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Deixem os filhos únicos em paz!

por Fernando Lopes, 20 Fev 14

Anda por aí uma polémica terrível a propósito da imensidão de filhos únicos que são gerados neste país. Uma reportagem do Público perora sobre a protecção excessiva, egocentrismo, incapacidade para lidar com as frustrações e uma série de consequências de fazer corar de inocuidade as sete pragas do Egipto.

 

Na minha humilde opinião antigamente existiam imensas famílias numerosas por outras razões; primeiramente estará a falta de métodos contraceptivos eficazes – o famoso coitus interruptus é altamente falível; as crianças, em particular nos meios rurais e operários, eram uma força laboral a não desprezar e assim foi até aos idos de 80; por último, eram o mais aproximado a um PPR que os pais podiam aspirar: quanto estiver velho, algum dos dez tomará conta de mim.

 

Hoje, quem tiver as crianças a contribuir para o orçamento familiar corre sérios riscos de ir preso, com a pílula e a do dia seguinte só engravida quem quer e as instituições financeiras, seguradoras, e o estado itself, beatificamente, criaram uma série de formas de poupança e seguros que permitem que a maioria dos nossos velhos não morra de inanição.

 

Não, não foram as famílias que se transformaram, a sociedade é que o fez, e ao criar redes de protecção social, indirectamente, transformou o tecido social, a família e a parentalidade.

 

Irrita-me que hoje se considere que ser-se filho único é carregar consigo uma carga de tragédias, fazer parte uma geração de egocêntricos; algumas das pessoas mais auto-centradas que conheço têm um monte de irmãos.

 

Mesmo não sendo uma alma versada em análise sociológica, creio que há muito mais para lá do que vê o olho da reportagem do Público, tão aplaudida pelas alminhas que pensam sempre “no meu tempo é que era bom”, até no que ao fazer filhos diz respeito.

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4 comentários

De Fernando Lopes a 25.02.2014 às 19:20

É um facto meu caro, e partir do particular para o geral em casos destes é especialmente redutor.

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