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Contra proibicionismos.

por Fernando Lopes, 17 Abr 15

botellon.jpgImagem: https://hayleysalvo.wordpress.com/

 

O governo quer(ia) proibir a venda de qualquer tipo de bebida alcoólica a menores de 18 anos. Embora  compreenda a bondade da ideia estou certo de que é contraproducente. As proibições tendem a ter o efeito perverso de tornarem a transgressão mais aliciante. Hoje tudo acontece de forma mais rápida na vida dos nossos filhos, desde o namoro, relações sexuais, passando pelo pelas saídas à noite, e quase consequentemente, consumo de álcool.

 

Com 52 anos, tenho a sensação que vivi duas vidas. Quando era jovem era impensável que os pais nos autorizassem saídas antes dos 17, 18. E no entanto, na primeira escapadela nocturna não teria mais de 11 ou 12, uma fuga ao cinema, numa sessão que começava às 21:30. A mentira habitual: Para o pai do meu amigo íamos com o meu avô, para o meu avô íamos com o pai do amigo. O exemplo é clássico, mas permite tomar consciência de uma coisa: enquanto educadores os nossos filhos terão sempre modo de nos ludibriar.

 

Dentro de 4 ou 5 anos a minha filha começará com as saídas à noite. Tenho de viver com isso. Como é que penso combater os problemas? Informação, informação, informação, sinceridade, sinceridade, sinceridade. Prefiro que confesse que se embebedou e me peça para a ir buscar, à mentira. É para mim mais importante informá-la dos malefícios das bebidas alcoólicas em idades tão jovens, que proibir. Aliás, não tenho nem vontade nem legitimidade para proibir o que quer que seja. Ainda sou daqueles que recorda as loucuras de juventude, e quando questionado as não omite. Sabe ela que tive momentos selvagens e loucos, e é assim que deve ser, porque querer viver a vida toda num segundo é a essência de ser jovem.

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6 comentários

De bloga-mos a 17.04.2015 às 19:36

O que me fode com pouca solenidade é esta gentalha não perceber coisas tão simples como a lei seca mas isso sou e a minha estupidez intrín..seca... 

De Fernando Lopes a 17.04.2015 às 19:59

Esta gentalha não viveu, dedicou-se desde a mais tenra idade às nobre artes de dizer que sim e colar cartazes. É preciso ter sido jovem para os compreender. 

De .. a 17.04.2015 às 20:42

Por esta mesma razão, que aqui aponta "... tive momentos selvagens e loucos, e é assim que dever ser, porque querer viver a vida toda num segundo é a essência de ser jovem...."  Para lá do que possa alertar e esclarecê-la, como é muito bom, que  
faça o Fernando desculpe, partilhar consigo o meu ponto de vista, mas ela também lhe mentirá. Apesar de o amar, muito! De todos os alertas! No fundo, todos mentimos muito ou pouco, mais "grave" ou não,  porque isso (essa sensação do proibido) também, é, e faz parte, da essência de ser jovem! Nenhum de nós, mas nenhum mesmo, ficou isento de mentir aos pais (ainda que "piedosamente") uma vez que fosse, enquanto jovem. Isso, pode ser saudável e motivo de brincadeira e lembrança mais tarde, como se recordas das suas, se não for feito com maldade. Bfsemana. Desculpe ter comentado.

De Fernando Lopes a 17.04.2015 às 21:24

Tenho a perfeita noção de que vou ser alvo de truques, dissimulações, mentirinhas, omissões. Seria o único pai a ter um filho 100% sincero. Aliás, ninguém é. Mas se a figura paternal for a de uma pessoa a quem se pode dizer e perguntar tudo, o que é verdadeiramente importante será contado. Pelo menos assim o espero. 


Abraço.

De golimix a 22.04.2015 às 16:58

Como eu concordo contigo. Os meus pais eram uns proibicionitas natos! Por acaso eu até ia tento algum juízo, mas depois de namorar,  houve tantas mentiras.... Se assim não fosse acho que por esta altura ainda era virgem e vivia sob a alçada deles. Eu informava-me sozinha, lia na biblioteca da escola, perguntava aos professores. Enfim. Uma tipa que  creceu com alguma dificuldade a a saber virar-se sozinha.


A informação devia ser o lema.
O meu filho, para já,  vai-me contando tudo e a verdade.  Até ao momento em que eu tenha que estar atenta e fazer poucas perguntas.  

De Fernando Lopes a 22.04.2015 às 19:50

Obviamente, há um espaço de privacidade que não pretendo invadir. Até prova em contrário a informação e capacidade de ouvir continuam a ser boas armas. O teu rapaz vai fazer asneiras como nós fizemos. Faz parte do processo de crescimento, basta-nos estar lá para apoiar e informar.

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