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Quando as palavras são violência.

por Fernando Lopes, 15 Dez 14

Não sei bem a razão, mas a maioria das pessoas tendem a esquecer-se do mundo que as rodeia quando estão ao telemóvel. Algumas vão levantando a voz conforme a distância a que se encontra o interlocutor ou o grau de fúria que se apodera delas.

 

A violência doméstica existe, maioritariamente perpetrada por homens, que maltratam, agridem e matam as companheiras.  É o tipo de violência que faz as parangonas dos tabloides, que gera indignações da esquerda à direita, campanhas de condenação. Longe de mim defender agressões ou agressores, só que o ónus colocado constantemente sobre a figura masculina é apenas uma parte da floresta.

 

As mulheres agridem, e muito, sobretudo verbal e psicologicamente. Embora não existam danos físicos que façam capas sangrentas, muitas maltratam com requintes de malvadez os companheiros. Uma senhora, no café, bem à frente de todos, falava com enorme desprezo com o companheiro, destratava-o alto e bom som, humilhava-o pelo facto de estar desempregado. Era absolutamente impossível não ouvir aquele enxovalho público. Embora descontextualizado da vida daqueles dois, senti-me profundamente chocado. Se aquela mulher fala assim em público imagino como será em privado.

 

A violência não tem sexo, e se as palavras matassem, o homem do lado de lá do telefone certamente teria caído fulminado. As palavras também podem ser uma forma de violência.

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12 comentários

De soliplass a 16.12.2014 às 22:05

Seria estranho aliás que só os representantes de um das sexos maltratassem os do outro, como se não se partilhassem a mesma cultura e natureza humana. É apenas uma questão de usar as armas em que se acham (cada um dos sexos) mais destros. 


Num caso como no outro, reduzido ao essencial, é aberrante falta de educação. Que nenhum amor compensa; o viver amachucado. Mas felizmente que o mundo é largo e uma mochila se empacota em cinco minutos.

De Fernando Lopes a 16.12.2014 às 22:33

És um tipo peculiar, não só um espírito livre, mas que pratica essa liberdade. A muitos(as) falta essa ousadia, que te é tão natural, de deixar tudo para trás e recomeçar. 

De soliplass a 16.12.2014 às 23:31

No último (divórcio) entre a atitude que me indignou e a consumação foram três dias. E porque se intrometeu o fim-de-semana...
Somos casados, ou temos relações em simultâneo com muita coisa: com a civilização, com o auto-respeito, com a brisa da tarde e a côr das bétulas em Outubro, com o arco-íris, com o pêlo dos cães e gatos, com o primeiro verso do Endimiion do Keats «A thing of beauty is a joy forever», etc. Resumindo, o mundo é largo e nele cabem todos... 


Isto no fundo, radica na crença de que aturarmos demasiadas coisas aos outros, ou obedecermos-lhes em extremo é uma forma também de os degradarmos e ofendermos. De lhes darmos maus sinais. A criatura que referes no post é afinal uma coisa triste, degradada. Mais que o outro que recebe o telefonema... diria eu.

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