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Nada nem ninguém passou intocado pela crise. Todos vimos amigos, familiares, conhecidos, caírem no desemprego, emigrar, ter um orçamento brutalmente reduzido, assistimos quase placidamente ao aumentar das desigualdades entre os que mandam e a massa informe a que se convencionou chamar povo.

 

Exacerbaram-se os egoísmos, e chegou-se ao estado actual do «salve-se que puder», tão do agrado dos nossos governantes. Sempre procurei lutar contra este instinto básico, em que o homem perde o que lhe é mais nobre: a capacidade de entreajuda, de se colocar no lugar do outro.

 

Ocasionalmente dou por mim a desejar que um ou outro estafermo se espalhe contra a parede, que morra envenenado com a mordedura da sua língua bífida.

 

Entristece-me profundamente, porque por momentos não sou melhor que eles, apenas mais um náufrago egoísta que se procura agarrar a uma bóia sem olhar para quem está ao lado. Reconhecer que atraiçoamos o nosso modo talvez seja o primeiro passo para que tal não se repita. Ou então não somos tão sólidos como julgávamos, e o nosso carácter, também ele ocasionalmente fraqueja.

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17 comentários

De pimentaeouro a 29.06.2015 às 23:23

Individualmente pouco podemos fazer, deviam existir mais instituições  de solidariedade.

De Fernando Lopes a 30.06.2015 às 00:16

Mas podemos sempre começar por nós mesmo, sendo melhores seres humanos.

De pimentaeouro a 30.06.2015 às 01:16

Certo

De O Homem Certo a 29.06.2015 às 23:27

Reconhecer que não estivemos bem, ou ter pensamentos menos próprios dos outros, faz-nos refletir no que temos de melhorar. Nem sempre é fácil, mas é um caminho.
Há dias em que não me apetece ser melhor, mas sim ser pior, porque *as vezes parece que o valor é  mesmo.
Felizmente nos dias normais tento ser cada dia melhor, uns consigo outros não, mas no trabalho quando alguém precisa de ajuda e não pede, confesso que assobio para o lado

De Fernando Lopes a 30.06.2015 às 00:20

Precisamente nos dias em que não nos apetece ser melhor, mas pior, é que devemos fazer tudo para inverter essa lógica, e tentar que cada vez mais, um maior número de dias sejam «dias melhores».

De bloga-mos a 30.06.2015 às 03:14

Já me custa andar na rua sem puxar da minha tesa carteira física e emocional...

De Fernando Lopes a 30.06.2015 às 08:08

No meio da tua «maluquice», tens uma carteira emocional cheia, que eu bem sei.

De golimix a 30.06.2015 às 18:57

O problema é mesmo esse. Então no Porto anda muita gente a pedir nas ruas. Acho que aumentaram...

De Fernando Lopes a 30.06.2015 às 19:12

O quê? «Temos os cofres cheios» e «As pessoas estão pior mas o país está melhor». Acho que há tanta falta de alimento como de um ombro amigo. Sou um coração de manteiga, ajudo todos os que posso. 

De Maria Alfacinha a 30.06.2015 às 10:24

Somos apenas humanos...

Reconhecê-lo é o mais importante Image

De Fernando Lopes a 30.06.2015 às 18:57

Gostava de reconhecer menos e superar-me mais, Maria. Isso sim seria bom sinal. 

De Fernando Lopes a 30.06.2015 às 19:01

Está a dar erro, mas para me fazer rir às gargalhadas bastam as crónicas do José Manuel Fernandes ou da Helena Matos. Os maoistas reconvertidos são sempre muito divertidos. ;)

De golimix a 30.06.2015 às 18:58

Uma reflexão que nos vai consciencializando para o nosso eu e a mudança de atitudes que deveremos ter.

De Fernando Lopes a 30.06.2015 às 19:04

É a natureza humana, Lina Maria, com todas as suas glórias e misérias. Podemos lutar com ela, mas não a podemos afastar.

De Diogo Martins a 14.07.2015 às 03:38

Não se compreende. Consigo ver os dois lados,pessoas a precisarem do básico, e outros,com grandes roupas,não consigo entender a consciência da sociedade, há muitas desigualdades. É muito triste quando gira tudo a volta do dinheiro.Infelizmente eu estou a passar por essa fase em que o dinheiro faz falta e alimenta muitos sonhos. O problema é as telenovelas e toda aquela porcaria que passa nos canais portugueses. Acho que não somos um povo unido e então se formos ao futebol,transferências de milhões, não consigo aceitar e não gosto do mundo assim.

De Fernando Lopes a 14.07.2015 às 11:23

Uma das grandes estratégias do governo foi dividir para reinar. Só assim se compreende que tenham colocado funcionários do privado contra os do público, a classe média contra o RSI, novos contra velhos. O nosso povo parece que gosta de ser esmagado. 

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