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Os souks do Porto.

por Fernando Lopes, 31 Mai 14

Final de tarde. Decido-me por uma caminhada pelo centro da cidade, para oxigenar o corpo e limpar a alma. Chegado a Cedofeita deparo com uma feira já a encerrar. No caos organizado há vendedores de presuntos, geleias, sanduiches, bolinhos de bacalhau, rissóis e pastelinhos de nata. Artesanato de madeira, jóias e pano, jovens vestidos de Minnie, Piratas das Caraíbas e dra. Remédios. Passeiam-se por este fim de festa sobretudo estrangeiros.

 

Umas centenas de metros à frente, nas Galerias de Paris, gente com ar de nobreza falida vende memorabilia e antiguidades. Dizem que faz parte da movida tripeira, chamam-lhe «comércio alternativo». O que me vem à memória são os souks de Tunis e Marraquexe em versão europeia. Cínico como sempre, não vejo em quem confecciona frascos de compota, sandes de presunto ou fritos caseiros, uma afirmação gastronómica; não creio que os jovens fantasiados de personagens de banda desenhada estejam no prelúdio de uma carreira nas artes de palco; custa-me a aceitar que as senhoras de ar severo que vendem velhas pratas nas Galerias ensaiem um ambicionado percurso de antiquário.  

 

Tirando as referências culturais – essas sim, maioritariamente europeias – estes mercados parecem destinados sobretudo a aumentar magros orçamentos familiares. Quando éramos jovens, tirávamos tralhas de casa para vender na Vandoma com o intuito de completar a mesada. Agora existe uma transversalidade que me parece reflectir mais necessidade que vontade. Serei por certo excessivamente dramático, mas vejo os souks da minha cidade com alguma tristeza. 

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7 comentários

De O Abominável Careca a 01.06.2014 às 12:28

Boas Tardes,

É realmente confrangedor ver a "ex-burguesia" a dar o corpo ao manifesto em actividades ditas "alternativas"!
Mas como pelos vistos o clima económico está em francos progressos só as pessoas é que ainda não o sentiram nas suas carteiras. E isto só acontece porque o que é verdadeiramente transacionável já foi trocado por euros há muito tempo!!!
E o resto fica para os turistas apreciarem com o famoso "Very Tipical, inndeed!!!"

De Fernando Lopes a 01.06.2014 às 13:22

Em todo o lado existem feiras, flea markets e afins. É uma forma de comércio movida também pelo divertimento e vi pouca alegria por ali. Pode também ser do adiantado da hora ou da minha visão turva, não sei bem.

De Efeminúsculo a 02.06.2014 às 15:00

Boa tarde, Fernando! Venho agradecer o carinho de me ter comentado. Ter deixado segui-lo. Por todos esses gestos que se guardam e não esquecem, fico grata! A minha actividade na plataforma Sapo deixará de ser uma realidade a partir de agora. Por enquanto deixo o meu blog de poesia. Pensarei o que fazer-lhe depois e se continuarei a postar lá. Se me permitir e quando me aperceber, que escreveu, continuarei a lê-lo! Desejo sinceramente tudo de muito bom para si e todos os seus, e vou passando se não se importa para não quebrar laços de amizade com quem gosto de acompanhar, e admiro que é também o seu caso. Obrigado!

De Fernando Lopes a 02.06.2014 às 19:29

Desistir é uma opção sua, mas custa-me a aceitar. Somos cada vez menos, todos temos algo a dar. Um abraço e repense essa decisão.

De Efeminúsculo a 03.06.2014 às 00:47

Obrigado, Fernando! Tem razão somos poucos. Pelo menos os que ainda vale a pena ler (não que me esteja a elogiar ou incluir)mas também pessoas boas e de bem, que nos resumimos aos nossos posts e vidas. Não estamos aqui para "lixar" ninguém ou... Seja isso, também do direito de cada, um veja-se, desde que não prejudiquem outros! Eu sou um bocado parva. Quando me acho "assaltada" ou acontece o do "costume" passo-me um bocado. É uma estupidez porque já fechei e abri inúmeros blogs e as "situações" repetem-se. Deve ser o meu "sex appeal" e eu nunca aprendo a ignorar! Desculpe o desabafo. Muito obrigado por tudo. Uma boa noite e semana. Tudo de muito bom para si e todos que ama!

De golimix a 02.06.2014 às 20:12

Por acaso também sinto essa tristeza de que falas no ar.

De Fernando Lopes a 02.06.2014 às 22:34

Pensei que fosse o meu modo «cinzento» de ver o mundo. Pelo menos não estou só nas minhas intuições.

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