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Dia 5 – Estrada Fora.

por Fernando Lopes, 15 Jul 15

estrada fora.jpgA bordo da pick-up vermelha

 

Longe de mim dar uma de Kerouac, até porque a ilha apenas tem uma estrada alcatroada. Existem mais duas ou três de paralelos em bastante mau estado, mas para conhecer os locais emblemáticos é necessário andar sobretudo por caminhos em terra batida e alguns troços nem o epíteto de caminhos merecem, são apenas sulcos da passagem diária de veículos todo-terreno. O único meio de se deslocar é em veículos 4x4. Aqui, como no Sal, são usadas sobretudo pick-ups, com a caixa aberta transformada com duas filas de bancos frente-a-frente. Os mais aventureiros têm a possibilidade de andar de moto 4, e aviso já que alguns percursos têm dificuldade elevada para principiantes.

 

 

 

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artesao.jpgArtesão senegalês 

 

Decidimos evitar as excursões organizadas onde toda a gente vai ver tudo ao mesmo tempo e visitar Sal Rei e o resto da ilha por nossa conta e risco. Para isso contratamos os serviços do Zé Silva, um jovem taxista casado com uma das empregadas do hotel. Por vinte euros vamos cinco pessoas até à capital da ilha, com a gestão do tempo e do que nos interessa ver.

 

Os censos de 2004 indicam uma população de 2.122 habitantes. Com a chegada do turismo vieram também os emigrantes senegaleses, que os cabo-verdianos consideram vendedores chatos e que produzem artesanato que não é genuíno. Quanto ao ponto dois estão cheios de razão, mas as suspeitas quanto à seriedade dos mesmos ficaram grandemente aplacadas pelo episódio pitoresco que conto de seguida.

 

 

 

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Dia 1- Chegada à ilha ocre.

por Fernando Lopes, 12 Jul 15

aviao.jpgAsa do velho A320 a iniciar a descida para a Boa Vista.

 

Feitas umas rápidas contas, chego à conclusão que mesmo não sendo o que pomposamente se designa por frequent flyer, já passei mais de duzentas horas da minha existência no ar. Poderia tal facto dar-me alguma descontracção relativamente ao acto de voar. Nada mais errado, tenho um medo quase irracional de me deslocar de avião, simplesmente, como em muitas coisas na vida, tento que o medo não me governe.

 

Escusado será dizer que me sinto mais seguro em aeroplanos novinhos em folha. Tal não aconteceu, e embarquei num A320-200 velhinho de trinta anos. Para aumentar a confiança, vejo umas palavras escritas numa mistura de caracteres latinos e cirílico que deduzo, e venho a confirmar mais tarde, pertencerem a um aparelho lituano.

 

Entretenimento a bordo é uma inexistência, nem sequer um daqueles monitores patetas que indicam o que sobrevoamos, velocidade e tempo estimado até à chegada. Surpreendentemente, dada a vetustez do aparelho, a viagem é de uma tranquilidade absoluta, sem sinal que se preze da famigerada turbulência.

 

Vista do ar, a Boa Vista é exactamente aquilo que imaginei e virei mais tarde a confirmar, um anacrónico pedaço de deserto, como que desprendido do Sahel, posto ali a flutuar, uns diriam por capricho da natureza, penso eu que por vontade dos deuses.

 

 

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Feedback

  • Anónimo

    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

  • Anónimo

    Que será feito do gerente desta coisa?Filipe em es...

  • Henedina

    Bom ano Fernando. Beijinho

  • Alice Alfazema

    Olá Fernando!Passei para te desejar um Feliz Natal...