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O abraço.

por Fernando Lopes, 21 Out 14

Desço a Rua da Boavista em direcção à rotunda. Do meu lado direito dois jovens caminham um para o outro. São altos e magros, ela loura e elegante, face ainda de bebé, ar jovial e roupa desportiva. Ele tem o cabelo encaracolado, jeans gastos e um sorriso de orelha a orelha. Beijam-se e depois abraçam-se. Ficam envolvidos nos braços um do outro durante minutos. Olham-se, sorriem, voltam a enlear-se, bem apertados.

 

No carro, fico a olhá-los pelo canto do olho, entre o voyeur e enternecido. Não há muito, talvez há uma eternidade, éramos assim, jovens amantes despreocupados, para quem a paixão era a única coisa neste mundo que fazia sentido. Inocente, também agarrei a rapariga amada numa árvore eterna de ternura, segundos que duravam para sempre. O tempo foge, estes enleios apaixonados mostram-me que o sonho do amor único, eterno, intenso, não mais é que uma quimera. São jovens, bonitos, apaixonados. Não há coisa mais bela.

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5 comentários

De bloga-mos a 22.10.2014 às 12:00

Parei junto a uma retrosaria para responder a um sms. À porta estava um idoso e de lá saiu aquela que seria a sua mulher que o abraçou e beijou "parece que não nos vemos há anos Florinda", " já estava com saudades, Zé". Lindo...

De Fernando Lopes a 22.10.2014 às 12:42

Debaixo desta capa de durões estão dois patetas românticos.

De bloga-mos a 22.10.2014 às 12:50

Prefiro se me permitires "dois românticos patetas". É mais blasé e condiz em determinadas alturas com as criaturas em causa...

De .. a 23.10.2014 às 18:40

Enternecedor! É tão especial sentir isto, ser-se jovem. Tudo à flor da pele. Depois fica tudo mais esbatido, mas se há "comunhão" de espíritos, ou que se lhe chamem amor, ou outra coisa qualquer, é igualmente bom, porém ao verem-se estes "quadros" é impossível não parar e regressar no tempo. Ter vontade de voltar a ser e ter tudo aquilo de novo! Um bom resto de tarde. Adoro vir aqui ler, para variar. Há quem não tenha vergonha de assumir que tem coração e é, (sente) frágil em certas ocasiões. Isso é tão raro! Bem, haja!

De Fernando Lopes a 23.10.2014 às 19:29

Já fomos assim, é bom que de quando em vez nos recordemos. ;)

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