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Pai, apenas um ser humano.

por Fernando Lopes, 19 Mar 15

O pai morreu precisamente com a idade que tenho hoje, 52. Por circunstâncias diversas nunca tivemos uma relação amadurecida como deveríamos. Era um homem culto, pintava e escrevia poesia. Tinha imenso amor por todas as formas de arte, um bem que me transmitiu. Umas vezes deu-me força, outras disse-me enormes crueldades.

 

Naquela época as crianças eram muito menos consideradas que hoje. Os últimos a falar, a opinar, o protagonismo era escasso. Os mais novos estavam no fim da cadeia e os adultos faziam questão de nos recordar isso. Por ter sido único filho era uma pessoa autocentrada. Eu, eu e depois eu. Fez promessas de que se esqueceu e que estão arquivadas na minha memória para sempre. Era meu pai, e com o tempo habituei-me a recordá-lo de modo agridoce. Apesar de pai, era apenas um ser humano. O que te queria dizer pai, é que com todas as virtudes e defeitos, ainda hoje gosto de ti, ainda hoje me fazes falta.

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8 comentários

De Anónimo a 20.03.2015 às 10:07

Ainda hoje passados 15 anos, choro a morte do meu pai. Não que ele fosse um homem meigo com as filhas, pelo contrário era autoritário, frio e por vezes  com rasgos de maldade, mas mais como a forma como ele viveu e sobretudo  como morreu. Não posso dizer que me faça falta, mas gostava de ter tido uma relação diferente com ele. Porque será que nunca me abraçou ou disse que gostava de mim?
Bj MM

De Fernando Lopes a 20.03.2015 às 10:47

Acho que os pais naquele tempo eram mais austeros e encaravam o afecto como sinal de fraqueza ou desnecessário. Foi assim com quase todos nós. Estou certo que perdoaste.


Beijo 

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