se alimenta a energia eléctrica. Do mais pobre ao mais rico, todos somos clientes da eléctrica nacional, quanto mais não seja para nos alumiarmos. Esta situação coloca os portugueses dependentes de uma rede e de um fornecedor quase a 100%. O estado que é padrasto e não pai, encontrou na EDP uma espécie de cobrador do fraque a que não se pode fugir. Daí que na factura tudo seja cobrado, inclusive electricidade. Este favor que a EDP faz ao estado tem contrapartidas, rendas garantidas. Eu também me envolvia num negócio em que a minha margem de lucro fosse garantida. É assim com a EDP e com as PPPs. Neste inverno a EDP foi co-responsável na morte de dezenas ou centenas de idosos durante a última vaga de frio. Porque o simples facto de aquecer uma casa se tornou um luxo neste país de merda. O Secretário de Estado, num mundo complexo de cálculos de produção de energia, de subsidiação das eólicas e de rentabilidades garantidas, seguindo o memorando da troika, quis renegociar essas rendas, consideradas excessivas. Foi abatido como um tordo. Por motivos pessoais. E, não tenham dúvidas, sempre que algum governante for suficientemente sério ou lunático para lutar contra os grandes interesses económicos, cairá.

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