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Auto-Estima.

por Fernando Lopes, 2 Ago 15

Tenho poucas razões de queixa, a vida deu-me mais do que merecia tanto no plano afectivo como familiar. Vivo numa pequeno-burguesa despreocupação, rodeado por amizades sólidas, amores seguros, sem pensar demais nos escolhos que possam surgir neste caminho tranquilo. Não tenho invejas ou ódios no farol que me orienta.

 

Poderia esta tranquilidade minimizar as minhas inseguranças, mas fazem parte de mim como pêlo incrustado na pele. Um psicólogo dir-me-ia que este facto remonta à permanente sensação de abandono que me acompanha desde a infância. Facto é, que o trauma de ter sido colocado de um modo temporariamente permanente em casa dos avós, teve o condão de fazer com que sempre me sentisse enjeitado.

 

Sempre fui inseguro, nunca me achei particularmente talentoso no que quer que fosse. Vivo rodeado por pessoas – particularmente machos – que se acham a quinta-essência. Belos, talentosos, habilidosos, eloquentes, garanhões, não há fim para a sua auto-estima.

 

Vejo-lhes qualidades e defeitos, muito raramente a grandeza por que se acham abençoados. Peno por não encontrar esse caminho onanista, onde fazer amor com o espelho é o sexo mais compensador que se pode encontrar.

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11 comentários

De Carlos Azevedo a 02.08.2015 às 02:54

Só vejo uma solução: tens que mudar de companhias. 
Abraço

De Fernando Lopes a 02.08.2015 às 11:34

Gosto de observar as relações e teias sociais. Mesmo com os meus nulos conhecimentos de psicologia sinto-me um David Attenborough do comportamento humano. E como bem sabes, a vida, o trabalho, forçam relações que por opção evitaríamos. 


Abraço.

De Carlos Azevedo a 02.08.2015 às 13:56

Sim, é verdade que não temos como evitar certas relações, mas não é menos verdade que mantemos muitas por pura indolência. Por mim falo.
Abraço

De HORIZONTE XXI a 02.08.2015 às 11:08

Não queiras,
a realidade é muito mais "vida" quando se questiona tudo.
Dói? - pois dói.
Mas não trocaria essa capacidade por um espelho opaco.

Abraço livre

De Fernando Lopes a 02.08.2015 às 11:38

É verdade isso, sempre questionei tudo, principalmente a mim mesmo. Do lado de lá do espelho está um ser frágil e inseguro. É bom ou mau? Não sei, é uma circunstância que parece que partilhamos.


Abraço libertário.

De Maria Alfacinha a 02.08.2015 às 20:45

Prefiro-te assim, conhecedor das tuas "fraquezas" :-) E no que toca a machos que se acham a quinta-essência... é o que te dizem, não é? 
Pois... talvez te surpreendesses Image
Voto no Carlos Azevedo: troca de companhias!

De Fernando Lopes a 02.08.2015 às 21:24

Procuro ser seguro nas minhas inseguranças. ;)
Provavelmente é uma questão de personalidade, uns exacerbam o seu lado bom outros minimizam-no. Como é um tipo de carácter completamente oposto ao meu, nunca deixa de me surpreender. 

De Genny a 03.08.2015 às 11:03

Sempre fui insegura e continuo a ser, e a juntar a isto a timidez e baixa auto-estima leva-me a olhar para o espelho e não reconhecer qualquer utilidade. 
Mas realmente, o ego absurdo de certas pessoas consegue ser maior que o espelho.


Bom dia, Fernando!

De Fernando Lopes a 03.08.2015 às 12:28

Genny, muitas vezes menorizamos as nossas qualidades, o que também não faz sentido. Provavelmente necessitamos de olhar para nós próprios de outros ângulos. Não sei, acho que é da natureza das pessoas.


Abraço.

De henedina a 04.08.2015 às 00:33

It is an injustice, it is!
Guchi, guchi, guchi!
Fernando, com os seus olhos e o jeito para a prosa quem é o garanhão que o ultrapassa? Vá lá.
Amores seguros, amizades sólidas... que mais quer?!

De Fernando Lopes a 04.08.2015 às 08:28

Hendina, há demónios que insistem em conviver connosco. Não se trata de apelo à piedade ou sentimento de inferioridade, só marca de infância. Todos as temos, fazem parte de nós. 
Quanto aos olhos e jeito para a prosa, é o seu carinho que a faz ver as coisas desse modo. É recíproco. 

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