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E o MEC disse o que sou incapaz de verbalizar.

por Fernando Lopes, 1 Mai 14

Como escritor, não posso traçar uma linha sobre aquilo que escrevo e o que não escrevo. Não posso pensar: «Estarei a ir longe demais?» Eu quero expor-me o mais possível! Todos os escritores que admiro são os que se expõem. Ser escritor é expormo-nos. Uma pessoa tem de correr o risco de não ter graça, o risco de passar too much information  [informação excessiva], ou informação íntima que não interessa absolutamente nada… Não há confissão excessiva. As pessoas podem sentir-se desconfortáveis com essa confissão, mas o dever do escritor é expor-se, expor-se, expor-se. E escrever também tem um lado de catarse e de desafio em que uma pessoa desabafa à frente dos outros, desata aos gritos, a bater com os punhos de revolta, e não tem vergonha de o fazer.

 

Hoje pensei recorrentemente em suicídio uma vez mais...

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20 comentários

De henedina a 01.05.2014 às 02:53

Se as ultimas palavras são MEC quero dizer que sentiria muito...
Se as ultimas palavras não fossem do MEC, gostaria de dizer...que sentiria muito.

De Fernando Lopes a 01.05.2014 às 07:47

Acordei às 7:30 de um feriado para as apagar, porque minhas, e sobretudo uma manifestação de angústia. Já uma vez aqui escrevi que «a ideia permanece», vem à tona em momentos mais negros, esbate-se conforme o negro dá lugar ao cinzento. Foram lidas, ficam.

De O Abominável Careca a 01.05.2014 às 11:20

Mau Maria...

Se te apetecer tens o meu contacto e "me liga vai" para de uma vez afastarmos todos os espíritos malévolos e a receita é simples...Vários CANECOS e de certeza que as nuvens negras dissipar-se-ão!

Fico aguardar convocatória...

De Fernando Lopes a 01.05.2014 às 11:48

Obrigado, mano. Às vezes as coisas tornam-se difíceis, mas depois as nuvens negras afastam-se e deixam antever um pouco de sol.

Abraço.

De Ana A. a 01.05.2014 às 12:55

Abominável

Concordo com muitas ideias suas sobre a política em geral, mas neste caso, permita-me dizer-lhe que a anestesia etílica nunca foi solução para nada!

De golimix a 01.05.2014 às 23:19

Mas podem ficar só numa de desinibição necessária para destravar a língua. Algo que alguns homens, e não sei se será o caso do Fernando, precisam. Somente um destravador e um motivo para se encontrarem.

De Ana A. a 01.05.2014 às 13:03

Fernando

O sem sentido da vida ocorre porque nos concentramos demais na matéria...

Tente explorar (sem preconceitos) outros vôos! Afinal, o universo ainda não está totalmente explorado e todos os dias somos surpreendidos pelo desconhecido! ;)

Abraço

De Fernando Lopes a 01.05.2014 às 13:51

Mais, muito mais que questões materiais, é uma angústia que habita connosco, nos acompanha sempre, e se exprime por este tipo de pensamentos. Talvez seja uma forma de escape, catarse, sublimação. Um enorme abraço e obrigado pelas suas sempre generosas palavras.

De O Abominável Careca a 01.05.2014 às 18:39

Cara Ana A.

Congratulo-me com a sua partilha em relação às minhas opiniões e desabafos que por diversas vezes ultrapassam o politicamente correcto e é saudável saber que não somos umas "aves raras" no que toca a diferentes visões sobre variados assuntos quer do foro político ou pessoal. Quanto a consumos desregrados de substâncias etílicas se os mesmos forem ocasionais e contextualizados não vejo porque não fazê-los. Na nossa família que eu saiba ainda ninguém teve necessidade de se inscrever nos AA. Esta vida é tão curta e senão temos um míseros prazeres de quando em vez o mais certo será morrer de tédio e nunca de uma eventual cirrose...
E para terminar quero propor-lhe um brinde à amizade, tolerância e à não descriminação...
Um abraço!

De Ana A. a 01.05.2014 às 19:18

Caro Abominável,

Brindo com todo o prazer!
Só não incito os meus amigos, a beber quando se sentem em baixo e falam de suicídio, pois quando "regressarem" a vida estará cá, à espera, e a sua perspectiva dela de certeza que continuará igual. Beber para nos atordoarmos e fugirmos ao real, não me parece bom. Beber q.b. para festejar a vida, alinho. Sempre!

(P.F. não me julgue intolerante e discriminatória. Pelo contrário, tento ser o mais possível inclusiva e apontar caminhos construtivos, no que se refere ao sofrimento do espírito).

Abraço

De Efeminúsculo a 01.05.2014 às 20:42

Isto não ajuda nada. Devia privá-lo da minha opinião mas partilho da sua "angústia." Muito vezes pondero se o meu fim não será esse. Tenho muitas certezas! As dúvidas começam a escassear, não sei se me entende. Acho que sim! Há dias que são autênticos terramotos emocionais. Não há um palmo para onde fugir à "perdição" certa. Quem desmorona não é o meio, somos nós! Não fica nada de pé. Muito, muito a custo e nem sei como, se lhes sobrevive. Acho o texto de MEC simplesmente fantástico muito do que sinto. Tenho medo de me expor, por outro lado estou-me nas tintas e exponho. Além de não me sentir confortável deito tudo para o lado e quem quiser que pense, ou adivinhe. Ando ultimamente a atravessar terramotos de mais. Com declives e picos pavorosos. Parece que estamos num vórtice demoníaco! O álcool francamente não é uma ideia. Passada a "ressaca" está ali tudo, mais a dor de cabeça e a garganta como papel. Ofereço-me para tentar ouvir. Enquanto se fala, de nada e tudo, o tempo passa e damos por nós a rir. Afinal ultrapassou-se e... Venha a próxima! Obrigada por me permitir comentá-lo e perdoe-me se dizer algo parvo ou que lhe desagrade não é intencional, mas o que sinto e como sou. Um excelente resto de feriado e bfsemana

De Fernando Lopes a 01.05.2014 às 21:06

Não se desculpe de partilhar a sua opinião, só assim um blogue como este faz sentido, caso contrário seria um longo e entediante monólogo. Tenho uma personalidade limite, isto é, oscilo com facilidade entre a euforia e a angústia. Esses terramotos de que fala também os sinto, e em determinados momentos nada faz sentido. Depois, um dia de sol, um sorriso, um amigo, fazem toda a diferença e tudo se recompõe. Este sobe-e-desce emocional está na minha (e ao que parece na sua) natureza, por isso acho nos compreendemos.

De aurora a 01.05.2014 às 22:04

A puta não vai embora...tal como um abutre, sempre espera...Mas nós vamos em frente, não é Fernando? Em frente, ouviu bem?
Um grande abraço

De Fernando Lopes a 01.05.2014 às 22:36

Sim, minha generala dos olhos bonitos. Ouço e obedeço.

Enorme abraço.

De golimix a 01.05.2014 às 23:30

Bem... posso dizer-te, e só há bem pouco tempo é que consigo falar mais abertarmente, e sem medo, nisto. Que eu já estive bem tentada a partir, para acabar com um sofrimento que não estava a aguentar. Sim, falo da minha dor, que é física e me atormenta e atormentou a alma. Isso aconteceu numa altura em que ela não estava controlada. Sabes o que me fez parar?
Pensar no meu filho. Pensar que não mais o veria sorrir. E decidi lutar, lutar e lutar! Cheguei ao controle da dor e há dias em que penso que só a morte me trará paz, mas quero ser eu a esperar por ela e é por isso que tento arranjar coragem todos os dias. Por isso, e pelo meu filho e maridão.

Pensa no mais belo sorriso da tua filha e as nuvens dissipar-se-ão quase mágicamente.

De Fernando Lopes a 02.05.2014 às 00:19

Nada mais posso senão agradecer as tuas palavras e testemunho.

De Alice Alfazema a 02.05.2014 às 08:32

Olá Flopes!

Todos nós temos pensamentos negros, foca-te nos teus pontos de luz, como diz a Goli, eu creio que tens vários para além da tua filha, eu poderia escrever mil coisas, mas não quero ser maçadora, porque cada um tem as suas crenças e é nelas que vai buscar as suas raízes, no entanto podemos utilizar outras sementes, para produzirmos outras raízes que necessitemos, quem melhor que o próprio para saber aquilo que necessita? Lembras-te dos desejos de Ano-novo? Já concretizas-te algum?

O medo é uma coisa solitária, importa estares acompanhado, um livro, uma emoção nova, um cão, um passeio, uma sessão de Reiki, aprender algo novo...são pontos de luz, que iluminam pensamentos negros.

Um abraço

De Fernando Lopes a 02.05.2014 às 19:34

Já concretizei sim senhora, embora só parcialmente. Tenho uma terrível tendência a valorizar mais o mau que o bom, que tenho tentado combater. As tuas palavras ajudam e muito.

Um abraço e obrigado.

De Carla a 03.05.2014 às 23:43

Tu deves querer que eu vá país acima, vestida de vermelho só para ser mais dramático e perigoso, dar-te um valente par de estalos! Ai!

De Fernando Lopes a 04.05.2014 às 02:03

Nos casos de violência, a que uma mulher exerça sobre um homem é sempre notícia. Estou a imaginar o título no Correio da Manhã «Jovem tresloucada bate em quinquagenário indefeso». Que «cacha»! :)

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