Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Como português há cinquenta e um anos ganhei uma enorme indiferença perante a incompetência dos governantes. Pensava que já tinha visto tudo, que nada me poderia surpreender ou indignar.

 

Há no entanto uma questão a que sou extremamente sensível; detesto que me tomem por parvo. Ora isso não tem parado de acontecer nos últimos dias, sem que ninguém assuma responsabilidade pelos falhanços. Ser líder não é apenas «mandar», é coordenar uma equipa e os seus projectos, aceitar com humildade os sucessos, dar o peito às balas nos fracassos. Não é uma prática corrente, bem sei, basta olhar para o néscio que este povo brando e parvo elegeu para PR.

 

Nunca ocorreram problemas significativos, apenas pequenos sobressaltos, que se resolvem com desculpas, como se este tipo de penitência fosse suficiente ou mesmo digno de um governante.

 

Paula Teixeira da Cruz, sempre tão rápida a pedir a cabeça dos seus antecessores, tem a desfaçatez de afirmar que existiram «perturbações» com o Citius, quando todos sabemos que a justiça esteve paralisada durante praticamente um mês.

 

Crato, o bom do Crato, o do «rigor e exigência», aplica-os a todos menos a si mesmo. Um início de ano escolar caótico, erros nas listas de professores, crianças ainda hoje sem aulas. A pérola sobre a questão das colocações: «Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal. Os professores mantêm-se, disse. Mantêm-se até às novas listas de colocação corrigidas, que tacitamente revogam a anterior. É a lei.» Algo digno de Pôncio Pilatos.

 

A fleumática ministra das finanças que garantiu que a solução encontrada para os despojos do BES «não continha qualquer risco para os contribuintes», desdiz-se afirmando que a Caixa Geral de Depósitos, vulgo contribuintes, pode ter de «assumir perdas».

 

Dentro desta linha, proponho não a demissão dos ministros, mas a sua exoneração por manifesta incapacidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

8 comentários

De Inês a 09.10.2014 às 10:32

E isto é o que não conseguem esconder. Quantas mais coisas haverá que nunca chegam a ser conhecidas pelá maioria das pessoas?
Pior do que tudo isto é o desencanto que sinto em mim e à minha volta. Já não acredito em políticos nem vejo alternativas a nada ou ninguém. Triste, muito triste.
Inês

De Fernando Lopes a 09.10.2014 às 11:10

Os líderes políticos têm de assumir consequências dos seus actos falhados. Tudo isto é demasiado patético.


Abraço.

De Ana A. a 09.10.2014 às 12:14

Então? Eles só estão a cumprir o calendário que os Herdeiros que Abril deserdou lhe incumbiram. Fazem-no atabalhoadamente, mas vão conseguir. E os altos cargos, bem remunerados, já estão ao virar da esquina!

De Fernando Lopes a 09.10.2014 às 13:12

Os cargos bem remunerados exercem-se mesmo com exclusividade. ;)

De bloga-mos a 09.10.2014 às 12:48

Já vi governos desta choldra irem para a rua por muito menos e o que mais me enfurece é que tendo sido bons ou maus os seus elementos tenham desde a tomada de posse garantida a reforma platinada. Puta que os pariu, pardon my french... 

De Fernando Lopes a 09.10.2014 às 13:16

O teu francês é uma síntese do que penso sobre esta malta, da esquerda à direita.

De Luís B. Coelho a 09.10.2014 às 19:31

Boa malha, voto a favor da proposta.
E se não for pedir muito, venha também o "impeachment" de ché-chés na Presidência da República

De Fernando Lopes a 09.10.2014 às 20:03

Moção apoiada! :)

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • M Manel

    Só agora vi a mensagem anterior - note-se que quem...

  • M Manel

    Uma ajuda... Arranja aí uma base para eu poder de...

  • Anónimo

    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

  • Anónimo

    Que será feito do gerente desta coisa?Filipe em es...