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O problema é nosso.

por Fernando Lopes, 10 Abr 14

Cartoon de Henrique Monteiro - Sugestão do Abominável Careca

 

A Associação 25 de Abril pode ser um anacronismo, um quinhão da glória passada de uma revolução que o não foi. O fascismo à portuguesa não foi apenas derrubado por capitães, implodiu de pútrido, os militares não foram muito além de peões manobrados por superiores interesses corporativos e económicos. E no entanto, em grande parte devo-lhes o simples facto de poder escrever o que me apetece, sem outro medo que não o do auto julgamento. Devo-lhes uma utopia, um sistema nacional de saúde, pensões de reforma para todos, a massificação do ensino público. Foi o seu acto ingénuo que permitiu estas pequenas revoluções.

 

Antes do 25 de Abril e da acção desta meia-dúzia de jovens, Portugal era um país pior, porque mais pobre, mais analfabeto, mais amedrontado. Assunção Esteves atribui à Assembleia da República uma importância que não tem. Ainda que PS, PCP e BE mantenham um silêncio cúmplice, sabem que não representam nada excepto os interesses dos partidos que representam. Os cultos chamam a isto «crise de representatividade».

 

Aos homens da associação, a Vasco Lourenço como sua face visível, devia ser permitido o uso da palavra. Os analfabetos que hoje papagueiam cartilhas, da esquerda à direita, têm essa obrigação cívica. O parlamento, ao contrário do que pensam os deputados, não é do corporativo nalguedo que ocupa lugar na Assembleia. É do povo, ou deveria ser, entre o qual se incluem os militares sobrevivos daquela quinta-feira de Abril de 74. Inibi-los do direito da palavra é um modo não muito subtil de nos mandar calar a todos. 

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19 comentários

De O Abominável Careca a 11.04.2014 às 23:21

Boas Noitinhas,

No seguimento da nossa conversa de hoje, neste momento não há nada a festejar, comemorar ou inclusive recordar pelo simples facto de estarmos a viver uma pseudo-democracia onde uma coligação bicéfala tudo faz para denegrir, desprestigiar e vilipendiar uma data que deveria ser um orgulho para todos e não apenas para alguns...E cá fica o link do cartoon para a posteridade...http://noticias.sapo.pt/cartoon/

De Fernando Lopes a 12.04.2014 às 11:19

Sugestão aprovada.

De Ana A. a 12.04.2014 às 11:59

No domingo passado houve eleições primárias abertas no "Livre". Se calhar é tempo de se começar a exigir mais dos partidos institucionalizados.

De Fernando Lopes a 12.04.2014 às 12:21

Ana, sou um cínico, há muito deixei de acreditar em partidos, com ou sem assento parlamentar. Voto, porque sei que é pior não votar, mas com a alegria de um carneiro dirigido ao matadouro.

De FARTO DE DESONESTOS E INCOMPETENTES a 13.04.2014 às 12:23

Melhor do que votar, é não votar, quando não nos revemos naqueles que nos querem representar, sem representar!

De Fernando Lopes a 13.04.2014 às 12:53

Não votar é deixar que os outros decidam por nós. Voto sem acreditar, mas prefiro assim, a deixar que outros decidam por mim.

De Tudo a ler a 12.04.2014 às 15:42

O amigo Coelho arranjou o tacho de Presidente da Assembleia da República a uma fulana que está reformada por alegados problemas mentais.

De Fernando Lopes a 12.04.2014 às 17:50

A senhora tem uns problemazitos em exprimir-se. É mais comum que o que julga, só que não admissível na segunda figura do estado.

De Tudo a ler a 12.04.2014 às 21:32

Precisamente por estar reformada por alegados problemas mentais não devia ocupar o cargo que ocupa.

De D. Guin a 13.04.2014 às 02:34

As palavras não foram as melhores, mas serei o único a achar que Assunção Esteves tem razão no que diz? Sobretudo tendo em conta as palavras da Associação 25 de Abril, que "exige" discursar. E a meu ver a questão nem é tanto o anacronismo, mas o tratar-se de uma acção com evidentes motivações políticas (atente-se ao que foi já tantas vezes dito pelos capitães e generais, os de Abril e os de agora) que pouco ou nada tem a ver com liberdade, fascismo ou a malfadada mão da Direita...
E permitam-me discordar também com a recorrente "reinterpretação" das funções e representatividade da Assembleia. Eu voto, e quando o faço, escolho alguém para me representar. Se faço más escolhas, a culpa é minha: ou não sei ir para além do voto útil, ou não sou capaz de participar na discussão política e mostrar que tenho uma alternativa melhor. Mas votei, e aqueles deputados, para o bem ou para o mal, resultam desse voto democrático, livre. Alongo-me neste aspecto porque por vezes parece, e corrijam-me se me baralho, que há quem use a bandeira da "democracia" ou da "liberdade" para impor uma representação que não me diz nada, que não sou eu. A Associação 25 de Abril pode apresentar o discurso que bem entender, com as críticas que achar necessárias, e com gosto o lerei, especialmente tendo em conta aquilo que representa e a sua inegável relevância. Mas não, esta associação, tal como tantas outras facções mediáticas e corporativas, não me representa e o que diz é comentário, não narrativa.

De Fernando Lopes a 13.04.2014 às 12:48

Existem duas posições relativamente à AR que nos distinguem; o meu caro é um «institucionalista», acredita na democracia representativa, eu sou um cínico. O Sr. votou como eu faço, respeita o jogo democrático, eu também. Mas não me sinto representado, preferiria os círculos uninominais. A democracia não começa nem termina na AR, e é essa a nossa diferença. Circunstancias excepcionais - 40 anos de Abril - deveriam ter atitudes excepcionais, permitir que a face visível da «revolução» tomasse a palavra.

De D. Guin a 13.04.2014 às 15:22

Também eu preferia círculos uninominais e um sistema eleitoral que permitisse uma maior aproximação entre os eleitores e os eleitos. É algo pelo qual estou disposto a lutar. Mas precisamente porque a democracia é muito mais do que a AR, episódios como esta exigência da Associação 25 de Abril pouco têm a ver com o assegurar da discussão democrática. Eu percebo as circunstâncias, e evidentemente não considero a AR um altar onde só o poder legislativo pode falar. Não vejo é onde está a circunstância excepcional. Essa "face visível" podia ter tomado a palavra na AR na comemoração dos 25 anos, dos 30, etc. Pode tomá-la agora. Pode fazê-lo, sem desprimor, em qualquer sítio. Mas é a "exigência" que não faz sentido e me parece infeliz, tanto ou mais quanto as palavras de Assunção Esteves.

De Fernando Lopes a 13.04.2014 às 16:13

Compreendo a sua posição embora dela discorde. Democraticamente concordamos em discordar, e oxalá civismo demonstrado nesta pequena troca impressões fosse regra.

De D. Guin a 13.04.2014 às 17:05

O sentimento é recíproco. Um bem-haja à livre discussão!

De CarlosMedeiros a 13.04.2014 às 14:06

Entendo perfeitamente o seu comentário: "...tratar-se de uma acção com evidentes motivações politicas...". A Assembleia da Republica será para tratar de tudo (principalemente dos interesses economicos e financeiros dos grandes grupos)menos de questões politicas.
Aliás o Português tem destas singularidades, como ouvir a presidente mandar evacuar as galerias "...porque esta é a casa do povo..." e quem é que está nas galerias? Possivelmente a nobreza ou o clero que são muito dados a passarejm as tardes nas galerias da Assembleia.

De Fernando Lopes a 13.04.2014 às 14:35

Nesse aspecto estou consigo, e recuso-me a aceitar que a democracia se limite ao acto de votar de 4 em 4 anos, aceitando com resignação, tudo o que nos é imposto.

De Miguel a 13.04.2014 às 11:35

é pena que muitas pessoas nâo tenham memoria e que se esquecem se hoje hà uma mera liberdade é graças aos que a custo de sofrimento a alcançaram. Acordai

De Fernando Lopes a 13.04.2014 às 12:51

A memória é coisa em desuso, vive-se apenas para o factóide, para a espuma dos dias.

De André a 13.04.2014 às 13:26

Deixar falar os militares de Abril era sinal de que a democracia ainda está viva.... mas ela está moribunda!

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