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Danos colaterais.

por Fernando Lopes, 22 Mar 15

Existe muita conversa sobre os jovens que emigraram, o potencial de renovação perdido, o investimento português em formação de que outros países irão usufruir. Ver a juventude sair para não mais voltar é um drama pessoal e nacional que entendo bem. Tenho amigos que se espalharam pela Inglaterra, Holanda, Angola, Estados Unidos, até Austrália.

 

Mas e os que ficaram? Os que são simultaneamente demasiado velhos para partir, novos para se reformarem? Os que simplesmente já viviam de modo tão precário que nem dinheiro para tentar a aventura tinham? Ocorre-se-me esta prosa porque ontem encontrei uma colega de liceu. Perto dos 50, sem qualificações especiais, encontra-se desempregada há três anos, está no fim do subsídio de desemprego. Foi-lhe detectada uma doença reumática que não lhe dá invalidez e ao mesmo tempo a impede de trabalhar. Que futuro?

 

Há um vazio de preocupação social com a geração entre os 45 e 55 que se vê na situação de desemprego. Foram alvo de despedimentos colectivos, empresas mal geridas que faliram, da concorrência desenfreada que se estabeleceu no mercado de trabalho em que «young is beautiful», dos estágios profissionalizantes pagos pelo governo que basicamente servem para ter os mais novos a trabalhar por tuta e meia enquanto mostram aos trabalhadores mais velhos que há quem faça por menos.

 

Milhares de pessoas de meia-idade estão nesta situação. Regressam envergonhados a casa dos pais já idosos, caminham encostados às paredes, uma invisibilidade feita de vergonha. Esta crise transformou muitas destas pessoas num problema social que ninguém vê e de que não se fala. Socialmente ignorados, uma inexistência para as preocupações e programas governamentais, são apenas danos colaterais de uma crise que por muito que anunciem a luz ao fundo do túnel, parece não ter fim. Quem cuida, quem se preocupa com eles?

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O fatinho do ajustamento.

por Fernando Lopes, 28 Jan 15

Hoje, enquanto fazia o nó da gravata e vestia o casaco, olhei para a roupinha. É a imagem do proprietário, coçadito mas ainda digno. Tempos houve em que comprava fatos de qualidade média e gastava 300 euros sem entusiasmo ou sofrimento. Uma farda e ponto.

 

No cabide está um casaco de penas da Timberland, velho de 10 anos, que era relativamente caro. Hoje não teria dinheiro para o comprar. De facto não sou aumentado desde 2005, os impostos subiram, tive até uma redução de vencimento. Não me posso queixar, tenho um padrão de vida muito superior à maioria dos portugueses, mas longe vão os tempos em que não tinha de fazer muitas contas.

 

Apeteceu-me mandar um mail à gorda da Merkel, e explicar-lhe que como eu, milhares de portugueses iniciaram o «ajustamento» há 10 anos. Hoje não posso gastar o mesmo dinheiro, estou limitado à Zara ou ao C&A, e viva o velho. Fuck You, Mrs. Merkel, I’m adjusting since 2005.

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Não pagamos!

por Fernando Lopes, 18 Jan 13

 

O título do post é uma provocação, pois não sei se a mensagem é verdadeira. Parece um genuíno desabafo, afixado nos cinzeiros, junto ao Shopping Cidade do Porto. Para quem não conhece a cidade, o Convívio é um café-restaurante-cervejaria-marisqueira tradicional, na Boavista. É um estabelecimento de gama média, média-alta, especializado em cozinha tradicional portuguesa. Se nem os estabelecimentos prestigiados sobrevivem, o que irá acontecer aos outros? 

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Roubar uma churrasqueira.

por Fernando Lopes, 12 Jan 13

Em tempos idos, os ladrões preferiam ourivesarias ou bancos. Agora roubam-se garrafas de sumo e pacotes de batatas fritas enquanto uma criança de dois anos espera no carro, motor a trabalhar, pronta para a fuga. Se não forem condenados pelo tribunal, a ASAE ou o Ministério da Saúde não deixarão de os castigar exemplarmente pelo consumo de junk food. Aguardo a idignação dos blogues de direita contra estes perigosos criminosos, uma Al-Qaeda do frango de churrasco que inicia bebés no mundo do crime.

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Prognósticos para 2013.

por Fernando Lopes, 11 Dez 12

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100 a 200 mil, disse ele.

por Fernando Lopes, 22 Nov 12

A escola Camilo Lourenço encontrou novo discípulo. O administrador-delegado da Siemens Portugal (who else) afirmou que "É preciso diminuir 100 a 200 mil funcionários públicos. Como sempre, A UE paga. Ainda há muito País a destruir, muito salário a diminuir até sermos a China da Europa.

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Depois de um almoço de rojões e um branco do Douro, isto é, de barriga cheia e ligeiramente alegre é quando tenho as melhores ideias. Fazia a deslocação entre a mesa e o sofá, após a leitura do jornal dominical, quando me surgiu esta brilhante solução: porque é que não propomos à Eng.ª Merkel (sim, não sei porque é que os merdosos são todos Drs. e Merkel é tratada simplesmente por senhora) uma espécie de cartão Continente para a dívida?

 

A proposta é simples: a dívida é impagável, para 2013 só em juros serão dispendidos 7.2 mil milhões de euros, qualquer coisa como 4,3% do PIB. A solução é fácil e estou certo que perante os forretas dos nossos credores seria um sucesso.

 

Pagávamos os 7.2 mil milhões e eles faziam-nos um desconto como qualquer merceeiro que se preza (e não me digam que ela não parece uma merceeira), dando o crédito de 5 milhões mais uns trocos em cartão. Na próxima vez que fossemos aos mercados já estava lá esse crédito, pedíamos poucochinho e assim iríamos sobrevivendo. Com jeitinho ainda sobravam uns trocos para umas PPPs.

 

Dir-me-ão "que analogia idiota". Pode até ser, mas não foi João Duque, presidente do ISEG, que se saiu com a brilhante imagem do "o filme ou as pipocas"? Tenho fé nesta minha ideia e esperança em revolucionar o mercado mundial da dívida. O céu é o limite, posso até vir a ser nomeado João Duque II.

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O Romney de Massamá

por Fernando Lopes, 8 Set 12

Passos Coelho e Vítor Gaspar nunca esconderam o encantamento quase religioso com o liberalismo à americana. Hoje, entre medidas vagas e não concretizadas de tributação ao capital , atacou-se quem estava mais à mão: os trabalhadores por conta de outrem. Dando um pontapé em 50 anos de tentativa de equilíbrio fiscal entre patronato e trabalhadores, sofrem os do costume. O Romney americano é podre de rico, casado com uma senhora vistosa de discurso fluente. O nosso representante do Tea Party vive em Massamá e desposou uma fisioterapeuta de anca larga que padece de mutismo. Cada um tem aquilo que merece.

 

P.S. - Quem quiser ler algo mais que cinismos inconsequentes, tem este magnífico post de Luís Menezes Leitão.

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tenho medo de poder vir a ter medo

por Fernando Lopes, 7 Set 12

Numa entrevista à RTP, o filósofo José Gil desenvolve uma interessante análise ao momento actual da sociedade portuguesa. Com uma classe média a caminho da proletarização, a frase chave é "tenho medo de poder vir a ter medo". Enquanto noutras latitudes as preocupações se centram em doenças ou catástrofes naturais, nos países do sul as angústias maiores são a crise e o desemprego. O medo é amigo dos "mercados", da "flexibilização laboral”, do "estado social mínimo". Faz com que o recente despedimento de milhares de professores não passe de um fait divers, olhado com indiferença por outras classes socioprofissionais. Cria cidadãos angustiados, subservientes, dispostos a tudo para alimentar os seus. Como José Gil, tenho medo deste medo que lenta mas inexoravelmente se apodera de mim. E dos outros.

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Visto por aí ...

por Fernando Lopes, 1 Set 12

Tavira, Crise, saldos

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  • Anónimo

    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

  • Anónimo

    Que será feito do gerente desta coisa?Filipe em es...

  • Henedina

    Bom ano Fernando. Beijinho

  • Alice Alfazema

    Olá Fernando!Passei para te desejar um Feliz Natal...

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