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Romântico pragmático.

por Fernando Lopes, 19 Nov 15

Desde tempos imemoriais que faço de conselheiro sentimental. Nunca entendi o porquê, eu, com um curto historial de paixões, intensas e duradouras é certo, mas sem nada que mereça um átomo de interesse alheio.

 

Talvez uma das razões se prenda com o facto de amiúde me relacionar com gente mais nova. Nunca fui paternalista, talvez isso tranquilize os meus jovens amigos. Amo amar, mas também com desprendimento sou capaz de deixar que o outro voe livre, sem amarras ou convenções.

A felicidade escreve-se sempre a quatro mãos, só precisamos encontrar as duas que nos faltam para escrever a mais bela e simples forma de poesia, o amor.

 

Contava-me esse meu amigo, que por erros seus e má fortuna, se encontra afastado da mulher que ama. Tem ela outra relação que me parece tão sólida como ovo à beira do abismo. Manifestava alguma preocupação, até ligeira obsessão com o que seria o seu futuro e o da por ora inalcançável amada. Brindei-o com filosofia de algibeira que ouvi num filme: «Nunca corras atrás de mulheres ou autocarros, de uma maneira ou outra acabas sempre por ficar para trás».

 

É uma verdade crua, mas quase incontestável. A insistência não é coisa que as mulheres apreciem, têm o seu tempo e os seus mecanismos de decisão próprios, algo que nunca entenderemos. Têm também o sumo poder de dizer sim ou não, e com isso transformar a nossa existência em paraíso ou inferno. Dado esse – e outros – mistérios, é sempre melhor deixar a mulher ser o motor de arranque de uma relação. Disse.

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13 comentários

De Fatia Mor a 19.11.2015 às 21:19

Não sei se é de pertencer a outra geração (parece-me que distamos de alguns anos) ou se será incapacidade minha para fazer uso desse poder mas nunca senti o que descreve nestas linhas:
"Têm também o sumo poder de dizer sim ou não, e com isso transformar a nossa existência em paraíso ou inferno."


Acho que isso vai de parte a parte, dependendo do lado que o elo esteja mais fraco. Comigo, por vezes o poder do sim/não esteve do outro lado da barricada... 


O problema aqui estará mesmo nos erros e na má fortuna que talvez tenha inviabilizado dias mais felizes. É que os erros só podem ser desculpados até certa medida. Aí, nem o poder do sim e do não nos vale!

De Fernando Lopes a 19.11.2015 às 21:44

Não esqueça que isto é um ponto de vista masculino. Todos já estivemos nas mãos do outro, penso no entanto que a persuasão funciona melhor no feminino, isto é, as mulheres são mais focadas. É mais fácil uma mulher fazer um homem apaixonar-se por ela que o inverso. Digo eu ...

De Fatia Mor a 19.11.2015 às 21:56

Sim, concordo em absoluto que é um ponto de vista masculino. 
Ainda assim não acho que vivamos numa época de femme fatale. E pelo contrário, acho as mulheres tão baralhadas nesta coisa do amor, quanto os homens. Não sei, talvez seja a visão feminina da coisa a falar, mas nestes temas da paixão sou um pouco céptica em relação do domínio de um sexo sobre o outro. 

De Corvo a 19.11.2015 às 22:40

Vou comentar o seu post, com a devida permissão para responder à Senhora Fatia, Senhora da minha profunda estima e simpatia.
A grande Causa, para mim a única, do afundar de uma relação sentimental entre um homem e uma mulher, não está no que a mulher pensa nem no que o homem espera, ou vice-versa.
Está nas palavras que se disseram e naquelas que ficaram por dizer.
Ao seu post, concretamente. No meu tempo eram as cartas de amor.
As minhas, que não para mim porque de meu interesse nunca escrevi nenhuma, mas para os outros proporcionaram cinco casamentos.

De Fernando Lopes a 20.11.2015 às 19:10

As palavras são importantes, há uma série de pequenos nadas que contribuem para a saúde de uma relação. Já que as suas palavras conduziram a cinco casamentos, pode considera-se uma espécie de Cupido, só que em vez de setas atirava cartas.

De Corvo a 20.11.2015 às 22:53

cinco que poderiam ser bastantes mais não fosse o procedimento futuro do interessado apaixonado, em nada corresponder às palavras do enviador da romântica missiva.
É verdade, caro Fernando. Na minha vida já fiz tudo. Já matei alguns e já casei outros.
:)
Um excelente fim-de-semana.

De henedina a 20.11.2015 às 05:50

Não correr atrás é para os 2 lados. Se uma mulher quiser que um homem fique louquinho não lhe liga, ou melhor liga um pouco e depois não liga. Infelizmente, não resulta comigo, não tenho coragem de fazer jogos. Sou muito interessante qdo não gosto mas quando gosto, porque não saber se o outro gosta me causa um enorme sofrimento e não o quero fazer passar por isso, tento dar toda a segurança em palavras e isso se o homem for arrogante e imaturo será um erro fatal, se não for passar-se-a bem. Há que escolher um com experiencia...e muita paciencia, no meu caso. 
Como eu dizia a um amigo há pouco tempo desculpa por achar que és o principe perfeito quando és republicano e homem...não sei se me acompanha o racionio e o insulto. Ehehehe

De henedina a 20.11.2015 às 05:51

raciocinio

De Fernando Lopes a 20.11.2015 às 19:16

O seu raciocínio tem a tal complexidade feminina de que falava acima. Se bem entendi é mais amigável quando não tem interesse afectivo em alguém, certo? Se gosta, tenta dar segurança mesmo correndo o risco de apanhar uma desilusão, ou de estimular em demasiada a confiança do homem. Isso é tãaaaaao estranho que só podia ter vindo de uma mulher.

Image 

De Anónimo a 20.11.2015 às 14:25

Não poderia concordar nem discordar mais... Enfim, o costume.
Filipe coiso

De Fernando Lopes a 20.11.2015 às 19:20

Obrigado, Filipe. Tendo a pensar que o facto de ser amigos te torna menos crítico. Por favor não o faças. 


Enorme abraço.

De redonda a 24.11.2015 às 22:19

Cada vez mais penso é que não existem regras, a persistência pode resultar num caso e afastar noutro.
Achei muito interessante a ideia em cima do Corvo ter sido uma espécie de Cyrano de Bergerac .... só que não se terá apaixonado pelas senhoras a quem escrevia, e estas por seu turno não se terão apaixonado (espero) por quem escrevia as cartas mas por aqueles que as traziam...

De Fernando Lopes a 24.11.2015 às 22:29

Não sei, comigo a persistência não resultaria porque sou 90% de afecto, pele, toque, e 10% de racionalidade. A minha história é bem mais prosaica, «roubei» a minha primeira namorada a um amigo porque ao fim de 3 meses ele não atava nem desatava. Para ser sincero, tinha-me apercebido que ela também não desenvolvia à espera que eu me declarasse. ;)

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