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artesao.jpgArtesão senegalês 

 

Decidimos evitar as excursões organizadas onde toda a gente vai ver tudo ao mesmo tempo e visitar Sal Rei e o resto da ilha por nossa conta e risco. Para isso contratamos os serviços do Zé Silva, um jovem taxista casado com uma das empregadas do hotel. Por vinte euros vamos cinco pessoas até à capital da ilha, com a gestão do tempo e do que nos interessa ver.

 

Os censos de 2004 indicam uma população de 2.122 habitantes. Com a chegada do turismo vieram também os emigrantes senegaleses, que os cabo-verdianos consideram vendedores chatos e que produzem artesanato que não é genuíno. Quanto ao ponto dois estão cheios de razão, mas as suspeitas quanto à seriedade dos mesmos ficaram grandemente aplacadas pelo episódio pitoresco que conto de seguida.

 

 

No hotel existe uma ATM, pelo que decidi levantar 20 euros para teste. Contrariamente às máquinas portuguesas, as quantias menores estão à direita e não à esquerda. Assim, levantei 200 euros pensando que tinha levantado 20. Preparava-me pois para distribuir gorjetas de 10 e 20 euros em vez de 1 e 2, assim a modos de príncipe árabe na reforma. Em Sal Rei as crianças – acompanharam-nos a Susana e a filha – quiseram pulseiras e pequenas recordações. Pagámos o que julgávamos serem 3 euros quando afinal tínhamos dado ao vendedor 30. Saímos da loja e passados uns breves minutos o senegalês chama-me à parte. Explica que lhe tínhamos dado 30 euros em vez dos 3, devolve 20 e lamenta-se de não ter troco. Agradeço embaraçado e fico certo que a seriedade não é dos locais ou dos emigrantes, mas das pessoas.

 

Sal Rei é uma localidade pequena, com uma igreja, vários hotéis e restaurantes, pequeno comércio, um mercado municipal de frutas e outro de peixe e um porto de pesca.

 

Antes de partir ponho-me à conversa com um local, falamos da vida e da emigração para a europa, da cidade e ilha. Despedimo-nos com um abraço e a síntese é feita pelo meu interlocutor: «Português tem pouco dinheiro mas bô coração».

 

aspecto de uma rua de sal rei.jpgAspecto de uma rua de Sal Rei
outra rua.jpgMulher à porta de casa

 

mercado da fruta.jpgMercado Municipal

porto de pesca.jpgPorto de pesca

mercado do peixe.jpgMercado do Peixe
igreja de santa isabel.jpgIgreja de Santa Isabel
 

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4 comentários

De Maria Alfacinha a 13.07.2015 às 07:25

Ó pá... Image
Mas não é normalmente assim? Quem disse que ter dinheiro implica ter bom coração :-)
(e já há vários hotèis? conta mais...)

De Fernando Lopes a 13.07.2015 às 12:10

É uma bela frase, porque sintetiza um certo afecto que permaneceu entre os povos, mau-grado a história colonial. Sentimo-nos em casa, entre irmãos e isso deixou-me a reflectir sobre a atípica colonização portuguesa. Afinal os portugueses «inventaram» o mestiço. 
A Boa Vista tem 4 ou 5 resorts, alguns gigantescos, mas também tem uma praia de 18 km sem uma única casa.

De Maria Alfacinha a 13.07.2015 às 12:30

Eu costumo dizer que em Cabo Verde estava em casa, e o melhor piropo que ouvi em toda a minha vida foi lá, quando me chamaram crioula Image
(quando fui a Boa Vista não havia tantos hóteis, tenho quase a certeza; mas a praia deve ser a mesma...)

De Fernando Lopes a 13.07.2015 às 12:39

Como sou muito escuro, fiquei logo baptizado pela nossa assistente, Wilsa, de «moreno». Ó moreno, isto, ó moreno, aquilo. Em Sal Rei existem hotéis pequenos e tradicionais e agora há essa meia-dúzia de resorts, todos de capital e marca espanhola. É uma pena que os hoteleiros portugueses não tenham investido e estou em crer que a ilha está quase no limite do turismo sustentável. Se abrem muitos mais hotéis, os trilhos, o deserto, começam a ficar em perigo.

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