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As máquinas de resultados.

por Fernando Lopes, 8 Nov 15

Passamos a competitividade feroz do mundo do trabalho para o ambiente escolar, transformando as nossas crianças em máquinas de resultados. Nunca a minha filha teve más notas, bem pelo contrário, tirando sempre entre 4 e 5, com um ocasional suficiente a matemática.

 

Para o mundo de hoje não basta. Não sendo suficiente a sobrecarga horária a que está sujeita, é brindada com páginas e páginas de trabalhos de casa, pelo que o fim-de-semana se transforma em longos momentos de estudo intercalados por lazer. Os miúdos não descansam, não brincam, não são crianças. Tem tido notas bastante razoáveis, mas acusa a necessidade de querer ser ainda melhor, por pressão da escola e afirmação entre os colegas.

 

Hoje queria sair do vólei porque não tinha tempo suficiente para estudar e ser das melhores. Ao matriculá-la num estabelecimento privado tinha perfeita noção que o grau de exigência seria maior. Apesar de tudo não penso que o ensino público seja muito mais benevolente com os alunos. A minha sobrinha anda pressionadíssima com as notas para poder entrar na faculdade, o mais pequeno teve de fazer um teste para ser admitido num determinado liceu público.

 

Estamos a criar futuros adultos saudáveis, com multiplicidade de interesses e vivências ou crianças e jovens com fracas capacidades sociais, apenas orientados para uma ideia falsa de sucesso? Algo está mal, muito mal com o nosso ensino, e como pai sinto imensa preocupação e dúvidas sobre se não estaremos a sonegar à infância e juventude, a despreocupação e alegria que os nossos filhos deveriam ter.

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12 comentários

De Sandra a 09.11.2015 às 10:33

É uma competição absurda!! E começa cada vez mais cedo! O meu filho, hoje com quatro anos, só começou a falar com quase dois anos, coisa que o pediatra achou normalíssimo, visto que achava que ele ainda não estava preparado para isso. Mas socialmente não foi fácil! No ano dele houve um "baby boom" para estes lados e todas as outras crianças, mesmo as que nasceram no final do ano, começaram a falar todas antes dele! E já caminhavam antes de um ano de idade! Ainda não percebi porquê que ainda não ganharam um prémio Nobel qualquer!! Puxa... E ainda continua: os pais já os inscreveram na natação, no ballet, na ginástica, no basket e alguns até em inglês!! O meu tem ginástica e natação que são patrocinadas pelo Município e mais nada!! Mas, pelo andar da carruagem, todos os outros vão estar na universidade aos 10 anos e o meu fica um calão porque a mãe não quis saber!!

De Fernando Lopes a 09.11.2015 às 12:24

Sabemos que as crianças têm imensas actividades extra-curriculares para ocupar o tempo em que os pais estão a trabalhar. O que não é normal é não terem tempo para ser crianças, ou sentirem a obrigação de serem brilhantes na escola desde tenra idade. Os filhos não são um espelho da vaidade dos pais, antes seres autónomos com personalidade própria. É deixá-los serem crianças!


Abraço.

De Sandra a 09.11.2015 às 15:10

Pois aí está o problema: é que 80% dos pais que têm filhos no mesmo jardim de infância do meu filho têm horários bons para irem buscar os filhos - saem às 17:00h)! Não têm necessidade de os colocar em actividades extra curriculares porque o município assegura o almoço e o prolongamento até às 19:00 (e quando necessário as funcionárias ficam com as crianças até às 19;30h). Eles já têm actividades dentro do Jardim Inf.: natação, ginástica, a biblioteca escolar que organiza a hora do conto e faz um pequeno teatro todas as semanas, sessões de "cinema" no auditório todas as semanas, visitas a algumas entidades externas (como o lar de idosos, a corporação de bombeiros, etc. quando o tempo permite...), participam nas actividades sazonais do agrupamento (magustos, etc.). As actividades extra curriculares em que os pais os colocam são, não só aos dias de semana, mas também aos sábados de manhã/tarde - aulas de inglês, ballet, ginástica e natação porque os professores do município não "puxam" o suficiente por eles, basket porque sim... "O S. já sabe os números até dez em inglês, mas o L., que é 2 meses mais velho, ainda só vai no três." ; "O teu T. ainda dá muitos erros a falar, não achas que o devias levar à terapia da fala?" 

E brincar?? Quando é que têm tempo? Eu acho isto assustador quando as crianças têm 4 anos mal feitos, é que estou a desconfiar que isto vai ser só o princípio... 

De Fernando Lopes a 09.11.2015 às 16:10

Não a vou iludir Sandra, na minha humilde experiência, com o tempo, tende a piorar.

De Sandra a 09.11.2015 às 16:38

Bem, é de maneira que vou treinando para mais tarde... Image  

De Ana A. a 09.11.2015 às 12:34

Fernando, a minha filha está no 12º ano no ensino público. No 10º ano dois colegas dela com maior poder económico mudaram-se para colégios privados (vá-se lá saber porquê?!)    ; :)
Um desses colegas tirou notas no 11º ano muito boas a Biologia e Físico-Química, só que no exame as notas não foram tão boas assim (vá-se lá saber porquê?!).
A minha filha desde tenra idade foi sensibilizada para que fosse responsável, tentasse sempre dar o melhor possível, não copiasse, pois o que interessa é o esforço e a metodologia desenvolvidos para atingir os resultados. Também foi ensinada a repudiar a chico-espertisse ", para passar à frente dos honestos que trabalham, para que haja igualdade e justiça. Porque no fim das contas, o que interessa é o que fica assimilado como conhecimento e aprendizagem de vida.
Posto isto, não stressar demais, pois há mais vida para além da vida de estudante e da entrada na faculdade, e se nós alinharmos todos pelo diapasão actual, então podemos esperar sentados que isto nunca mais mudará.

De Fernando Lopes a 09.11.2015 às 13:13

Ana, o que me incomoda é que as crianças são «amestradas» desde tenra idade para serem o mais competitivas possível, terem como preocupação superar o outro. Como sabe, nunca defendi nem incuti esses valores à minha filha, mas a pressão externa, quer do colégio, mas principalmente dos colegas, existe. Todos querem ser o(a) melhor, autênticas máquinas de competição. Eu só quero que ela seja feliz e viva a infância, para o resto tem o tempo todo deste mundo.

De Maria Manel a 09.11.2015 às 14:40

A minha filha vai ter uma desculpa - a mãe é velhota e já não está para correr tanto ;-)


O ritmo vai ser o dela - o pior é se corre muito sózinha ...

De Fernando Lopes a 09.11.2015 às 15:06

O problema não é muitas vezes dos pais, mas da envolvente escolar. Podes ser a mãe mais relaxada do mundo e a tua filha ser uma stressada com as notas. Espera para ver o que acontece.

De Maria Manel a 09.11.2015 às 16:00

Por acaso, ela tem pinta de stressada com os desafios - vou ter que correr mesmoImage
Bjs

De Anónimo a 11.11.2015 às 19:00

Dava tudo para ter mais pais a escrever coisas destas, a escola já não humaniza, até desumaniza. A minha filha disse-me muitas vezes que eu devia ser a única mãe do mundo que dizia a uma filha para não estudar mais. A verdade é que acho que tive êxito, apesar de ser muito boa aluna, gosta de fotografia, de teatro, faz voluntariado...lutei para que a escola não a sugasse por inteiro. E continuo a luta com os meus alunos, aos quais digo que se não aprenderem a pensar por eles próprios, tudo o resto não vale nada.
~CC~

De Fernando Lopes a 11.11.2015 às 19:27

Para si, como docente e mãe deve ser ainda mais assustador. Esta obsessão pela performance está também muito ligada aos rankings que passaram a ser o objectivo número um da direcção das escolas. Mais que ensinar a ser livre, pensar livre, criam-se «alunos amestrados» prontos a fazer tudo para serem o número um. Ainda sou do tempo em que na faculdade, apesar de alguma normal competição, se emprestavam sebentas. Não creio que seja frequente nos dias de hoje. 

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