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A procura do sagrado, do que transcende, é importante para muitos dos que me rodeiam, cada vez mais irrelevante a nível pessoal. Sou dos poucos da minha geração que não foi baptizado, não teve educação católica, que desde tenra idade pôde escolher. Escrevo sobre morte porque, uma vez mais, estive num funeral. Sinto-me colocado num daqueles tapetes gigantes das fábricas que conduzem a carne até ao vazio. A fila da frente caiu nesse abismo desconhecido, eu sou a seguir, olho a distância que me separa da queda com total indiferença. Não me comovem os rituais da igreja, o padre que diz a missa com a insensibilidade de um escriturário, a esperança em algo indefinível, melhor, perfeito. As coisas são como são, átomos e nada mais. Com a idade e a proximidade da morte, muitos tentam agarrar-se a uma forma vã de permanência, de existir. Nada vejo excepto o tapete que rola, a ritmo certo, com destino inexorável. Não encontro Deus e ele faz questão de me evitar.

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10 comentários

De Ana A. a 17.10.2014 às 21:54

"Nada vejo excepto o tapete que rola, a ritmo certo, com destino inexorável. Não encontro Deus e ele faz questão de me evitar."

Mude o foco para dentro de si!

De Fernando Lopes a 17.10.2014 às 23:19

Correndo o risco da vulgaridade, dentro de mim tenho anjos, demónios e fantasmas, sobretudo fantasmas.

De Luís B. Coelho a 17.10.2014 às 23:41

O problema, Fernando, é se no fim do tapete caímos numa qualquer trituradora: carne pra canhão já me desagrada, mas big mac é que não.
Ando a ler Julian Barnes (Nada a temer), que fala da morte e dos deuses com humor.
E ja agora, hoje essa veia está a bombar, hein? Força!

De Fernando Lopes a 18.10.2014 às 00:23

Não sei descrever o que sinto, apenas uma enorme inutilidade, vazio, um caminho que se faz com dignidade, honradez, de cabeça erguida, por amor a nós, paixão pelos outros. Já morri muitas vezes e volto a erguer-me, sem saber como nem porquê. Por amor, sempre por amor. Che disse «o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor». Readapto para «o verdadeiro homem é movido por grandes sentimentos de amor».



Abraço.

De aurora a 18.10.2014 às 20:19

Image

De Fernando Lopes a 18.10.2014 às 20:30

Um abraço enorme, Aurora.

De Lourenço Bray a 22.10.2014 às 23:42

Sinto o mesmo e também não sou baptizado e essas coisas todas

De Fernando Lopes a 23.10.2014 às 00:03

Talvez exitam pessoas com maior predisposição para a mística e a metafísica. E perdoe-me o paternalismo, tenha cuidado com a bicicleta, ainda hoje ia atropelando um ciclista que ignorou um vermelho.

De pimentaeouro a 26.10.2014 às 00:16

Talvez pareça bizarro mas sou ateu desde criança (ambiente de família) e até hoje não encontrei Deus em parte alguma, nem dentro, nem fora de mim.
O pior das missas é que o padre lê textos com  4.000 anos anos ou mais, uma seca.
Felizmente, para os católicos já não são em latim.


P.S. è chato ter que indicar o mail mais password.

De Fernando Lopes a 26.10.2014 às 02:15

A missa, quem a torna chata ou não, são os sacerdotes. Já assisti a sermões ricos em humanidade e interesse, normalmente não passam de discursos pobres e repetitivos. 


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