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O meu 25 de Novembro.

por Fernando Lopes, 25 Nov 15

Como já aqui contei, o pai foi durante os longos anos do fascismo, simpatizante do PCP. Chegou a distribuir o «Avante» e esteve detido quando em 1973 regressava de Londres com um livro sobre a pintura russa no Séc. XX. Não o agrediram, apenas interrogaram horas a fio sobre o seu interesse «nos russos». Como não se descaiu, sem prova que se visse, libertaram-no com um aviso para moderar o interesse na arte do país da revolução bolchevique.

 

Aquando do 25 de Novembro já era dissente do rumo que as coisas tinham tomado, e céptico face a uma revolução que não era apoiada pelas «massas populares», como então se dizia. Mantinha no entanto relações estreitas de amizade com militantes e simpatizantes «do partido».

 

Telefonou-lhe o Paulinho, velho comunista que queria parar a «contra-revolução» e propunha-se, armado de serra mecânica, ir cortar as árvores do separador central da Circunvalação, alegadamente para impedir a saída dos militares do R.I.P.

 

Apenas com 12 anos, o pai meteu-me no Mini e fomos a casa do Paulinho tentar demovê-lo daquela ideia louca. Juntou-se-nos um outro amigo, e à custa de muita contra argumentação e alguma força de braço conseguimos impedi-lo de prosseguir com aquela ideia peregrina.

 

Diga-se o que se disser, pense-se o que se pensar, constato o óbvio: os tempos do PREC eram infinitamente mais animados.

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9 comentários

De Luís Coelho a 25.11.2015 às 23:19

Concordo plenamente, foram tempos animados (cá por causa ainda passou uma pistola que ninguém sabia usar) e sobretudo gloriosos. As pessoas andavam radiantes.
Uma ocasião perdemos a avó numa manif bem composta como eram todas, uma velha de 70 anos acabada de chegar à metrópole: deve ter sido encontrada pela igualdade ou pela fraternidade porque apareceu para jantar :)
Agora, pela primeira vez desde esses tempos, a esquerda (?) volta ao poder. Veremos se bem. Torço por isso: vi insensibilidade a mais para tanta miséria.
Quanto ao resto não há que temer: a democracia vai funcionando.

De Fernando Lopes a 25.11.2015 às 23:39

Sei bem que é uma vulgaridade dizer isto, mas havia esperança e um certo empenhamento no bem comum. Com os tempos e a normalização democrática, transforma-mo-nos numa sociedade mais egoísta, menos solidária, e sobretudo com menos visão de futuro e legado. 

De henedina a 27.11.2015 às 12:49

Eu hoje faço anos Fernando e quero que me dê os parabéns. Sei que é apelativo, eu sei! Mas não me importo. Se me apetece peço! ;). Beijinho seu "gordinho" querido!
Não gosta...aproveite o estímulo e perca 10% do peso corporal. Será a minha prenda. Ficará só...querido :)

De Anónimo a 27.11.2015 às 14:30

Um enorme dia, e que a vida lhe mostre sempre o lado prazenteiro.
Parabéns!

De henedina a 27.11.2015 às 14:38

É tão fácil fazer feliz uma criança  (eu)...que é por isso que eu sou pediatra.
Eheheh...obrigada Fernando!

De henedina a 27.11.2015 às 14:39

Fernando? Anonimo?

De Fernando Lopes a 27.11.2015 às 15:56

Eu mesmo. :)

De henedina a 27.11.2015 às 17:22

O estilo era o seu...mas.

De henedina a 27.11.2015 às 12:50

Não leve a mal...

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