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Amor-próprio.

por Fernando Lopes, 2 Ago 16

Não sendo um prodígio de auto-estima, fazem-me confusão os homens que por um rabo-de-saia deixam de ser quem são. Vejo-os por aí, a seguir a fêmea desejada com se de um rafeiro se tratasse, sem personalidade, vergando-se a caprichos, sendo joguete nas mãos de quem assim o quiser. Se há coisa que não fiz, por muito apaixonado que estivesse, foi deixar de ser quem sou, manter um lampejo de racionalidade nos afectos. Não me vergo aos desejos de uma qualquer ninfa mesmo que tenha grande vontade de o fazer. Manter-me no meu lugar, ter personalidade, carácter, o meu modo de fazer as coisas, é algo de que não abdico. Dir-me-ão que nunca estive verdadeiramente apaixonado. Ao ponto de perder a identidade, de facto, nunca. As pouquíssimas mulheres que me amaram verdadeiramente nunca pediram que me transformasse em algo que não sou, nunca quiseram ter um «escravo do amor», antes um homem inteiro, íntegro, pleno de altos e baixos, seguro das suas inseguranças, mas mantendo sempre, sempre, a cabeça erguida. Sei que o que escrevo é polémico, passível de críticas, que me dirão que nunca vivi a loucura do amor. Se existem pessoas que deixam de ser quem são pelo facto de estarem num momento de grande envolvência amorosa, não eu. Assim sempre fui e assim vou permanecer.

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27 comentários

De Ana A. a 02.08.2016 às 23:33

Nesta área identifico-me 100% consigo!
E no balanço do deve e haver, acho que o saldo é positivo = a equilíbrio (seja lá isso o que for). De qualquer forma, nem que eu quisesse não poderia fazê-lo porque não é da minha natureza.

De Fernando Lopes a 02.08.2016 às 23:55

«nem que eu quisesse não poderia fazê-lo porque não é da minha natureza» sintetiza tudo. Obrigado.

De alexandra g. a 03.08.2016 às 01:06

equilíbrio, nas paixões?
oh caraças, onde eu ando a comentar! Image

De Fernando Lopes a 03.08.2016 às 07:26

Isto é gente que não interessa a ninguém, pois se «racionalizam» paixões! :)

De alexandra g. a 03.08.2016 às 08:41

e eu a pensar que a malta, no Puârto, era toda explosiva & assim :)

De Fernando Lopes a 03.08.2016 às 08:51

Semos explosivos, mas não semos parvos. :)

De alexandra g. a 04.08.2016 às 00:34

Belmondo, e se eu te disser que estou absolutamente apaixonada pelas minhas filhas, desde o momento em que soube de cada uma das gravidezes, tão desejadas?


É que estou, e percebo que não é aquilo do amor maternal, a que habitualmente é 'reduzida a questão', mas verdadeira paixão, se formos ao étimo?


Estou. Absolutamente apaixonada, e nada quebra isto. A chatice é terem transportado o étimo (apanhem os culpados!) para o lugar errado.

De Fernando Lopes a 04.08.2016 às 07:27

E quem te disse que a paixão só tem uma forma? O amor pelos filhos é uma sublimação como qualquer outra. Entendo isso. 

De Ana A. a 03.08.2016 às 15:43

Cara alexandra g. 
se existe equilíbrio não existirá paixão. Sendo a paixão um estado alterado de consciência, nem todos (in)felizmente têm acesso a ela, não sei se por defeito genético ou outro...
Amar não terá que ser, necessariamente, com paixão. Aquele sentimento descontrolado que como diz o Fernando "faz perder a identidade" e tornar-se um «escravo do amor».

De alexandra g. a 03.08.2016 às 19:03

cara Ana,


não interpreto a paixão em nenhum extremo, que considero merecedor de atenção psiquiátrica; entendo-a, e sinto-a, claro, como um arrebatamento, um desassossego prazeiroso que, eventualmente (depende da intensidade que o 'objecto' nos provoca), contribui muito positivamente para nos tornar mais, digamos, dançantes :)


o Pessoas era um fiteiro... :))

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