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Emocional.

por Fernando Lopes, 28 Out 14

Sou um chorão, não é algo que goste de admitir. O mito moderno «sou um tipo muito sensível, por isso choro», não me agrada. Fui educado num ambiente de contenção, onde a expressão de emoções extremas não era coisa particularmente bem vista. Sou chorão porque nasci com incapacidade para controlar emoções. Uma parte da adolescência foi um longo round por não conseguir conter a raiva. O que sinto sobrepõe-se a tudo, ao bom senso, à calma, e simplesmente flui, numa espécie de torrente incontrolável.

 

Tenho dificuldade em dominar ira ou choro. Fico com os olhos mareados de água por causa de uma cena de um filme, livro, músicas, um abraço amigo ou dor alheia. O que me emociona não é tipificável, simplesmente surge do nada e mexe com algo que me é intrínseco.

 

Desconfortável, pois nunca sabes exactamente como vais reagir, habituas-te a viver assim, a ser aplaudido ou olhado com desconfiança pelos outros. Chegas a um lugar onde a percepção de terceiros passa a ser indiferente, e dentro de padrões «socialmente aceitáveis», deixas-te ir. Acho que é a isso que se chama «uma pessoa emocional».

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15 comentários

De Carlos Azevedo a 28.10.2014 às 02:29

Há uns anos, numa acção formação promovida pela empresa onde trabalhava na altura, a formadora (psicóloga) elogiou a minha racionalidade. Expliquei-lhe que sou muito mais emocional do que racional, que tendo naturalmente a agir por impulsos e instinto, o que me leva a efectuar um esforço enorme para contrariar essa tendência, daí resultando uma imagem que os outros avaliam como racional. Achei piada (modo de dizer) quando li: «O que sinto sobrepõe-se a tudo, ao bom senso, à calma, e simplesmente flui, numa espécie de torrente incontrolável.» É tal e qual -- ou melhor, seria.
Abraço.

De Fernando Lopes a 28.10.2014 às 12:33

Eventualmente, teu auto-controle consegue dar-te o melhor de dois mundos, uma espécie de emotividade racional.

Abraço.

De Carlos Azevedo a 28.10.2014 às 14:59

Tem dias. Há alturas em que o emocional se sobrepõe e não há auto-controlo que me valha (ou aos outros ;-) ).
Abraço.

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