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Ateu, graças a deus.

por Fernando Lopes, 24 Nov 15

Algo que ostento com certa soberba é o facto de não ter sido baptizado, algo absolutamente invulgar nos idos de 1963. As religiões, dogmáticas por natureza, sempre foram obstáculo ao livre pensamento. Tiveram os seus membros brilhantes, que defenderam a liberdade, igualdade, justiça, mas sempre foram excepções, já que qualquer religião oprime, normaliza, arregimenta. A nossa finitude, o porquê de aqui estarmos e sermos, são questões que não encontram respostas na filosofia, muito menos na religião.

 

Os fanáticos islâmicos que matam quem vive de modo diferente do que um texto medieval preconiza, os padres pedófilos, conventos que escravizam noviças, loucos judeus que impedem a autodeterminação de um povo, são todos farinha do mesmo saco.

 

Ser ateu e não querer nada com a pestilência fanática e acrítica das religiões é a única atitude possível para um ser pensante digno desse nome no século XXI.

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12 comentários

De Pseudo a 24.11.2015 às 20:38

A minha avó, ser pensante de 84 anos, ainda consegue citar a Bíblia de cor e salteado quando lhe convém usar argumentos caquéticos já cientificamente esgrimados e desconsiderados. Afirma, com convicções absolutamente dogmáticas, que rezar a deus a ajuda a suportar os seus dias de mãe de 2 comunistas licenciados ateus e que estão materialmente bem na vida e de uma senhora (a minha falecida mãe) que "se ainda fosse viva, não me deixaria aqui no lar, não."
Enfim...apesar das nossas discussões, eu já nem tento fazer-lhe ver que há mais religiões do que a que ela segue fervorosamente há mais de 80 anos.

De Fernando Lopes a 24.11.2015 às 20:47

A sua avó foi educada assim, e é humano que com o avançar da idade nos centremos numa esperança para lá do que conhecemos. O que me confunde são os novos «cristãos culturais» que não são religiosos, apenas seguem uma tradição (casarem-se pela igreja, baptizar os filhos). Longa vida à avozinha que se ainda refila, é sinal que conserva as suas faculdades mentais. :)

De redonda a 24.11.2015 às 22:09

Bem, por acaso, eu fui baptizada, mas não me lembro...

De Fernando Lopes a 24.11.2015 às 22:30

Gábi, em 2005 o facto de não baptizar a minha filha foi uma pequena batalha que travei contra o abominável «cristianismo cultural». 

De Cristina a 25.11.2015 às 09:10

Pois cá aparece alguem que não tem a mesma opinião dos restantes, apesar de a respeitar. Não creio no "cristianismo" do imperador Constantino, nem no Islamismo radical de quem apenas cita Deus para tentar justificar os seus atos atrozes, nem no Induísmo que tanto está na moda (mesmo que de forma dissimulada) e depois se regem por castas que desvalorizam a pessoa como ser humano, nem no Budismo de um buda que nunca foi gordo e muito menos pediu para que alguem o adorasse...e podia continuar.
Creio num Deus que é invisivel mas real e que se manisfesta a cada um de forma unica e especial e que está muito acima de religiões.
Tambem não batizei o meu filho, ele decidirá o que desejar, mas desejo que ele encontre o mesmo Deus que eu um dia procurei e se mostrou a mim.

De Fernando Lopes a 25.11.2015 às 18:53

Encontrar o divino é diferente de encontrar Deus. Se encarar «algo superior» como uma construção, então - algo superior - como diz, está onde quisermos, na natureza, no homem, numa obra de arte, num livro. 

De Cristina a 26.11.2015 às 10:18

Fernando, eu não disse que encontrei o divino, mas que encontrei Deus. É efetivamente diferente! Apenas com uma Pessoa podemos ter um relacionamento, e é isso que tenho. A natureza e afins são criação, não são Deus!


Mas é bom falar consigo! :)

De Fernando Lopes a 26.11.2015 às 20:20

Encontrar um caminho, um interlocutor, seja Deus ou quem quiser é sempre bom. Como não sou religioso despeço-me com um pagão «May the force be with you».


Abraço.

De Genny a 25.11.2015 às 09:57

Bom dia, Fernando!

De Fernando Lopes a 25.11.2015 às 18:56

This is a video response to Genny.


https://youtu.be/3TFdHi8E-h4

De Ana A. a 25.11.2015 às 12:13

"Algo que ostento com certa soberba..."
Ora, aí está! Fosse o Fernando fiel ou simpatizante de alguma religião saberia que não se "deve" sentir soberba e muito menos vangloriar-se dela em público. :)
A espiritualidade é muitas vezes confundida com a religião. Eu, sendo criada na religião católica, debandei aos 17 anos e vagueei entre o niilismo até à espiritualidade, que não tem que ver com qualquer religião, obviamente! Assim, em 1998 não baptizei a minha filha, e houve uma certa altura em que lhe era estranho as coleguinhas da primária irem para a catequese e ela não. Frequentou no 5º ano a disciplina de Religião e Moral, mas a partir do ano seguinte já não foi, pois essa disciplina tinha uma vertente muito mais catequizadora do que história das religiões.
Distingo entre o Ser religioso e o Ser espiritual. E o que é bom para mim não será, necessariamente, bom para o outro. Mas o que é mau para mim poderá ser mau para o outro, logo, tento tratar os outros como gosto de ser tratada.
E porque gosto do Fernando desejo-lhe, sinceramente, que com crenças ou sem crenças seja feliz, e viva com a maior paz de espírito possível!

De Fernando Lopes a 25.11.2015 às 19:03

Eu também distingo entre religioso e espiritual, principalmente quando esse espiritualismo se converte em humanismo. Paz de espírito é que não sei o que é, nasci, cresci e vou morrer atormentado.


Abraço.

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