Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Seguro no seu labirinto.

por Fernando Lopes, 17 Fev 14

Já entendi que Portugal vai ter uma “saída limpa”. Limpa é como quem diz, “o Tribunal Constitucional Alemão considerou que a compra ilimitada de obrigações pelo BCE excede o mandato concedido pelos tratados europeus”. Na prática, a saída sem rede não é uma opção do governo de Portugal, mas uma – mais uma – imposição do plenipotenciário Tribunal Alemão. Passos financia-se hoje para uma política eleitoralista em 2015. Seguro, preso na sua própria armadilha quando desejou a “saída limpa” pouco poderá fazer além de emitir as habituais inconsequências. Vamos ser deixados à nossa sorte, sem que ninguém possa tentar adivinhar o que irão fazer os “mercados”. À mínima cólica dos famosos “mercados” estaremos outra vez – diria permaneceremos – sujeitos a juros que roçam a usura. E ninguém, à excepção do PCP, fala com seriedade na hipótese de sairmos do euro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

6 comentários

De Jorge Castro Pereira a 17.02.2014 às 23:36

Não me parece que a questão, nesta altura do "campeonato", deva ser colocada nesses termos. Podemos sempre dizer que não estávamos preparados quando entrámos no euro; que as contas foram "faralhadas" para podermos entrar; que houve outros interesses, uns maiores, outros menores, ou mesmo que houve uma captura (esta expressão está na moda - mas tem muito de verdadeira), das instituições políticas pelos interesses financeiros.
Invertamos a questão ou, pelo menos, voltemos a colocar a questão inicial: faz sentido, neste contexto histórico, a existência de uma Europa que tenda à integração, nas suas múltiplas identidades e dimensões?
Eu tenho para mim que sim. E é com base nesta premissa que me parece ser fundamental (re)afirmar, isso sim, a necessidade de retomarmos a defesa de um ideal de comunhão de valores (que hoje muitas vezes nos parecem naturais e universais, mas não são), de práticas e de vontades.
Hoje as dimensões territoriais, sociais, económicas, financeiras, "sensoriais", etc. e até afectivas são, intra-Europa, diferentes das existentes no passado do início na segunda metade do séc. XX (o caminho percorrido foi imenso). Não seria sensato ignorar, mas o sentido parece ser esse, este capital de integração; da mesma forma que não me parece razoável afastar Trás-os-Montes do território português, apenas e só, porque é uma zona "deprimida do território".
Sintetizando: a "Europa" está cheia de defeitos, de desvios e pior: está com uma orientação suicidária enquanto tal. É verdade. Não me parece, contudo, que a melhor solução seja "deitar fora o menino com a água do banho". Talvez um pouco ingenuamente, espero que tenhamos espaço e que sejamos capazes de discutir e tomar decisões (sem termos de ser "meninos bem comportados") de, não apenas (re)problematizar a Europa, como de voltar a pensá-la duma forma não "unidimensional".

Um abraço flopes.

De Fernando Lopes a 18.02.2014 às 00:05

O euro não é um menino, é um «aleijão», nasceu torto e as possibilidades de nos servir são cada vez mais remotas. Tenho para mim que não há uma Europa, mas várias, e que em tempos de dificuldade se aplica uma teoria darwinista; a sobrevivência dos mais aptos. A Europa é uma inexistência, porque não é unificada pela mais plural das permissas; a língua. Não me recordo de alguma grande confederação onde os falantes e escreventes não partilhem de um idioma «unificador», excepção feita à velha senhora. Uma união deve ser de falantes, social e económica. Deve ter políticas únicas e não competir entre si, como fazemos. O que a UE nos «deu» não foi desinteressadamente, promoveu os seus interesses como a PAC e a política de pescas; fez agonizar o nosso têxtil em favor da Ásia, as suas multinacionais deslocalizaram-se e mataram as indústrias de diversos países. É a globalização? Talvez, mas apenas um bloco com interesses e motivações comuns pode vencer essa luta e não creio que isso aconteça. Como a história já provou, é mais fácil cultivar os nacionalismos que uma ideia comum. E esta, como bem sabes, tende a repetir-se.
Não sou anti-europeu, nem sequer tenho uma opinião estruturada sobre isso, sei bem que esta Europa não serve.

De golimix a 18.02.2014 às 19:33

Como eu gostava da utopia de um povo unido, cultura diversificada e amplamente aceite, bem como respeitada, com forte economia mas sem que essa se sobrepusesse ao indivíduo. Mas, tal como termos políticos sem interesses sórdidos por detrás do pano, também me parece cada vez mais impossível esse sonho Europeu...

De Fernando Lopes a 18.02.2014 às 21:36

Parece-me mais uma quimera que um sonho realizável. Mas que sei eu, sou um velho cínico.

De Manel a 18.02.2014 às 22:19

De repente resolvi visitar este sítio... Já passou, o quê, um ano?
Eu que julgava que o Sócrates era o patamar mais baixo...

Tinha muito que ver, e claro que ainda virá muita mais irrealidade...

Bjts da mãe da Cecília ;-)

De Fernando Lopes a 18.02.2014 às 22:42

Na política como na vida, quando se pensa que se atingiu o fundo, descobre-se que há sempre mais por onde descer.

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback