Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O fracasso da química.

por Fernando Lopes, 21 Jun 15

Os milagres da química já não surtem efeito. Há anos que tomo logo pela manhã Cipralex, uma qualquer droga que me devia afastar do estado depressivo. Antes de deitar, entre uma catrefada de pastilhas, engulo um Victan, outra treta que é suposto moderar a ansiedade. Nenhuma das drogas resulta. Analisando friamente a coisa, é provável que tenham adormecido uma tendência suicida, um estado catatónico de depressão profunda de que ocasionalmente padeço. Chego à triste conclusão que surtem apenas efeito no meu comportamento relativamente aos outros. Alguns chegam a achar-me um tipo normal, até bem-disposto. Na verdade sou dois eus, o que desejaria derreter no esquecimento, e o que estupidamente se agarra à vida, aos amigos, família, prole. Acabei de acordar de um sono longo de treze horas e o que mais desejava era retomá-lo para a eternidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

22 comentários

De Ana A. a 21.06.2015 às 16:23

Não gosto nada desta conversa...
Pense noutros trilhos como o yoga, mindfulness... não sei se já pensou ou tentou isso, mas se não, imponha a si mesmo essa meta e depois logo vê! Pode ter uma agradável surpresa.
Abraço

De Fernando Lopes a 21.06.2015 às 19:47

Tenho momentos em morro um bocado por dentro, este é um deles. Depois passa. 


Abraço.

De Anónimo a 21.06.2015 às 21:46

Amigo, põe esse astral para cima.

Percebo agora o que sentes, pois à algum tempo que ando assim.
um abç
e

De Fernando Lopes a 21.06.2015 às 22:12

Oscilar entre euforia e depressão é a história da minha vida. Deixo-te um vídeo que, quase tão velho como eu, ainda hoje me toca.


https://youtu.be/qdCz-_vZQ3U

De redonda a 22.06.2015 às 01:27

Já pensei se deveria começar a tomar anti-depressivos, nos momentos maus, e tenho amigas que os tomam - se calhar é mais por cobardia que o não faço, não gosto de ir a consultas. Se alguém de quem gosto está mal, quero é que melhore, da forma que resulte, desporto, estar com amigos, tomar antidepressivos, o que for preciso. Força e um beijinho com o desejo de que passe logo.
Gábi

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 01:49

Desde há muito que altero momentos «normais» com outros profundamente depressivos. Sempre fui assim, é a minha natureza, os antidepressivos dão alguma ajuda mas não alteram a massa de que somos feitos. 


Beijo.

De Genny a 22.06.2015 às 09:58

Um grande abraço!

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 10:45

Obrigado, Genny.

De Corvo a 22.06.2015 às 10:13

Mas que raio de conversa é essa? Só o conheço daqui, e de há pouco tempo mas o suficiente, contudo, para saber que não é nenhum desgraçado sem saber onde há-de ir buscar hoje o que comer amanhã. Que raio de porra!
Anda depressivo? Pois não ande! Anda porque quer e refugia-se em medicamentos que, naturalmente nada fazem, - não foram feitos para curar ninguém e sim foram feitos para enganar todos. - e depois agrava a depressão.
Pois eu digo-lhe que depressão não existe. Só existe na nossa imaginação como pretexto para refúgio dos contratempos que a vida nos propicia a cada minuto.
Deixe a depressão para elas que essas sim! Têm motivos para depressões assolapadas, sobretudo agora que o o sol aperta e se querem enfiar no biquíni e esqueceram-se que as bolas de Berlim engordam que se fartam
Para um homem, portanto, depressão não existe, passa por cima dessas minudências e.vai à luta, qualquer que ela seja.
Se pensa que é difícil, dou-lhe um exemplo de como não é. Eu mesmo. 74 anos, já desci ao Inferno, subi ao Céu, longas estadias pelo Purgatório, nunca fui a um médico. nunca estive doente, não sei o que é uma gripe, uma constipação, uma dor de cabeça nem nunca fiz rastreio a nada. E tudo porquê?
Porque não acredito nas doenças e muito menos nas de foro emocional.
Um Abraço.

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 12:33

É mais complexo do que parece. Cada um tem a sua forma de encarar as «facadas» da vida. Congratulo-me que o seu optimismo o faça superar todos os obstáculos, não tenho essa facilidade. Mas melhores dias virão.


Abraço.

De Corvo a 22.06.2015 às 15:43

Não é optimismo, caro Fernando, é a maneira de encarar as coisas más da vida, no fundo as únicas que são relevantes.
Sou talvez o homem mais amargurado à face da terra. À minha volta vi morrerem amigos, alguns em circunstâncias muito dramáticas, vi morrerem duas irmãs, uma no lugar que me pertencia, mais um amigo que era mais que um irmão, vi morrer pai e mãe e vi a luta tremenda da minha querida mulher contra o cancro, que acabaria por perder.
Não posso ser optimista. Sou quem sou e para ser mesmo sincero nem eu mesmo me conheço, mas uma coisa nunca fiz nem nunca farei. Lamentar-me daquilo que não depende da minha vontade.
Por vezes tenho pena de que as coisas não tivessem sido diferentes, mas nada pude fazer e portanto as lamentações são inúteis. Para mim, claro.
No seu caso e seja ele qual for, desejo sinceramente que não seja nada de grave e que tudo se recompunha.
Abraço.

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 18:57

Obrigado, meu caro. Não se esqueça que já tive um AVC, tenho oficialmente um parafuso a menos. Devem ser efeitos secundários.

Abraço. 

De Corvo a 22.06.2015 às 21:59

Oh, porra! Um AVC é coisa grave. Não sabia.
Mais uma prova para não se matar a pensar nas coisas que o ultrapassam e levar uma vida mais divertida e menos preocupante.
Lembre-se da menina que quando bebé dormia na sua barriga e agora quer o pai a brincar com ela. E depois mais tarde vai querer o pai para lhe perguntar, quando for ao primeiro baile: pai, estou bonita?
Digo isto porque também eu tive a menina bebé a dormir na minha barriga a adormecer embalada com a minha respiração, e ainda hoje, com 45 anos, me pergunta: pai, estou bonita?
Não vai querer perder isso, pois não?
Sardinhada e tinto, caro Fernando; não tem nada a ver com um parafuso a menos. Você pode ter um, eu tenho-os todos. Nem sei como isto se segura por aqui.
Um sincero Abraço.

De Anónimo a 22.06.2015 às 14:49

Toda a minha vida lidei de perto com o estado depressivo da Maria Fernanda e bem sei o que isso afecta o corpo e a alma, bem como a todos os que estão próximos, com os picos de excitação para depois cair num buraco fundo, pelo que só te posso dizer é que lamento que tenhas que passar por tal e mandar-te um grande abraço.
MM

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 18:55

Abraço aceite com agrado, e retribuído. 

De bloga-mos a 22.06.2015 às 17:40

Estás mesmo a precisar da minha desagradável companhia e a propósito ontem andei por Cedofeita e arredores e lembrei-me de ti Nando Zé...

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 18:59

Rais't parta. Quando for assim e ter der na vontade, maila-me, pá. 

De Gaffe a 22.06.2015 às 20:29

Se um beijito meu muito caladito e insignificante o retirar da eternidade, gostava que o fizesse de manhã, quando acordar.

De Fernando Lopes a 22.06.2015 às 20:40

É uma proposta irrecusável. Sabe, não me sinto nada confortável nestes altos e baixos, mas ainda não aprendi a controlá-los. Talvez seja simplesmente a minha natureza. De qualquer modo agradeço profundamente o seu carinho. 

De bloga-mos a 23.06.2015 às 04:48

Já estou a imaginar eu e o Fernando José em busca de recatados beijos da minha Princesa (minha Nando só minha)...

De Diogo Martins a 14.07.2015 às 03:55

Caro Fernando penso que o Fernando não precisa de comprimidos para nada.Penso que as pessoas tem que fazer aquilo que gostam. Claro que não vamos andar todos os dias de sorriso de orelha a orelha,até porque todos os dias existem coisas que nos afectam,somos invadidos pelo telejornal,pelos dramas das novelas,há que combater uma certa tendência para a depressão. Acho que as vezes o segredo é viver com alguém que goste de nós da maneira que somos. Só deixamos de viver quando a máquina parar.


P.s. não quero lhe faltar ao respeito.

De Fernando Lopes a 14.07.2015 às 11:27

Não faltas nada ao respeito, isto é um espaço de liberdade. Apesar de tudo, os comprimidos ajudam a uma certa estabilidade emocional, a minimizar os altos e baixos.

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback