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Imprensa económica.

por Fernando Lopes, 4 Ago 14

 A «imprensa económica», e aqui existem nomes, «Diário Económico» e «Jornal de Negócios», foram e são ainda dos maiores apoiantes da política austeritária levada a cabo por um governo eleito na base da demagogia e mentira. O que nos trouxe até este beco sem saída não foi exclusivamente a política keynesiana de Sócrates, mas quarenta anos de destruição sistemática da agricultura, pescas e indústria portuguesa, o crer que seríamos um país de serviços, quando não temos I&D que nos permita ambicionar tal. O coveiro-mor de Portugal assenta formoso nalguedo na Presidência da República, os jornais económicos papagueiam o spin governamental com uma ou noutra honrosa excepção – Pedro Santos Guerreiro e Nicolau Santos são dos poucos que recordo terem pensamento próprio. No caso BES-GES limitaram-se a fazer eco das atoardas governamentais e mensagens tranquilizadoras do BdP, sem uma linha de análise própria, independente, como seria de esperar de «imprensa especializada». O entusiasmo com que acolheram Passos e a troika levou-os a ficarem aprisionados no seu próprio labirinto económico-ideológico. Os leitores – que se assume serem homens de negócios, alinhados com a política governamental – e a dependência das receitas publicitárias fizeram o resto. Não existe contraponto às medidas que nos arrastaram para esta crise, criou-se o sentimento de inevitabilidade. Para tentar entender a crise no BES comprei imprensa económica, li e reli, tentei compreender, só me deparei com univocidade. Confrangedor que no momento histórico que vivemos não haja um jornal especializado a pensar «fora da caixa», com coragem para enfrentar lobbies. No fundo tudo o que podemos esperar é unicamente uma versão urbana e polida do inefável Camilo Lourenço. Entende-se pois, que a sua missão é vender jornais, manter anunciantes e não desagradar aos apaniguados da maioria, em vez que ajudar a criar cidadãos críticos e informados. 

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8 comentários

De Ana A. a 04.08.2014 às 02:19

Subscrevo!
(excepto o "formoso nalguedo").
Agora a sério. É mesmo confrangedor ver as acrobacias intelectuais que certos invertebrados fazem, para garantir o seu "sustentozinho" e o dos seus.

De Fernando Lopes a 04.08.2014 às 10:14

É uma teia ideológica e financeira. Alguém que recebe de braços abertos a austeridade e a troika fica depois fragilizado para uma análise distanciada do que outrora apoiou. A questão económica - da publicidade - não deve ser de somenos, pois este tipo de imprensa deve depender em larga escala de anunciantes como os bancos. Quando surge uma situação como a do BES terão o distanciamento e a independência para uma análise «doa a quem doer»? Não me parece. Devo ser um bocado burro, pois li e não achei as análise nada claras ou independentes. 

De O Abominável Careca a 04.08.2014 às 21:53

Vivemos actualmente num país onde tecnocratas e políticos sem formação com respectivas passagens pelas "jotas" tomam  decisões que deveriam ser minimamente pensadas, planeadas e ponderadas com sensibilidade e racionabilidade  para desse modo não pôr em risco a credibilidade de todo um sistema que os próprios desconhecem! E depois é a confusão aliada ao desrespeito por todos aqueles que em muitas das vezes por ignorância ou simples "boa fé" possuem a chama "Iliretacia financeira". Quanto a responsáveis?! Não serão tidos nem achados! E impostos para salvaguardar empréstimos de 5.000.000.000.00?! Aguardem que os mesmos chegarão mais depressa do que se julga!!!

De Fernando Lopes a 04.08.2014 às 22:31

Espero que tudo corra bem que as minhas finanças já não aguentam outro banco falido. É o «jornalismo suave» em todo o seu esplendor, hoje protagonizado pela jovem esperança de 50 anos, José Gomes Ferreira. A imprensa como contra poder faleceu há muito. Que descanse em paz.

De aurora a 04.08.2014 às 23:19

Também gosto do Pedro Adão e Silva.
 Camilo, Gomes Ferreira, Helena Garrido, António Costa...não os suporto.
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De Fernando Lopes a 04.08.2014 às 23:32

Pedro Adão e Silva é sociólogo, ou melhor «tudólogo». Embora simpatize com o seu posicionamento político, próximo da social-democracia à séria, em questões económicas deixa muito a desejar. A intervenção ontem na SIC-N foi fraquinha. 
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De aurora a 05.08.2014 às 18:08

Sei que é "tudólogo". A intervenção  do dia anterior foi bem melhor. Gosto das suas análises porque não revela qualquer constrangimento em dizer aquilo que pensa, nomeadamente quando afirma que a palavra do nosso primeiro vale zero:):) Apesar de não ser da área económica é bem melhor do que alguns economistas paineleiros que pululam pela tv.
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De Fernando Lopes a 05.08.2014 às 20:36

We'll always have Camilo Lourenço.
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