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Je suis Charlie.

por Fernando Lopes, 16 Jan 16

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De acordo com o «Expresso», o cartoon acima provocou a ira nas redes sociais. Tal significa que a sátira, o espírito que lhe presidiu de «nada é sagrado», permanece. Tive uma breve conversa sobre o tema com o meu amigo Carlos na sua mais recente visita a esta latrina à beira mar plantada.

 

Entendo que haja quem se sinta chocado com humor envolvendo uma vítima inocente como Aylan. Sempre precedido do adjectivo «pequeno» para dar mais ênfase ao drama. Recordo o editorial do «Público», o choque, «porque aquela criança parecia uma das nossas» sic. Sei que não é esse o ponto do Carlos, genuinamente uma boa alma que reage epidermicamente à injustiça.

 

Tenho no entanto uma perspectiva diferente, ri-me com o desenho, acho que tudo é passível de ser satirizado, principalmente a morte na sua crueza e injustiça. Dir-me-ão que não é ético, mas também fico cheio de dúvidas sobre onde começa a ética e se inicia a censura mental do politicamente correcto.

 

Serei um tipo estranho, sem limites morais, carregado de um humor de gosto duvidoso. Isso também é ser Charlie.

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Pelo direito à blasfémia.

por Fernando Lopes, 18 Jan 15

pope.jpgImagem: Cristina "Krydy" Guggeri

 

Todas as religiões são intolerantes em relação a quem não acredite na sua verdade. Ponto. Todas têm como objectivo converter; é essa a sua natureza, o que assegura a sua sobrevivência enquanto comunidade, o rendimento para manter a sua estrutura hierárquica e de fiéis. Sem dinheirinho não há templos, padre, imã, sacerdote, rabino, monge. Todas dão uma solução para o único problema insolúvel, a morte. Seja através do céu, virgens, reencarnação, prometem alguma forma de prolongamento da nossa precária existência.

 

Depois há os outros, os ateus, que acreditam que são um acaso da natureza e que um dia esse acaso termina. Inexoravelmente. Definitivamente. Para toda a eternidade, seja lá ela o que for.

 

É por isso que o caso do Charlie Hebdo gera tantos «ai não sei», «não sou Charlie», «há coisas com que não se brinca». É por isso que fugiu o pé para a intolerância ao bom do Papa Francisco, com o pensamento lapidar «Se o meu bom amigo Dr. Gasparri ofender a minha mãe, deve preparar-se para levar um soco. É normal, é normal. Não se pode provocar.»

 

Numa sociedade livre e civilizada, excepto a vida, nada é sagrado. Como nós ateus não estamos à porta da igreja a bater nos fiéis, impedindo-os de entrar, qualquer crente de qualquer religião, pode não gostar, mas tem de aceitar o direito à blasfémia. Sem agredir quem seja cáustico com as suas crenças. É essa capacidade de tolerar, até defender o que não gostamos, que é defesa da liberdade. Que deveria ser a suprema mostra de fé de todos os crentes de todas as religiões. Aceitar, mesmo o que lhes é estranho ou hostil. Tudo o resto são meias-tintas.

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A coragem tem de ser mais forte que o ódio.

por Fernando Lopes, 9 Jan 15

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Quando o tema é alvo de cacofonia, tendo a calar-me. Não tenho nenhuma abordagem original sobre o fundamentalismo islâmico. Não li – e será lapso meu certamente – nenhuma referência à cobardia generalizada dos atentados em Paris por parte de líderes muçulmanos, antes um mutismo cúmplice. Por tacticismo ou simples medo, um silêncio paira sobre eles. Em boa verdade execpto o Imã de Lisboa, não li ou vi declarações firmes contra os fundamentalistas muçulmanos vindas de dentro da comunidade. Estou certo que muitos deles conhecem núcleos duros, que devidamente arregimentados são um perigo para a sociedade em geral e para a seu credo em particular. A luta contra o fundamentalismo feita de fora da comunidade será sempre mais fraca, menos capaz, que a denúncia, conhecimento e controle executado por quem a ela pertence.

 

A luta contra os radicais terá de ser feita essencialmente a partir de dentro, denunciando e exercendo apertada vigilância sobre os suspeitos. Sem esta capacidade da comunidade islâmica muito pouco poderá será feito

 

Se não forem capazes de distinguir o trigo do joio e separá-lo como excrescência que são, estão a adubar o lodo anti-islâmico em que a extrema-direita e as mentes simples se movem. Porque a coragem – também a vossa – tem de ser mais forte que o ódio.

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Pela defesa da iconoclastia

por Fernando Lopes, 19 Set 12

 

Num tempo em que, contrariando a minha ingenuidade optimista, a primavera árabe se transformou num inverno obscurantista e os sionistas persistem na reedição das cruzadas em versão bombas de fósforo, há que saudar a iconoclastia.

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Feedback

  • Anónimo

    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

  • Anónimo

    Que será feito do gerente desta coisa?Filipe em es...

  • Henedina

    Bom ano Fernando. Beijinho

  • Alice Alfazema

    Olá Fernando!Passei para te desejar um Feliz Natal...