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Clara Ferreira Alves e o PS da Fonte Luminosa.

por Fernando Lopes, 11 Out 15

Interessado no debate político sigo regularmente «O Eixo do Mal» por reconhecer no painel uma qualidade que escasseia no comentário político: honestidade intelectual. Quase nunca concordo com Pedro Marques Lopes, mas reconheço-lhe um pensamento coerente e princípios sociais e humanistas da social-democracia. Estou quase sempre mais próximo das posições de Daniel Oliveira, mas nutro admiração intelectual por Clara Ferreira Alves. Durante os quatro anos de governo da coligação, indignou-se com a deriva direitista do governo, a acefalia face ao directório franco-alemão, o desemprego o empobrecimento. Ontem, ei-la talvez não surpreendentemente, a defender acordos parlamentares entre o PS e a PàF, encarando a possibilidade de uma aliança à esquerda como contra-natura e capaz de provocar sobressaltos nos «mercados». Sei há muito que o PS meteu o socialismo na gaveta, é mais conservador que a maioria dos partidos sociais-democratas europeus. Sei bem que co-existem dois PSs, um partido de poder a qualquer custo, e outro que ainda conserva ténues ideias de esquerda. Do primeiro demitiu-se Sérgio Sousa Pinto, um profissional da política desde os tempos das jotas e que nunca teve um dia de trabalho «normal». Este valoroso moço nunca fez a ponta de um corno excepto coçar o rabo pelas cadeiras do aparelho, vejam bem a dimensão da perda. Este PS que vocifera contra a direita e depois de agacha, servil e pactuante à frente da mesma, não é de esquerda, não serve à esquerda. Clara Ferreira Alves, não ultrapassou os tempos de PREC, ainda foi capaz de dizer «eu estive na Fonte Luminosa». Cara Clara, isso foi há quarenta anos, não vale a pena ficar presa no tempo. As coisas mudam, e este é um tempo de mudança.

 

Reconheço que como vencedora das eleições, a coligação PSD-CDS deve ser convidada a apresentar uma solução governativa. Se o não conseguir, não vejo nem constitucionalmente, nem politicamente impedimento para que outros o façam. Lamento que o espírito de revanche de alguns socialistas ainda esteja tão vivo. Neste tempo de divisões acentuadas, esse fantasma do passado conduzirá o PS num futuro não muito longínquo à irrelevância política. Se a Clara prefere validar um governo de direita, é lá com ela. A história encarregar-se-á de provar quem tinha razão.

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21 comentários

De Kruzes Kanhoto a 11.10.2015 às 14:20

Há coisas que nunca mudam. O PCP é uma delas. Comunistas no governo do meus país?! Não, obrigado!

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 15:05

Os comunistas são cidadão menores, diminuídos nos seus direitos? Apátridas? O país não é seu, é de todos, comunistas e não comunistas. 

De Ana A. a 11.10.2015 às 15:12

Subscrevo a sua posição. Ontem, a Clara desiludiu-me. Quanto ao PS acho que chegou a hora de se clarificar perante o seu eleitorado, acho que anda muita gente enganadinha quando vota PS.

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 15:53

Neste momento era importante que o PS definisse de uma vez por todas se é ou não de esquerda. Se se cola à direita terá o mesmo destino que o PASOK.

De G. a 11.10.2015 às 16:02

Fernando, alguma vez leste o programa do PCP? Conheces a história do comunismo? 
Há muita gente que prefere dizer que o Partido Comunista Português é diferente, mas a verdade é que não é (nem diz ser, basta ler o seu manifesto), simplesmente nunca incomodou grande coisa, porque nunca governou. Um partido que é contra o projecto europeu, contra o euro, como pode (ajudar a) governar o Portugal do século XXI?


Um abraço.

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 16:53

G. o meu pai esteve detido por ligações ao PC. Li «O Capital» e o «Manifesto Comunista» com 14 anos sem entender quase nada daquilo. Não acho que seja um boa ideia ter o PC o governo, não vejo nada de mal em acordos parlamentares. Eu mesmo tenho profundas dúvidas sobre o que apelidas de «projecto europeu» ou a bondade do euro. 

De G. a 11.10.2015 às 17:24

Podemos sempre questionar a forma (que tem sido desastrosa), mas nunca o caminho. Novamente "orgulhosamente sós"?! 
Acima de tudo e qualquer coisa, a luta pela democracia. No comunismo, não há democracia.
Deixo-te mais um abraço.

De G. a 11.10.2015 às 17:30

(e tb tenho - ainda vive :) - um grande comuna na família, mas para ele - que não era da elite do partido - tratava-se "apenas" de lutar contra um ditador e a sua corja. alimentava-se de uma utopia, onde se branqueava a ideologia politica que mais mortes fez no mundo - que, ao contrário do que muita gente pensa, não foi o nazismo, foi o maldito comunismo)

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 17:43

Não se trata de defender o comunismo como ideologia, ou de fazer o seu branqueamento histórico. Não poderás negar o papel histórico dos comunistas na resistência ao fascismo ou no sindicalismo em Portugal. Pela primeira vez na sua história recente o PC está disposto a fazer cedências, a alinhar numa política próxima da social-democracia, avançando para acordos parlamentares. Obviamente também joga aqui o seu instinto de sobrevivência face ao inesperado crescimento do Bloco, mas não tenho esse terror dos comunistas que parece ser da tua natureza e da da maioria dos portugueses.


Beijo democrático. :)

De G. a 11.10.2015 às 18:22

Hás-de me dizer em que é que o PCP já "cedeu", nesta vergonha que o PS está a fazer ao País. Quem votou no programa do PS, não votou no programa do PCP ou Bloco e vice-versa (ambos tãoooo distintos do programa do PS). Tudo isto não passa de uma palhaçada (o Costa não larga o osso de forma nenhuma. Se tivesse coluna vertebral, já se tinha demitido e permitiria o que tanta falta faz no PS, uma limpeza.) Ninguém se iluda, nada disto é em prole dos portugueses, mas tão somente sobrevivência politica. Não sejamos cegos. E mais te digo, o Passos, perto do mafias do Costa, é um menino.


Um beijo :)

De G. a 11.10.2015 às 18:24

*prol 

De G. a 11.10.2015 às 18:28

Não se se lhe posso chamar terror, mas abomino partidos de extrema, seja de direita, seja de esquerda. Além do mais, sou completamente contra a ideologia comunista. 

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 19:10

Acabas de travar diálogo com um desses perigosos extremistas e nada aconteceu.


Disclaimer: Durante esta conversa nenhuma criancinha foi comida, nenhum velhinho levou uma injecção atrás da orelha.

De G. a 11.10.2015 às 19:23

«Portugal livre e soberano, um País que comanda o seu destino, um povo que constrói o seu futuro.

Romper com as dependências externas, reduzir os défices estruturais e recuperar um desenvolvimento soberano. O que exige a renegociação da dívida nos prazos, juros e montantes, a intervenção com vista ao desmantelamento da União Económica e Monetária, e o estudo e a preparação para a libertação do País da submissão ao euro, visando recuperar instrumentos centrais de Estado soberano (monetário, orçamental, cambial); a eliminação de condicionamentos estratégicos pelo controlo público de sectores como a banca e a energia.

Afirmar a soberania e a independência nacionais, numa Europa de cooperação de Estados soberanos e iguais em direitos, de progresso social e paz entre os povos, rompendo com a conivência e subserviência face à União Europeia e à NATO.»

http://www.pcp.pt/programa-eleitoral-do-pcp


Tenho bases em economia e bom senso suficiente para te poder dizer que o programa do PCP, se não for para rir (e a mim pouco me apetece rir), é simplesmente inexequível.  E, olha, volto a dizer-te, faz-me lembrar o outro, do orgulhosamente sós. 

De G. a 11.10.2015 às 19:26

E já que és comunista, explica-me lá como é que o teu partido critica constantemente o PS no seu programa às eleições e agora vai fazer coligação com ele (sob o mesmo Costa, anterior às eleições). A sério, explica-me. Explica-me que merda de palhaçada é esta, onde todos esquecem tão depressa o que defendem/escrevem, só para ir ao pote. 

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 19:28

G. não sou comunista, nunca fui. Não me ponhas a defender ideias que não são as minhas. 

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 19:27

A renegociação da dívida terá de ser feita, mais tarde ou mais cedo. Quando à saída do euro, ninguém sabe, nunca foi tentada. Não me seduz, mas também não me repugna. E para que conste, não sou eleitor do PC, só não lhes vejo peçonha. 

De G. a 11.10.2015 às 19:33

Fernando, eu não vejo peçonha nos comunistas, apenas não esqueço do que se trata. Até este momento, em que se começou a falar desta coligação de esquerda (santo deus, 3 programas diferentes, 3!!!), tinha o maior respeito pelo Jerónimo de Sousa (e olha que respeito poucos políticos), mesmo não concordando com as suas ideias.

De Fernando Lopes a 11.10.2015 às 19:34

Eu ando mais por estas águas. São uma utopia bem sei, mas gosto de utopias.
http://aesquerdalibertaria.blogspot.pt/2013/10/o-pequeno-manual-do-anarquismo.html#.Vhqq31SrTs0

De G. a 11.10.2015 às 19:39

:b

De G. a 11.10.2015 às 19:36

A saída do euro, com o país completamente dependente das importações??? Como sobreviveríamos? Íamos todos lavrar os campos?? E com que máquinas?


Essas ideias seriam válidas se fossemos um pais exportador, com boa economia.

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