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Pedro, isto é uma carta de amor.

por Fernando Lopes, 15 Set 12

Pedro,

 

Desde que iniciaste o estilo espistolar no facebook, tens recebido inúmeras respostas. Esta é mais uma, no estilo confessional que tanto aprecias. Dirigo-me a ti como trabalhador, cidadão e pai. O que te quero dizer é que estamos com imensas dificuldades em compreender as tuas medidas e obstinação. O uso do plural não é dispiciendo uma vez que milhares de pessoas com a mesma dificuldade de aprendizagem se juntaram hoje por todo o país.

 

Como deverias saber, um país não se governa para concretizar modelos académicos, mas, como disse Abraham Lincoln no discurso de Gettysburg "…do povo, pelo povo, para o povo."

 

Contrariando tudo o que tinhas prometido na campanha eleitoral (não é preciso lembrar, pois não?), não cortaste na gordura do estado mas na febra dos portugueses. Eu entendi, a gordura somos nós, o povo que te impede de, com a ajuda do camarada Borges, transformar Portugal no Vietname da Europa sem um pingo de contestação. Deixa-me só dizer isto: Não resulta. Haverá sempre quem faça mais barato.

 

Venho, por isso, pedir que te demitas. Certamente que na Goldman Sachs, BCE ou FMI, te encontrarão um lugar de prestígio, um cadeira de executivo e uma secretária de mogno. Pagar-te-ão muito mais do que a ninharia que aqui recebes e não ouvirás dizer mal da senhora tua mãe.

 

Proponho que leves contigo o camarada Gaspar. Para o aliciares, basta explicar-lhe que lá têm a última versão do Excel, com macros, pivot tables e um módulo de gráficos que é uma pinta. Nesse mundo virtual tudo funciona na perfeição, se aparecer #Error, pode-se sempre apagar a célula. Ela nunca contesta.

 

Certo de que me lerás com toda a atenção, despeço-me com um sentido "até nunca".

 

Sou quem sabes,

 

Fernando Lopes

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