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Amor cigano.

por Fernando Lopes, 3 Jun 14

No jornal de hoje prendeu a minha atenção um caso de amor proibido entre ciganos que acabou em tiroteio. Posso ser um tolo romântico, serei certamente criticado, mas enternecem-me estas histórias extremas de amor. Os amores de hoje são sensaborões, pouco empenhados, racham despesas e partilham recursos como se de uma sociedade comercial se tratasse.

 

Quando se separam fazem partilhas, ficam amigos – ou pelo menos toleram-se. Desapareceu aquele frenesim que transformava os Silvas e Gomes em Montéquios e Capuletos, a honra das donzelas se não lavada em sangue era, no mínimo, limpa num arraial de pancadaria da velha.

 

Hoje, poucas jovens adolescentes fogem com o amor da sua vida, os pais são tolerantes e permissivos, o virgo das raparigas passou a insignificância, tomado de assalto por um qualquer. Eu, que evitei pais ciosos, que namorei meses e meses até unir corpos, assisti a «esperas» de pais vingadores, confesso nostalgia do tempo em que o sexo era uma miragem, se casava por «penalty» e em que o amor era vivido com sabor de sonho e risco.

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4 comentários

De Ana A. a 03.06.2014 às 20:21

Pois eu acho que nunca assisti a tantas notícias de mortes e tentivas de homicídio "por amor" como agora!
E se quer saber, dispenso bem para mim e para a minha filha, esse amor descontrolado, que de amor só se for pelo seu próprio umbigo.

De Fernando Lopes a 03.06.2014 às 20:49

A Ana conhece-me o suficiente para saber que tenho um certo gosto pelo drama, extremos, paixões avassaladoras e amores irracionais e incondicionais. Não é defeito, é feitio. ;)

De Efeminúsculo a 04.06.2014 às 13:54

Já somos dois saudosistas. Hoje é tudo plastificado até a virgo que se pode "reconstituir" quantas vezes forem "achaque" da possuidora, mesmo já entrada nos anos e por capricho ou perfeita ignorância. Tenho saudades de tudo isso. Muito, mas muito do respeito e da devoção com que se via o amor. "Aquele" AMOR era sobretudo belo, para lá de todos os exageros de vigílias de parentes e proibições do clero e sociedade. Para mim, doente de romantismo talvez ou "excêntrica" nos tempos de hoje o amor "esse" amaor de que fala traz-me uma nostalgia sem fronteiras. Perceber a banalização dos sentimentos e dos actos a eles associados, numa "leveza" dispensável, entristece-me. Claro que algumas coisas seriam de mudar mas não assim, para o que temos hoje. NUNCA assim. Mas é o progresso. Uma boa tarde Fernando tudo de muito bom para si e todos que ama!

De Fernando Lopes a 04.06.2014 às 19:36

Sabe, este saudosismo é coisa de «velhadas» como nós. Hoje as coisas são melhores, embora se tenha perdido aquele sentido de urgência e loucura de outrora.

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