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O pior inimigo da igreja está dentro de portas.

por Fernando Lopes, 22 Out 14

IDiabo_Edição1973_21Outubro14_CAPA-326x406.jpgImagem alterada por sugestão do caçula

Ateu confesso, sigo com moderado interesse as questões que à igreja dizem respeito. No sínodo dos bispos sobre a família, e dada a abertura em questões de costumes do Papa Francisco, resta uma moderada desilusão.

 

Apesar da crescente aceitação dos homossexuais nas sociedades em geral, não me parece que os bispos estejam disponíveis para discutir e aceitar estas questões, pois muitos deles recusam assumir a sua própria homossexualidade, consequentemente, estariam menos disponíveis para tolerar uma diferença que ocultam, como se as opções sexuais fossem pecado.

 

Já no que concerne ao reconhecimento de casais constituídos por divorciados ou em união de facto, a recusa em aceitá-los como membros activos da instituição me parece um erro crasso, ele mesmo é ultrapassado pela realidade. Uma amiga, católica praticante, teve um casamento infeliz e divorciou-se, apenas do marido, não da sua fé. Aquando do segundo casamento fez questão de, numa cerimónia privada, receber a bênção de um sacerdote da sua confiança, que o não negou. Mais ainda, é catequista, ensina os mistérios da fé a crianças que os pais iniciam no catolicismo.

 

Ora se esta mulher – uma excelente pessoa – é boa para ser abençoada no seu segundo casamento, se confiam nela para ensinar o bê-á-bá da religião aos jovens, não é suficientemente boa para receber os sacramentos? Apenas os velhos bispos, numa atitude autista, se recusam a entender que as boas pessoas, com fé ou sem ela, são poucas, demasiado poucas para poderem ser tratadas como renegados.  

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9 comentários

De bloga-mos a 22.10.2014 às 15:24

Apesar da ameaça de excomungação que virá por mail ou por sinais de fumo enegrecido estou seguro que esta bizarra dimensão que habitamos estaria perto da perfeição sem qualquer tipo de religião. Excepto o FCP, bem entendido...

De Fernando Lopes a 22.10.2014 às 16:22

Não sendo baptizado, a questão da excomunhão não se coloca, já me auto-excluí. O FCP é o meu clube, não a minha religião. 

De Fernando Lopes a 22.10.2014 às 18:57

Inside information: Na livraria da Opus Dei livros de e sobre o Papa Francisco estão proibidos. O index no séc. XXI. 

De .. a 23.10.2014 às 18:34

Isto, indigna-me! É a falsa beatitude. Adorei quando diz que ela se divorciou do marido não da sua fé... Todas estas "regras," continuam tão erradas que exasperam. E afastam pessoas da igreja e muito bem! Isto não é ser cristão, pautar-se por ser pelo menos caridoso e compreensivo, evoluir e defender os direitos dos que crêem, sei lá! São dois pesos e duas medidas, enfim... O de sempre!

De Fernando Lopes a 23.10.2014 às 19:27

Bom, bom, é capa do «Diabo» e o PREC da cúria romana. O abominável César das Neves, tem uma crónica impagável sobre o tema, a fazer lembrar os discursos do Botas. «Que cada um saiba o seu lugar e não trate daquilo que não lhe compete. Se nos pomos todos a perorar, é o caos. Especialmente em temas superlativos.»

De O Abominável Careca a 23.10.2014 às 19:34

Independentemente de sínodos pouco consensuais e de interesse no mínimo mais do que duvidoso a hierarquia da igreja deveria era preocupar-se com várias temáticas que vão desde as "crises de vocação", passando pelos financiamentos ao Banco do Vaticano e sem esquecer as sucessivas e efectivas reduções de crentes na em pleno século XXI: O resto são assuntos de "lana caprina" quem nem aquecem nem arrefecem os mais reformistas. Gostei particularmente das tiradas do pasquim " O Diabo" todo ele cheio de inquietações e referencias intemporais mais do que descontextualizadas da realidade nacional e internacional!
Depois queixam-se que o numero de ateus militantes não pára de crescer...Image

De Fernando Lopes a 23.10.2014 às 21:00

Sou fervoso adepto da liberdade, daí que mais sensível às questões de costumes. A crise de vocações terminará quando terminar a obrigatoriedade do celibato, não achas? <br /><img src="http://imgs.sapo.pt/images/blogs/mood/LOCAL_BRAGA.png">

De O Abominável Careca a 24.10.2014 às 21:48

Se é aceite pela comunidade e não interfere no exercício das funções porque não seguir os exemplos dos casos da Igreja Luterana e Anglicana?!
Se calhar a actual obrigatoriedade do celibato só contribui é para acentuar as eventuais "crises de vocação "

De Fernando Lopes a 26.10.2014 às 01:58

Sem dúvida.

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