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O menino foi ao cabeleireiro.

por Fernando Lopes, 23 Jul 14

Como sabem os meus queridos leitores, fui criado com os avós. Passava no entanto os fins-de-semana em casa dos pais, que à época moravam na Rua da Constituição. O tempo era gasto a assistir aos treinos das camadas jovens do F.C. do Porto no velho campo, lambuzavando-me com os pastéis da «Primazia», a família jantava ocasionalmente no «Chamiço». Uma vida pequeno-burguesa, sem glória ou sobressalto. Na rua ainda hoje existe um barbeiro que naquele tempo seria o que pode designar de requinte médio-superior. Um local onde se falava única e exclusivamente de bola. Ainda hoje lá está, quase intocado, com uma placa luminosa - «Salão Elfma – Cabeleireiro de Homens». Nesse tempo os pais tinham uma empregada interna. Um amigo de juventude, o Daniel, liga para casa com o intuito de acordar onde seria a farra daquele sábado.

- O menino Zézinho não está, foi ao cabeleireiro, responde a solícita rapariga.

Com 16 ou 17 anos fui gozado durante meses, questionado sobre o que fazia num «cabeleireiro», que outro eu era o menino Zézinho. Numa caminhada, passei por lá recentemente e recordei-me desta velha estória e de como as gaffes e locais nos marcam, muito para lá do tempo.

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9 comentários

De Alice Alfazema a 23.07.2014 às 10:33

Se foi só durante uns meses a coisa até nem foi má, mas que mete piada meteImage


Que tenha um bom dia menino Zezinho. Image

De Fernando Lopes a 23.07.2014 às 12:01

Temos de ser capazes de rir de nós mesmo, nem que seja um sorriso um bocado amarelo.

De Efeminúsculo a 23.07.2014 às 15:27

Percebo perfeitamente como as Gaffes marcam! Uma boa semana, Fernando. Bom post, como sempre! As memórias fazem-nos sorrir melancólicos, enquanto as trazemos para o presente. Mas é muito bom recordar.

De Fernando Lopes a 23.07.2014 às 19:01

Imagine o gozo com a sexualidade de um adolescente, é sempre embaraçoso. Pequenas estórias que hoje me fazem rir e à época fizeram corar, o que não é fácil, danado o meu tom marroquino.
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De Fernando Lopes a 23.07.2014 às 19:26

Ooops. ...dado o meu tom marroquino, queria dizer.

De Carlos Azevedo a 23.07.2014 às 16:44

Quando eu era miúdo, era impensável um homem designar por «cabeleireiro» o local onde cortava o cabelo. As mulheres iam ao cabeleiro e os homens iam ao barbeiro -- ponto. Isto era tão assim que, até entrar para o antigo ciclo preparatório, cortava o cabelo n salão de cabeleireiro da minha mãe; depois, completados os 10 anos, passei a cortá-lo no barbeiro do meu pai.

Grande abraço.

De Fernando Lopes a 23.07.2014 às 19:04

Carlos, sou dez ou quinze anos mais velho que tu, no meu tempo também era assim. Os donos da barbearia decidiram inovar, a rapariga ingénua deu a estocada. :-) Quando passares pelo velho campo da Constituição, observa, a barbearia e a placa ainda lá estão.

De O Abominável Careca a 24.07.2014 às 19:11

De facto a zona da constituição permanece intocável e também lá ia cortar as "guedelhas" (Quando as tinha...) embora sem marcações nem tratamento VIP! No entanto há pequenas excepções como são os casos das antigas instalações do campo do FCP que hoje é o conhecido como "Dragon Force" e o depósito da Suil que hoje é um armazém de produtos para cabeleireiro. Mas não sei se foi propositado mas  não referis-te a filial da confeitaria primazia nas antas que continua igual a si mesma passados que estão quase cinquenta anos! E depois foi a diáspora para os confins do mundo mais concretamente num local onde a cidade acabava e outra começava...Image

De Fernando Lopes a 24.07.2014 às 20:12

É verdade, o Monte dos Burgos era já Porto rural.

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