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Pacotes de milhares de milhões de minutos.

por Fernando Lopes, 11 Mar 15

Os portugueses são conversadores por natureza. Homens e mulheres, de uma maneira geral falam que se desunham. Utilizam todavia  método diferente: enquanto os homens preferem conversar sentados a uma mesa, com comida e bebida pela frente, para as mulheres qualquer momento e circunstância é adequado a uma boa converseta.

 

O exemplo cá de casa é significativo. Enquanto cozinha, trabalha no portátil, cuida da filha ou organiza o lar, é capaz de passar horas ao telefone. Inclina a cabeça para o ombro esquerdo, prendendo o aparelho entre a face e a espádua, e aí vai ela. Torna-se imparável, naquela singular posição não há nada que a detenha. É preciso responder a um email? Feito. Mexe-se na Bimby? De caras. Carrega-se uma máquina de roupa? Tarefa de crianças.

 

Observo-as em todo o lado em posição semelhante, fazendo de tudo, das coisas simples às complexas, com a cara tombada e o telemóvel entalado. Um homem, mono-tarefa, não consegue ter tal desenvoltura, nem fazer conversa consequente. A pensar nas portuguesas, as operadoras móveis comercializaram tarifários que têm 7.000 minutos. Na prática significa 4,8 dias de conversação ininterrupta. Pensa o leitor que é inesgotável. Nada disso, já ouvi um ou dois lamentos relativamente ao plafond esgotado. A cunhada de uma colega, deslocando-se  a trabalho para Lisboa, conseguiu falar ininterruptamente durante os 300 kms de percurso com uma sobrinha, para «não se sentir sozinha». Abriu-se uma caixa de Pandora. Temo pelo momento em que levadas pela guerra comercial, as empresas ofereçam minutos ilimitados. Nunca mais se conseguirá conversar cá por casa…a não ser por telemóvel.

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12 comentários

De golimix a 11.03.2015 às 21:12

Eu fujo a regra, não gosto de falar ao telefone nem ao telemóvel durante muito tempo. Converso o essencial e desligo. Prefiro de longe a conversa "tête a tête"

De Fernando Lopes a 11.03.2015 às 21:58

Não sei se é uma coisa essencialmente de mulheres ou se sou eu que sou mais sensível à observação do que me encanta; o comportamento feminino.

De golimix a 12.03.2015 às 08:42

No gerak as mulheres são assim. Eu é que, nisso, sou a excepção.

De pimentaeouro a 13.03.2015 às 11:29

A praga está instalada, para ficar. Como o Fernando alinho na conserva à mesa com um com almoço ou com um cafezito.

De Fernando Lopes a 13.03.2015 às 19:00

E tempo, o interlocutor face a face, calma, essas coisas antiquadas de que tanto gostamos.

De A Colher a 18.03.2015 às 22:44

Eu gosto de falar ao telefone com algumas pessoas e poucas vezes, para falarmos muito. Por exemplo, estar uma hora à conversa com quem me interessa, uma vez por semana, satisfaz-me mais do que as conversas às mijinhas.


Tenho um tecto de 2.000 minutos - desconfio que se chegar aos quinhentos será um luxo. Isto não contando com os telefonemas da praxe para me inteirar do menú para o jantar.


Ah! Fernandinho, sabes quem sou, não sabes. (;

De Fernando Lopes a 18.03.2015 às 23:27

A única blogger que põe os smilies ao contrário. :)

De A Colher a 18.03.2015 às 23:29

Um poeta meu amigo dizia que as mulheres tinham problemas no motor de arranque. Eu, como sou sempre diferente, tenho problemas nas teclas do PC, daí que os meus sorrisos estejam sempre a olhar para outro lado. :D

De Fernando Lopes a 18.03.2015 às 23:31

Apanhei-te!
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De A Colher a 18.03.2015 às 23:33

Tinha de ser muito maluca para chegar aqui, vinda do azul, e chamar-te Fernandinho! eheheh

De Fernando Lopes a 18.03.2015 às 23:36

Vinda do azul é um estrangeirismo, ó rapariga. Vinda do nada, se faz favor ...
Não sei porquê esta conversa não faz lá muito sentido, tenho a tasca cheia de estrangeirismos. Perdoa! 

De A Colher a 18.03.2015 às 23:38

Eu sei que é mas lembra-me a minha professora de Teoria da Literatura e eu gosto de me lembrar dela. (:

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