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O carteiro de Fernando Lopes.

por Fernando Lopes, 6 Ago 14

Contrariamente ao livro de Antonio Skármeta que deu origem ao filme «O Carteiro de Pablo Neruda», sou incapaz de ensinar poesia, tampouco o único destinatário do serviço de correio. Durante muitos anos o meu carteiro foi o Sr. Zé Pedro, um homem de trinta e tal, quarenta anos, cabeça rapada e sorriso franco. Numa zona com imensas habitações, conseguia prestar serviço atento, personalizado, profissional e simpático, um verdadeiro embaixador dos CTT. Nunca falhava uma entrega importante, a todos sorria e conhecia pelo nome. Há dois ou três anos mudaram a sua zona de trabalho. O substituto nunca o vi, apenas mais um anónimo na prestação de serviços.

 

Hoje ao sair de casa encontrei o Sr. Zé Pedro que saudei com alegria. Parece que regressou aqui à Boavista, garantia de qualidade e confiança. Logo ali me entregou a carta de condução por que aguardava há meses. Um vizinho cavaqueava alegremente com o «nosso carteiro». As rotações de pessoal, comuns nas grandes companhias, são muitas vezes contraproducentes, uma vez que se perde o contacto com a pessoa com quem estamos familiarizados e a quem conhecemos e respeitamos as qualidades de trabalho.

 

Deviam os gestores saber que «as empresas são as pessoas» é muito mais que um chavão de Recursos Humanos, são elas a imaginem de integridade e competência da própria empresa. Por isso, bem-vindo de volta Sr. Zé Pedro, obrigado CTT. 

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6 comentários

De Ana A. a 06.08.2014 às 12:05

É muito justo homenagear o trabalho do carteiro, e ainda mais, quando esse trabalho é feito com competência, pois a negligência neste trabalho pode custar "caro" ao destinatário.
No mês passado apareceu na minha caixa de correio junto com a minha correspondência uma carta do Hospital de S.João destinada a um homem que eu não conhecia e que só tinha em comum comigo o nº da porta. Através da janela do envelope consegui ler que a pessoa deveria levar consigo os exames anteriores. Daí que pensei: bem, se devolvo isto aos CTT na certa o homem vai perder a consulta. Por isso, fui ao google maps   e constatei que a rua (que eu nem conhecia) era relativamente perto da minha. Fui lá e meti na caixa do correio, pois ninguém me atendeu. De notar, que a direcção que consta na base de dados do Hospital apenas tem os 4 primeiros dígitos, o que me surpreendeu pois já nos idos anos 90 quando eu trabalhava, o n/ programa de computador só aceitava o código postal na totalidade. Moral da estória: se todos contribuirmos com um pouco mais de cuidado para o melhoramento do sistema todos saímos a ganhar. No meu caso, quando decidi entregar o envelope ao destinatário pus-me no lugar do outro e fiz o que gostava que me fizessem a mim.

De Fernando Lopes a 06.08.2014 às 12:33

A sua estória é um belíssimo exemplo de urbanidade e solidariedade. Pequenos gestos como esse fazem mais justiça a essas palavras que muitos discursos inflamados. 


Abraço (com vénia respeitosa).

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