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Inapto.

por Fernando Lopes, 5 Ago 14

Numa conversa recente dei comigo numa confissão capaz de embaraçar qualquer homem que viva neste século.  Em relação às lides domésticas, tarefas do dia-a-dia e afins, não evoluí nada em relação ao avô. Se a minha mulher me deixasse, seria incapaz de conseguir quem decidisse partilhar vida comigo. Fui educado num ambiente tradicional e machista, em que a avó dizia com solenidade: Não quero ver homens na cozinha. 

 

Era uma provedora por educação e personalidade de modo que me casei sem ser sequer capaz de estrelar um ovo, fazer uma cama, lavar uma peça de roupa ou loiça. Após o casamento, a minha mulher, então com 21 anos, compatibilizou a faculdade com o papel de mãe de família, prosseguindo a tradição da avó. Estou tão habituado a que tomem conta de mim, que cuidem por mim das pequenas coisas, que não sei rigorosamente nada de nenhuma tarefa doméstica.

 

Hoje em dia os papéis de género mudaram substancialmente, praticamente todos os meus amigos sabem cozinhar, desenrascam-se com desenvoltura num supermercado, têm elevada capacidade de colaboração e autonomia. Não eu. Sou péssimo na domesticidade e um desastre como bricoleur. A única coisa em que sou bom é nas tarefas parentais. Empurrei a parteira para mudar a primeira fralda, entendi-me com biberões e banhos de água tépida, sempre tive independência quase absoluta em tudo o que fosse relacionado com a minha filha. Ainda hoje somos os melhores «companheiros no crime».

 

Admiti pungentemente que necessitaria de uma «mulher que tomasse conta de mim», coisa tão rara de encontrar nos dias de hoje como piolho em careca. A constatação desta enorme fraqueza fez-me ver que provavelmente terei de percorrer um caminho difícil de adaptação ao presente, partilhando as tarefas do lar, aprendendo. Resta-me a felicidade de ter algum tempo para o fazer; a T. raramente lê o blogue, posso sempre tentar surpreendê-la com um arroz à lá Bimby. Eu, homem das cavernas, publicamente me penitencio.

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10 comentários

De Ana A. a 05.08.2014 às 19:40

Se eu não gostasse de si, desancava-o já!
Assim, leio isto e sorrio, pensando cá com os meus botões:"Sorte a do Fernando por ainda não ter tido a necessidade de se desenrascar!" Sim, meu caro amigo, é tudo uma questão de necessidade! :)
(A necessidade aguça o engenho)

Abraço

De Fernando Lopes a 05.08.2014 às 20:27

É verdade, tenho tido a sorte de ser apaparicado desde a nascença. Mas quando constato o «handicap» fico um bocado perplexo como é que passei estes anos todos incólume. 


Abraço.

De Efeminúsculo a 05.08.2014 às 21:14

Boa noite, Fernando. Venho participar-lhe que por motivos particulares e pessoais, apaguei todos os meus blogs. Venho agradecer a sua simpatia de sempre, carinho pelas visitas, pela interacção e desde já me penitencio da acção, que pode parecer precipitada e não muito lógica, mas de momento é o melhor para mim. Obrigado, mais uma vez e desejo-lhe sinceramente tudo de muito bom, a si e aos seus, hoje e sempre! Se me der a possibilidade de continuar a lê-lo e a interagir, mesmo ausente, agradeço e sentir-me-ei honrada pela sua amizade. BEM HAJA POR TUDO! 

De Fernando Lopes a 05.08.2014 às 22:28

Lamentando a sua decisão, respeito-a. Quanto aqui à tasca, será, como sempre, recebida de braços abertos.

De .. a 06.08.2014 às 01:42

Muito e muito obrigada! Ultimamente têm sido restaurada (ainda que mínima e muito restritamente), a minha fé na humanidade. Felizmente ainda há PESSOAS com letra grande e almas enormes, sem egos lustrosos. BEM HAJA! 
Serviu a minha missiva, talvez não me explicasse bem, para "aspirar" algumas poeiras que pousavam nos meus cantos. Fazer uma limpeza, não de fim de estação, mas necessária. Corro o risco (cada vez mais, claro) de ir sendo apelidada de alguns mimos, ficar sozinha, mas são "acidentes de percurso." Tinha de a levar isto a efeito portanto está despachado. Era uma coisa, que admirava em muitos blogs e com a qual concordo, a possibilidade de se "escolher"  quem  nos "acrescenta" em riqueza pessoal. Porque estar aqui também é isso. Partilhar. Se formos ver o significado, muitos ficam aquém. Eu partilho. Com quem sinto empatia e me recebe bem. Espero ser bem vinda. Que gostem de me ter nos sítios, porque recebo de peito e braços abertos, nessa sã essa partilha, a todos, que como digo nos ensinam, melhoram. O resto? Ninguém precisa dele. BEM HAJA Fernando, pela grande alma grande que é. Pela pessoa boa e que admiro. Um dos que "escolhi" para "guardar." Obrigada por me receber também e deixar vir aqui. MUITO OBRIGADO. Uma boa noite e tudo de muito bom. Os meus blogs estão lá na mesma, à excepção de um. Com os mesmos nomes, tudo. Só alguns acompanhantes ficaram pelo caminho. É a vida, afinal!

De golimix a 06.08.2014 às 09:48

Pois é Fernando, a necessidade aguça mesmo o engenho.
O meu maridão pode ser um desentendido em algumas mensagens femininas subliminares mas tal como aprendeu a ser uma mestre na casa também há-de chegar ao resto Image

De Fernando Lopes a 06.08.2014 às 12:26

Lacunas todos temos, a perfeição seria uma enorme chatice. Temos de tentar minorá-las. E o que é que queres ensinar ao marido se ele já é um mestre na casa?
«Hey, wives leave the husbands alone!»
Image

De meandmyboy a 20.08.2014 às 21:10

tropecei no seu blog por estar em destaque e não gostei e eu passo a explicar:
Despachei assim um(pai do meu filho) assim como você.
Dizia não saber fazer nada enquanto não havia o filho a partir do momento que o filho nasceu já não consegui dar conta do recado.
Não o vou criticar nem aplaudir às suas palavras. Mas nós mulheres temos limites e se ama a sua mulher tente fazer um almoço ou um jantar na bimby, já que tem esse eletrodoméstico aproveite para lhe fazer um agrado, também não custa de vez em quando apanhar a roupa da corda. Não custa nada Image

De Fernando Lopes a 20.08.2014 às 21:46

Como deverá ter reparado este post é uma espécie de penitência por algumas limitações que assumo. Quanto a ser pai, sou-o orgulhosamente e dos bons. Independentemente de ser atacado ou não as minhas lacunas estão aqui, à vista, sem falsidade ou politicamente correcto. A avaliação fica a cargo de quem lê e aceito-a com humildade. 

De meandmyboy a 20.08.2014 às 21:51

reparei mas não sou mázinha, tambem não posso julgar ninguem quem sou eu.
Sim, hoje em dia ser um bom pai ou mãe é algo que nos devemos orgulhar.

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