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25 de Abril, o «gourmet» e o popular.

por Fernando Lopes, 27 Abr 14

Saí de casa na sexta 25, logo pela manhã, e por força das circunstâncias e vontade própria desliguei-me das notícias, não o suficiente para não ter tomado conhecimento que existiram duas celebrações da data em simultâneo: uma institucional, na AR, com a tropa fandanga do costume, reformados precocemente por serviços prestados à nação, os ex-jotas que agora são líderes, advogados que redigem contratos de PPPs e nas horas vagas são deputados da nação, antifascistas que acham que a Coreia do Norte é uma democracia, trotskistas com pedigree familiar e por aí fora. Ao que ouvi no Largo do Carmo a Associação 25 de Abril promoveu assim uma coisa mais popularucha, com capitães, vetustos ex-líderes de partidos e aquela «gentinha» que cheira mal dos sovacos, tem dentes estragados e passa fome, mas que obedientemente de 4 em 4 anos elege o seu alter-ego para tomar decisões. Os legítimos representantes do povo, dizem. Quem nada leu e pouco viu fica com a sensação que houve duas cerimónias; a dos eleitos e a dos eleitores. A coisa é um bocado ridícula, assim como se o 25 de Abril se dividisse nas comemorações de governantes e governados, o que é um bocado estranho quando se assegura que «a legitimidade do poder emana do povo», esse mesmo povo que não pode assistir às cerimónias. Faz-me lembrar a gente bem que dá 5 € para a sopa dos pobres enquanto goza uma refeição requintada no Eleven. Que são 5€ para uma lavagem completa de consciência? Agora podemos eleger os políticos, até a espaços chamar-lhes nomes, mas, bem vistas as coisas, não mudou assim nada de substancial, pois não? 

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O problema é nosso.

por Fernando Lopes, 10 Abr 14

Cartoon de Henrique Monteiro - Sugestão do Abominável Careca

 

A Associação 25 de Abril pode ser um anacronismo, um quinhão da glória passada de uma revolução que o não foi. O fascismo à portuguesa não foi apenas derrubado por capitães, implodiu de pútrido, os militares não foram muito além de peões manobrados por superiores interesses corporativos e económicos. E no entanto, em grande parte devo-lhes o simples facto de poder escrever o que me apetece, sem outro medo que não o do auto julgamento. Devo-lhes uma utopia, um sistema nacional de saúde, pensões de reforma para todos, a massificação do ensino público. Foi o seu acto ingénuo que permitiu estas pequenas revoluções.

 

Antes do 25 de Abril e da acção desta meia-dúzia de jovens, Portugal era um país pior, porque mais pobre, mais analfabeto, mais amedrontado. Assunção Esteves atribui à Assembleia da República uma importância que não tem. Ainda que PS, PCP e BE mantenham um silêncio cúmplice, sabem que não representam nada excepto os interesses dos partidos que representam. Os cultos chamam a isto «crise de representatividade».

 

Aos homens da associação, a Vasco Lourenço como sua face visível, devia ser permitido o uso da palavra. Os analfabetos que hoje papagueiam cartilhas, da esquerda à direita, têm essa obrigação cívica. O parlamento, ao contrário do que pensam os deputados, não é do corporativo nalguedo que ocupa lugar na Assembleia. É do povo, ou deveria ser, entre o qual se incluem os militares sobrevivos daquela quinta-feira de Abril de 74. Inibi-los do direito da palavra é um modo não muito subtil de nos mandar calar a todos. 

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Estória do pré 25 de Abril.

por Fernando Lopes, 24 Abr 13

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pai, por afazeres profissionais, passava a vida entre o Porto e Londres. Como secretário da Câmara do Comércio Luso-Britânica acompanhava e intermediava missões comerciais entre a ilha e o continente. Era um apaixonado por livros e pintura. As suas horas vagas eram passadas no escritório entre livros, máquina de escrever e pincéis. Numa das suas viagens a Londres comprou um livro em inglês sobre a pintura russa no séc. XX.

 

Era um homem de esquerda, não alinhado, e adivinho que a aquisição se deveu mais ao interesse em arte que em política. No entanto, o simples facto de trazer um livro sobre pintores russos foi o suficiente para ficar detido no aeroporto e uma breve passagem pela PIDE.

 

Serve este episódio menor apenas para recordar o quão estúpido era o regime a que alguns ousam tecer póstumos elogios. Se algum palhaço me disser que era preciso outro Salazar, palavra de honra que lhe prego dois tabefes. 

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Imagem 1, 2 e 3 minhas. Imagem 4 do blogue Es.Col.A

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Liberdade de expressão

por Fernando Lopes, 19 Abr 12

[Imagem]

 

A propósito da capa da Visão, dos autocolantes, e deste post do Miguel Carvalho. Imaginem quem me apetece mandar ... BARDAMERDA.

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