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Je suis Charlie.

por Fernando Lopes, 16 Jan 16

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De acordo com o «Expresso», o cartoon acima provocou a ira nas redes sociais. Tal significa que a sátira, o espírito que lhe presidiu de «nada é sagrado», permanece. Tive uma breve conversa sobre o tema com o meu amigo Carlos na sua mais recente visita a esta latrina à beira mar plantada.

 

Entendo que haja quem se sinta chocado com humor envolvendo uma vítima inocente como Aylan. Sempre precedido do adjectivo «pequeno» para dar mais ênfase ao drama. Recordo o editorial do «Público», o choque, «porque aquela criança parecia uma das nossas» sic. Sei que não é esse o ponto do Carlos, genuinamente uma boa alma que reage epidermicamente à injustiça.

 

Tenho no entanto uma perspectiva diferente, ri-me com o desenho, acho que tudo é passível de ser satirizado, principalmente a morte na sua crueza e injustiça. Dir-me-ão que não é ético, mas também fico cheio de dúvidas sobre onde começa a ética e se inicia a censura mental do politicamente correcto.

 

Serei um tipo estranho, sem limites morais, carregado de um humor de gosto duvidoso. Isso também é ser Charlie.

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11 comentários

De Anónimo a 16.01.2016 às 16:45

Um cartoon pode ser de mau gosto, mas ter a acutilância de (nos) fazer pensar.
Nunca, mas nunca mesmo, poderá ser considerado criminoso ou pecado.
Charlie Hebdo não é  a favor de rebaixar  a mulher ( a todos os níveis) e faz-nos pensar sobre quem o faz.

Quem é pela igualdade (pelo menos aqueles que se manifestam a favor) simplesmente tolera a relevância do significado do cartoon em detrimento da inocuidade do politicamente correcto.

De Fernando Lopes a 16.01.2016 às 18:14

Tenho enormes dificuldades em definir auto-limites, ou o que são as barreiras do bom e do mau-gosto. O que aconteceu na Alemanha foi de uma violência atroz. Os culpados devem ser exemplarmente punidos, tanto se me faz que sejam alemães ou refugiados. Nisso todos concordamos. O cartoon fala desse inevitável «choque civilizacional», o usar uma criança tragicamente morta é para mim irrelevante face ao efeito que se pretende obter.

De Anónimo a 19.01.2016 às 21:31

exactamente, ninguém quer a morte da criança assim como ninguém quer atentados às NOSSAS liberdades civilizacionais, arduamente conquistadas.
É TOTALMENTE impossível voltar (voluntariamente) à Idade das trevas.

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