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O polícia brutamontes e o pai cretino.

por Fernando Lopes, 19 Mai 15

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Tinha prometido a mim mesmo não escrever sobre este tema, mas é mais forte que eu. A indignação da semana é a pancada que um adepto do Benfica leva frente ao filho. Que fique bem claro que a violência do guarda é absolutamente selvática e digna de condenação. Que fique igualmente claro que um pai que leva uma criança de tenra idade para um jogo de alto risco é um completo cretino.

 

Paineleiros e comentadeiros são unânimes na condenação. Sou pai de uma criança mais ao menos da mesma idade. Levá-la-ia a um jogo de alto risco? Absolutamente, não.

 

Os comentadores da praça vêem-se nos anos 70 e 80 em que era comum uma família assistir a um jogo de futebol. Já não o é, pelo menos nestes grandes desafios. Envergonho-me quando os adeptos do meu clube vão a Lisboa e se divertem a pilhar estações de serviço pelo caminho. Lastimo o estado em que benfiquistas ou sportinguistas deixam a carruagem de comboio que os trouxe ao Porto. Mas o futebol é desde há muito domínio onde os grunhos pululam como cogumelos.

 

O politicamente correcto que censura um pai que dá uma palmada ao filho, que condena para a eternidade o que não se exila voluntariamente na varanda para fumar um cigarro, acha absolutamente normal levar uma criança a um jogo de futebol de risco no meio de uma claque ou similar.

 

Vão bardamerda.

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15 comentários

De Lourenço Bray a 20.05.2015 às 22:38

 nunca levaria a minha filha a qualquer jogo de risco. Nunca. E concordo. Mas também penso noutra coisa: não será mau também assumirmos ou desistirmos de certas coisas como o direito a pais e filhos verem futebol sem serem espancados ou por claques ou polícias? Isto é, aquele pai não fez nada de mal, num mundo normal ele iria ver a bola com pessoas normais e filhos e toda gente saía do estádio, cachecóis misturados, mesmo clubes rivais! Ao assumirmos como "errado" ou inconsciente o comportamento de uma pessoa que parece ignorar as deficiências do mundo e leva uma criança para ali, é como se estivessemos a assumir que não podemos mudar e é mesmo assim. Só estou a dizer que apesar de tudo me deixa desconfortável colocar algum ónus no pai como coloquei logo que vi a notícia.

De Fernando Lopes a 20.05.2015 às 23:03

O futebol transformou-se de desporto em negócio. De mafiosos, para mafiosos, atente-se nos presidentes dos três maiores clubes, tipos que num país a sério estariam a contas com a justiça. Um Don, tem de ter capos e moços de mão, personificados nas claques. Existe um pacto de silêncio, uma omertà, que protege tudo o que é nebuloso. Idealmente concordo consigo Lourenço, devíamos lutar para que uma certa normalidade social voltasse ao futebol, para que este que pudesse voltar a ser um espectáculo familiar. Será que teremos força e coragem para isso?


P.S. - Espero que a Júlia quando for grande decida ser portista. :)

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