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O automóvel pode ser uma arma.

por Fernando Lopes, 27 Out 16

Declaração de interesses: nada me move contra os idosos, eu mesmo estou mais para lá do que para cá. O meu escritor português favorito já passou dos 80 e continua em grande forma intelectual. Fui criado pelos meus avós, a mulher que amei acima de tudo permaneceu activa e independente até aos 90 anos.

 

Hoje, na Praça da República, um senhor já bem passado dos oitenta parou num sítio indevido a deixar sair uma rapariga da sua idade. Depois, estacionado em plena passadeira, abriu a porta do carro. Para levantar a perna esquerda teve de o fazer com a mão. Pensei que tivesse algum problema de mobilidade e espreitei para dentro do carro. Nada de muletas, nada de nada, caruncho puro e duro. Noutro dia, aqui na Avenida de França, um outro que já deveria ter 90, arrastava-se literalmente para fora do carro, prendendo os braços à porta e meio paralítico, moveu-se a um passo que não deveria ser superior a 2/Km h.

 

Do total das 593 vítimas mortais registadas em 2015, 29,8% tinha 65 ou mais anos, “para uma percentagem de população que representa apenas 21% do total, e que apresenta uma muito menor exposição ao risco, pois circula, em média, bastante menos que a população mais jovem”, referem os dados da PRP, divulgados a propósito do Dia Internacional do Idoso, assinalado a 01 de outubro.

 

Se é certo que muitas destas vítimas o serão por atropelamento, não menos verdade é que muitos outros que já não têm condições físicas e psicológicas para conduzir o fazem. Basta ir a um médico conhecido (5), e já está, atestado passado. Os exames médicos têm de ser rigorosos e levados a cabo por entidades oficias para bem dos próprios e de todos nós. Interessa menos a idade e mais a condição física e intelectual de cada um. A minha mãe, sensatamente, já deixou de conduzir em estrada, limitando-se a pequenas voltas na cidade. Apesar da boa forma começa a apresentar ligeiros problemas de audição. Sabendo do seu desagrado em perder a autonomia, para o bem dela e de todos, acho que um médico lhe deveria dizer para parar de conduzir.

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25 comentários

De alexandra g. a 27.10.2016 às 19:51

Curioso, eu afirmo o mesmo há tantos anos: um carro é uma arma. Quando a porcelana iniciou as aulas de código e, depois, quando finalmente obteve a carta de condução (antes dos 20 anos, tem agora 21), disse-lho, também. 


Quanto aos séniores, lamento que continuem a revalidar a carta a um tio meu que, aos 84 anos, conduz embalado pela cabeça, que oscila em permanência (é um facto quase consumado que tem Parkinson, mas recusa-se a fazer uma consulta de especialidade e, no centro de saúde, toda a gente parece ignorar). A questão da autonomia é da maior importância, mas seria preferível a sensatez, quando existe (no caso do meu tio, que é um entre muitos) um detonador que não necessita de grande ocorrência para que se dê o descalabro. Com o meu tio, já não viajo como acompanhante, digo logo que conduzo, para ele "apreciar as vistas", e ele deixa, o que não aconteceria NUNCA há 2, 3 anos atrás, e é muito revelador sobre aquilo que ele sabe que nós sabemos.

De Fernando Lopes a 27.10.2016 às 20:04

Como gosto de conduzir e da independência que tal proporciona, compreendo que muitos se mostrem renitentes a deixar de conduzir, quer queiramos, quer não, é sinal de velhice. O que passa é que o estado não quer ter a despesa e o ónus de proibir pessoas de conduzir. Os exames feitos por médicos privados valem pouco, a maioria cederá a valores mais alto como a amizade com o examinado.

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