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O fracasso da química.

por Fernando Lopes, 21 Jun 15

Os milagres da química já não surtem efeito. Há anos que tomo logo pela manhã Cipralex, uma qualquer droga que me devia afastar do estado depressivo. Antes de deitar, entre uma catrefada de pastilhas, engulo um Victan, outra treta que é suposto moderar a ansiedade. Nenhuma das drogas resulta. Analisando friamente a coisa, é provável que tenham adormecido uma tendência suicida, um estado catatónico de depressão profunda de que ocasionalmente padeço. Chego à triste conclusão que surtem apenas efeito no meu comportamento relativamente aos outros. Alguns chegam a achar-me um tipo normal, até bem-disposto. Na verdade sou dois eus, o que desejaria derreter no esquecimento, e o que estupidamente se agarra à vida, aos amigos, família, prole. Acabei de acordar de um sono longo de treze horas e o que mais desejava era retomá-lo para a eternidade.

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22 comentários

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 12:33

É mais complexo do que parece. Cada um tem a sua forma de encarar as «facadas» da vida. Congratulo-me que o seu optimismo o faça superar todos os obstáculos, não tenho essa facilidade. Mas melhores dias virão.


Abraço.

De Corvo a 22.06.2015 às 15:43

Não é optimismo, caro Fernando, é a maneira de encarar as coisas más da vida, no fundo as únicas que são relevantes.
Sou talvez o homem mais amargurado à face da terra. À minha volta vi morrerem amigos, alguns em circunstâncias muito dramáticas, vi morrerem duas irmãs, uma no lugar que me pertencia, mais um amigo que era mais que um irmão, vi morrer pai e mãe e vi a luta tremenda da minha querida mulher contra o cancro, que acabaria por perder.
Não posso ser optimista. Sou quem sou e para ser mesmo sincero nem eu mesmo me conheço, mas uma coisa nunca fiz nem nunca farei. Lamentar-me daquilo que não depende da minha vontade.
Por vezes tenho pena de que as coisas não tivessem sido diferentes, mas nada pude fazer e portanto as lamentações são inúteis. Para mim, claro.
No seu caso e seja ele qual for, desejo sinceramente que não seja nada de grave e que tudo se recompunha.
Abraço.

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 18:57

Obrigado, meu caro. Não se esqueça que já tive um AVC, tenho oficialmente um parafuso a menos. Devem ser efeitos secundários.

Abraço. 

De Corvo a 22.06.2015 às 21:59

Oh, porra! Um AVC é coisa grave. Não sabia.
Mais uma prova para não se matar a pensar nas coisas que o ultrapassam e levar uma vida mais divertida e menos preocupante.
Lembre-se da menina que quando bebé dormia na sua barriga e agora quer o pai a brincar com ela. E depois mais tarde vai querer o pai para lhe perguntar, quando for ao primeiro baile: pai, estou bonita?
Digo isto porque também eu tive a menina bebé a dormir na minha barriga a adormecer embalada com a minha respiração, e ainda hoje, com 45 anos, me pergunta: pai, estou bonita?
Não vai querer perder isso, pois não?
Sardinhada e tinto, caro Fernando; não tem nada a ver com um parafuso a menos. Você pode ter um, eu tenho-os todos. Nem sei como isto se segura por aqui.
Um sincero Abraço.

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